

A última semana do Giro d’Italia de 2026 foi o palco da consagração absoluta de dois nomes que marcaram esta edição de forma indelével: Jonas Vingegaard, que dominou com punho de ferro a montanha e a classificação geral, e o português Afonso Eulálio, que assinou uma das páginas mais brilhantes da história do ciclismo nacional ao conquistar a camisola branca.
A lei do mais forte nas montanhas
A entrada na decisiva semana final não deixou margem para dúvidas sobre quem ditava as regras. Na 16.ª etapa, Jonas Vingegaard voltou a erguer os braços, demonstrando a sua superioridade e consolidando ainda mais a Maglia Rosa perante os rivais. No dia seguinte (17.ª etapa), o espetáculo e a glória ficaram a cargo do dinamarquês Michael Valgren, que encontrou o seu momento de triunfo e festejou na linha de meta.
A 18.ª etapa proporcionou um regresso às chegadas rápidas, com o prodígio francês Paul Magnier a mostrar mais uma vez a sua ponta final letal, somando nova vitória para o seu currículo nesta impressionante estreia.
Mas os grandes colossos italianos ainda tinham muito para dar. A chegada aos temíveis picos das Dolomitas na 19.ª etapa serviu de palco para a afirmação do “Durango Kid”. Sepp Kuss conquistou a etapa e completou o tão cobiçado “treble” em Grandes Voltas, juntando vitórias em etapas no Giro àquelas já conquistadas no Tour e na Vuelta.
O “xeque-mate” do Rei e o voo histórico de Eulálio
A mítica 20.ª etapa era o último grande e brutal teste antes da viagem para a capital italiana. E o mestre Vingegaard não quis meias medidas: o dinamarquês atacou, venceu a etapa e fechou definitivamente as contas da Maglia Rosa, à espera apenas da consagração em Roma.
Ao mesmo tempo, as estradas italianas presenciavam um feito histórico para as cores de Portugal. Num exercício de pura resiliência, inteligência e classe, Afonso Eulálio defendeu a sua posição com unhas e dentes. O jovem português selou o 6.º lugar na classificação geral e garantiu matematicamente a Camisola Branca (líder da classificação da juventude), elevando o ciclismo nacional a um patamar de excelência.
A apoteose na Cidade Eterna
A tradicional etapa de consagração (21.ª etapa) percorreu as belas e históricas ruas de Roma sob um ambiente de pura festa. Numa chegada ao sprint idealizada para os homens mais potentes do pelotão, o italiano Jonathan Milan impôs a sua força e fechou o Giro com uma imponente vitória caseira.
No pódio final, no coração de Roma, a história do ciclismo abraçou os seus novos heróis. Jonas Vingegaard ergueu o Trofeo Senza Fine e vestiu a Maglia Rosa definitiva, enquanto Afonso Eulálio subiu ao palanque para receber a camisola branca, encerrando de forma épica e memorável um Giro d’Italia que ficará para sempre gravado na memória dos adeptos portugueses da modalidade.

