Cabec¦ºalho ciclismo

Em termos internacionais, como em todos os anos, o momento mais esperado estará em quem irá triunfar no Tour. Este ano não é exceção e realmente é esperada muita competitividade entre os melhores ciclistas e as melhores equipas (este ano temos a adição dos Jogos Olímpicos, algo que poderá servir de mudança para a preparação de certos ciclistas e provocar algumas mudanças de objetivos). Neste caso, Froome e a “sua” Sky irão enfrentar, novamente, um desafio difícil para manterem a camisola amarela que conquistaram justamente em 2015. Com a aquisição de alguns elementos, como o caso de Kwiatkowski e de Landa, esta equipa está ainda mais forte do que no ano passado, apesar de ter perdido um ciclista sempre importante como Richie Porte (que entrou da melhor forma na BMC, conseguindo um segundo lugar no Tour Down Under, tal como já foi destacado no último artigo).

O domínio das provas de uma semana e o facto de vencer pelo menos um dos Grand Tours serão os maiores objetivos da equipa britânica. A aquisição do polaco Kwiat será importante para as tais provas de uma semana e a vinda de Landa poderá ajudar Froome a voltar a vencer o Tour (sendo que o recém contratado espanhol também poderá ter a sua oportunidade de brilhar em certas provas e, provavelmente, na Vuelta – o Giro irá estar designado para ciclistas como o Henao e, talvez, o Geraint Thomas).

Equipas como a Astana, a Movistar e a Tinkoff “prometem” não facilitar a vida à Sky, principalmente nas grandes voltas. A equipa cazaque, apesar da saída de Landa, continua forte e demonstrou ser a equipa com melhores recursos, no ano passado, para os três GTs. Iremos ter um Nibali e um Aru a tentarem voltar a ganhar uma dessas provas. Veremos é se este é o ano em que Aru terá um papel essencial no Tour ou se ainda será uma prova para Nibali voltar a ser o chefe de fila (o facto de o ano passado não lhe ter corrido de feição e, também, a forma em que Aru se encontra poderão ser muito importantes para as decisões finais da equipa). Em princípio, até será o próprio Aru a tomar finalmente conta das rédeas da equipa, mas nada é completamente certo. Se realmente Aru for como líder ao Tour, poderemos ter Nibali como um dos favoritos, senão o principal favorito, a vencer o Giro deste ano.

El Pistolero, um dos melhores ciclistas deste século, irá terminar a sua carreira nesta época Fonte: Alberto Contador
El Pistolero, um dos melhores ciclistas deste século, irá terminar a sua carreira nesta época
Fonte: Alberto Contador

A Tinkoff, tendo em conta que será o último ano de Alberto Contador no ciclismo profissional, quererá tudo fazer para dar um grande último ano ao “Pistolero”. A Movistar, com a mudança de Daniel Moreno da Katusha para a equipa espanhola, terá ainda mais razões para acreditar em bons resultados ao longo de todo o ano. Com Quintana a voltar a tentar vencer o Tour e com Valverde num dos últimos anos da sua carreira, é de esperar que a equipa espanhola esteja bastante forte este ano (a adição do talentoso português Nélson Oliveira também foi importante). Ainda em relação a alguns dos espanhóis aqui mencionados, será interessante perceber se o trio Alberto Contador, Alejandro Valverde e Joaquín “Purito” Rodriguez ainda terá um 2016 em grande (como têm sido os últimos largos anos) ou se será o “fim”…

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Em termos de clássicas, era esperado um grande embate entre Kristoff e Degenkolb, mas o tal acidente que a equipa da Giant sofreu irá mudar a situação e o alemão irá ficar afastado da competição durante alguns meses, para infortúnio de todos os amantes da modalidade. Será igualmente curioso verificar que Cancellara iremos ter. Todos esperam que seja o “Spartacus” do costume para o espetáculo ser ainda melhor. Na semana das Ardenas, Alejandro Valverde é considerado um dos favoritos (o espanhol que também tem um grande objetivo centrado nos Jogos Olímpicos), mas ciclistas como o já referido Kwiatkowski e uma das jovens sensações do ano passado Julian Alaphilippe poderão intrometer-se numa luta que se prevê renhida e com emoção.

Rui Costa e Nélson Oliveira mostram-se prontos para triunfar nas melhores provas internacionais Fonte: Rui Costa
Rui Costa e Nélson Oliveira mostram-se prontos para triunfar nas melhores provas internacionais
Fonte: Rui Costa

O próprio Rui Costa tem evoluído bastante bem de ano para ano nesta vertente e também poderá ser um dos nomes a considerar para os pódios destas provas (e, quem sabe, até poderá vencer uma delas; capacidade e qualidade para isso tem ele). Esteban Chaves e Tom Dumoulin também poderão ser bons nomes para esta semana, sendo que, para ambos, também reside a incerteza em relação às grandes provas e sobre se realmente manterão ou aumentarão o nível referente ao ano passado. Poderemos ter mais dois grandes nomes a lutar pelas grandes voltas, apesar de o colombiano ter certas dificuldades no contrarrelógio e o holandês ter dificuldades parecidas em montanha.

Para os sprints, nas mais variadas provas, voltaremos a ter elencos “de luxo” – é de destacar a mudança de Marcel Kittel para a Etixx, sendo que de saída dessa mesma equipa esteve Cavendish, que foi para a Dimenson Data, ex-MTN Qhubeka – e a adição de algumas jovens promessas (promessas ou mesmo já certezas…), como Caleb Ewan (não me canso de elogiar este jovem; tem sido espetacular acompanhar a sua evolução e a forma como já derrota ciclistas “consagrados”) ou Fernando Gaviria, entre outros. Não nos esqueçamos, igualmente, do que poderá fazer Peter Sagan com a camisola de campeão do mundo.

Em termos nacionais, já foi salientado o importante papel que Rui Costa poderá ter nas clássicas, mais propriamente na semana das Ardenas, sendo que também é de se prever que mantenha a grande qualidade nas provas de uma semana e que possa finalmente fazer um bom/grande resultado num Giro, Tour ou Vuelta. Provavelmente, voltará a apostar no Tour – continuo a achar que poderia tentar apostar ainda mais nas clássicas e provas de uma semana e tentar um Giro ou uma Vuelta, mas, enquanto não conseguir um bom/grande resultado no Tour, será difícil isto acontecer, em princípio.

O regresso do Sporting e Porto ao ciclismo, como Sporting CP/Tavira e W52-FC Porto-Porto Canal, são as grandes novidades nacionais Fonte: Sporting CP
O regresso do Sporting e do Porto ao ciclismo, como Sporting CP/Tavira e W52-FC Porto-Porto Canal, é a grande novidade nacional 
Fonte: Sporting CP

É expetável que ciclistas como Nélson Oliveira, Tiago Machado (que, na entrevista que fizemos ao Presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo, tem a mente bem focada nos Jogos Olímpicos), André Cardoso e José Gonçalves possam aumentar o nível e continuar a “dar boas cartas” na alta-roda do ciclismo mundial. É muito importante para Portugal, principalmente em ano de Jogos Olímpicos, que todos estes ciclistas estejam em boa forma ao longo das mais variadas provas e que continuem a conseguir bons resultados para as suas equipas.

“Cá dentro”, tendo em conta os regressos de Sporting e Porto, é possível que possamos assistir a um ano em grande, com a rivalidade normal entre os dois clubes a ser o mote para as mais variadas provas onde estejam. A Volta ao Algarve, já neste mês de Fevereiro e com grandes nomes do ciclismo internacional confirmados, e a Volta a Portugal voltarão a ser os “cabeças de cartaz” do calendário nacional. Estamos na expetativa até se saber como será este primeiro ano com o regresso dos clubes ao ciclismo e se Gustavo Veloso mantém o domínio “interno”, especialmente na Volta a Portugal (perdeu o seu “gregário de luxo”, Délio Fernandez). Terá forte concorrência de outros ciclistas (veremos se Rinaldo Nocentini conseguirá ainda demonstrar as qualidades que o fizeram ter uma boa carreira internacional – na Volta a Portugal, tendo em conta a importância do contrarrelógio, será difícil para o ciclista italiano conseguir vencer a prova, mas, ainda assim, com ciclistas destes nunca se poderá descartar algo) e outras equipas que costumam preparar-se realmente bem para a “Grandíssima”. Ainda assim, o ciclista espanhol parte na “pole position” para vencer a Volta a Portugal deste ano.

Que seja um ano com imenso espetáculo, boas surpresas, grande competitividade, menos casos de doping e muitas vitórias portuguesas!

Foto de Capa: telegraph.co.uk