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Giro d’Itália 2017 – 100 Anos de Grandeza

Nuno Raimundo · 8 min

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Cabeçalho modalidadesA mais do que esperada centésima edição da Volta a Itália já chegou e com ela temos uma prova bastante virada para a média e alta montanha. Desde o dia 5 até ao dia 28 de Maio poderá acompanhar as maiores emoções e o espetáculo provenientes de um pelotão de incrível qualidade. A grande novidade da prova, além das poucas oportunidades para os sprinters em etapas planas, é o facto de que, à 16.ª etapa, os ciclistas terão de subir duas das montanhas mais “temidas” numa Volta a Itália, subindo duas vezes uma dessas montanhas, e duas etapas depois terão de subir outras 5 montanhas em menos de 140 km’s… mas já vamos ao percurso.

Numa prova que servirá de grande homenagem a algumas lendas do ciclismo, a Eurosport irá transmitir, em direto e exclusivo, aquele que é o primeiro Grand Tour ou Grande Volta da temporada no mundo do ciclismo. Nairo Quintana e Vincenzo Nibali partem como os grandes favoritos a conquistar a maglia rosa, sendo que, em termos de portugueses, iremos ter a presença de 3 ciclistas a representar Portugal. Rui Costa, José Gonçalves e José Mendes são os elementos nacionais presentes em Itália.

Esta edição parte da Sardenha pela primeira vez, passa igualmente pelo maior vulcão da Europa, o Etna, e termina com um contrarrelógio próximo dos 30 km’s, situado em Milão. O final desta etapa acontece junto do Autódromo de Monza e a meta está situada na Piazza Duomo.

O Monte Etna estará presente neste Giro e fará as primeiras grandes diferenças na geral individual  Fonte: italia.it
O Monte Etna estará presente neste Giro e fará as primeiras grandes diferenças na geral individual
Fonte: italia.it

Iremos ter mais de 3 mil km’s percorridos no conjunto das 21 etapas e iremos ter 3 dias de descanso nestas 3 semanas de prova. Tal como foi mencionado, irá haver homenagem a algumas lendas, como, por exemplo, o facto de algumas das etapas começarem ou terminarem nas cidades-natal de ex-ciclistas, como Ercole Baldini, Gino Bartali ou Fausto Coppi.

As três primeiras etapas, com maior ou menor dificuldade, estarão adaptadas para os homens mais rápidos do pelotão, mas as grandes dificuldades começam logo à quarta etapa, com a chegada do Monte Etna. Esta subida é brutal, com quase 18 km’s e com uma percentagem de inclinação de 6,6%. É o primeiro grande teste para os homens que irão lutar pela geral e, apesar de não decidir quem irá vencer, poderá decidir quem não estará na luta até final.

Após mais algumas etapas entre o plano e a média montanha, chega a etapa 9, com a subida ao Blockhaus, tendo 13,6 km’s e inclinação de 8,4%. É uma etapa que até irá, em princípio, começar de forma algo “relaxada”, mas os últimos quilómetros irão dar pouco espaço para sequer o pelotão poder “respirar”. Espera-se que os verdadeiros trepadores “deem a cara” neste dia.

Após um dos dias de descanso, iremos ter o primeiro contrarrelógio desta prova. Geralmente, um CR após um dia de descanso é motivo para alerta para muitos dos líderes das equipas…ainda por cima tendo a extensão de quase 40 km’s. Poderá ser uma das etapas decisivas para o desfecho final deste Giro. Na etapa 14, iremos ter a subida a Oropa, numa espécie de “tributo” à lenda que foi e é Marco Pantani. Serão 11,8 km’s com 6,2% de inclinação e qualquer ciclista italiano quererá aparecer em grande para esta etapa.

Após outro dia de descanso, temos, provavelmente, a etapa mais exigente de toda esta prova (com 222 km’s), com a presença de três incríveis, e bem conhecidas no mundo do ciclismo, montanhas italianas: o Mortirolo (denominada recentemente por Scarponi Climb, em homenagem ao grande homem e ciclista italiano que faleceu recentemente num acidente, de seu nome Michele Scarponi), o Stelvio e a Umbrailpass – nome dado ao outro lado do Stelvio. Esta etapa 14 promete bastante… E, dois dias depois, aparece, talvez, a segunda etapa mais exigente da prova. Não tendo a incrível extensão da anteriormente mencionada (tem “apenas” 137 km’s), apresenta 5 contagens de alta/média montanha ao longo do percurso.

A brutal e igualmente exigente etapa 18  Fonte: procyclingstats.com
A brutal e igualmente exigente etapa 18
Fonte: procyclingstats.com

A 20.ª etapa inclui o Monte Grappa, tendo uma extensão com mais de 24 km’s e com inclinação de 5,3%, e a montanha com o nome de Foza (14 km’s a 6,7%). Esperemos que ainda nada esteja decidido para realmente ser uma etapa incrível e cheia de espetáculo antes do contrarrelógio final. Este mesmo CR irá ter menos de 30 km’s, mas acredito que fará diferenças significativas para se decidirem posições na classificação geral individual. Milão, como seria de esperar, foi a cidade escolhida para tal situação, visto que foi o local que iniciou e terminou a 1.ª edição do Giro d’Itália, em 1909.

Tal como foi mencionado, os grandes favoritos a conquistarem esta prova são 2 dos 4 melhores ciclistas da atualidade em provas de 3 semanas: Nairo Quintana, da Movistar, e Vincenzo Nibali, da Bahrain Merida.

O colombiano foi o vencedor em 2014 e está rodeado por uma excelente equipa. A terceira semana poderá ser a “semana de Nairo Quintana”. Já o italiano, que venceu o Giro em 2013 e 2016, aparece com uma equipa que apresenta uma qualidade diferente da que ele apanhou na poderosa Astana. Ainda assim, a sua motivação deve estar no topo, não só por parecer ser o único elemento que poderá contrariar Quintana e vencer este Giro em casa, como também pelo facto de que deverá querer homenagear o seu grande amigo e ex-colega de quarto por vários anos, de seu nome Michele Scarponi, vítima recente de um acidente. Será, igualmente, interessante, perceber se a própria Astana irá “aliar-se” à equipa de Nibali.

Numa espécie de segunda linha de favoritismo, encontramos ciclistas como Steven Kruijswijk (Lotto-Jumbo), que, para mim, teria sido o justo vencedor do Giro do ano passado – não fosse aquela queda aparatosa e tudo o que se desenrolou logo após isso, provavelmente o holandês estaria aqui a ser designado como o último vencedor da prova –; Thibaut Pinot (FDJ), que tem melhorado cada vez mais as suas prestações nos contrarrelógios e nas descidas e isso poderá ser algo decisivo para uma subida ao pódio final; ou Adam Yates (Orica), que tem sido cada vez mais “polido” para disputar estas grandes voltas e acredito que terá aqui uma excelente oportunidade para mostrar exatamente isso.

Outros nomes a ter em consideração são: Bauke Mollema (Trek-Segafredo), que aponta a um top’5 depois de ter de mudar alguns planos após a aposta da sua equipa em Contador para liderar no Tour; Tom Dumoulin (Sunweb), que pertence à elite no que toca aos contrarrelógios, mas ainda existem dúvidas de que consiga acompanhar os melhores pelas montanhas mais complicadas, como algumas das que encontrará neste Giro; a dupla da Sky composta por Mikel Landa e Geraint Thomas, que tentarão funcionar bem em conjunto para proporcionarem uma maior vantagem tática à sua equipa.

Também a ter em consideração, temos, igualmente, Ilnur Zakarin (Katusha), que similarmente a Kruijswijk acabou por cair e, ainda mais grave, teve de desistir da prova naquela altura e acredito que esteja pronto para mostrar o que de bom poderia ter feito no ano passado; Davide Formolo (Cannondale-Drapac), um dos ciclistas jovens com mais potencial nas montanhas; a dupla da BMC composta por Tejay Van Garderen e Rohan Dennis; Domenico Pozzovivo (AG2R); Wilco Kelderman (Sunweb), Maxime Monfort (Lotto-Soudal) ou Bob Jungels (Quick-Step).

Em relação ao português Rui Costa, poder-se-á dizer que iremos ter um Rui a batalhar pelos melhores lugares da classificação geral na primeira semana de prova até ao contrarrelógio. Após isso, dependendo de como estiver na classificação e do que fez até ali, provavelmente irá tomar a decisão de lutar ou não pela geral. Se optar por tentar vencer etapas, essa será a altura ideal para tal escolha. Ainda assim, acredito que o ciclista português da UAE Team Emirates consiga fazer o seu primeiro top’10 num Grand Tour.

rui costa
Rui Costa está determinado a fazer uma boa Volta a Itália
Fonte: Rui Costa

Além do ex-campeão do mundo, também iremos ter em prova mais 2 portugueses: José Gonçalves (Katusha), que irá tentar apoiar da melhor forma o seu líder, que é o Zakarin, e atacar algumas das etapas mais viradas para os “oportunistas”, sendo que o terceiro elemento português presente na prova é José Mendes (Bora-Hansgrohe), que terá um pouco mais de liberdade para tentar fazer a sua corrida na geral individual.

Em relação aos sprinters presentes em prova, será interessante perceber, após a etapa 13 (provavelmente a última para estes homens mais rápidos brilharem), se a maioria irá continuar em prova. Giacomo Nizzolo (Trek), vencedor desta camisola no ano passado, e Sacha Modolo (UAE Emirates) deverão ser os dois principais italianos na luta pela camisola dos pontos. Mas o maior nome em prova para este tipo de etapas é claramente o de André Greipel (Lotto Soudal), enquanto que tenho enormes expetativas para ver o duelo entre as duas maiores promessas dos sprints para o futuro: Caleb Ewan (Orica) e Fernando Gaviria (Quick-Step).

Além destes nomes, também há que ter em atenção Sam Bennett (Bora), Jakub Marezcko (Wilier Triestina), Kristian Sbaragli (Dimension Data), Nicola Ruffoni (Bardiani) e Daniele Bennati (Movistar). Para a camisola da montanha, será algo mais complicado de prever, mas nomes como Pierre Rolland (Cannondale-Drapac), Giovanni Visconti (Bahrain Merida), Diego Rosa (Sky), Alexander Foliforov (Gazprom), Michael Woods (Cannondale-Drapac), Omar Fraile (Dimension Data), Dario Cataldo (Astana) e Maxime Monfort (Lotto Soudal) poderão lutar pela camisola, além dos que irão lutar pela geral individual, que também costumam andar pelos lugares cimeiros desta mesma classificação.

Para a classificação da juventude, acho que iremos ter uma luta a 3 entre Adam Yates (Orica), Davide Formolo (Cannondale-Drapac) e Bob Jungels (Quick-Step). Por fim, na classificação por equipas, a Movistar e a Sky trazem equipas com “poder” acima das restantes, mas não é de se descartar a hipótese de uma equipa como a Cannondale surpreender (têm alguns ciclistas para estarem muito bem nas etapas de montanha).

Para os 3 especialistas da Eurosport, o Giro é a corrida mais interessante das 3 Grandes Voltas
Para os 3 especialistas da Eurosport, o Giro é a corrida mais interessante das 3 Grandes Voltas

Por fim, tive o privilégio de poder conversar um pouco com os comentadores da Eurosport (Olivier Bonamici, Paulo Martins e Luís Piçarra) e qualquer um dos três aponta, naturalmente, Nairo Quintana como o principal favorito, sendo que Thibaut Pinot e Vincenzo Nibali são outras das suas apostas. Além destes nomes, também estão expectantes para ver como se irá comportar Tom Dumoulin, principalmente depois de ter perdido peso.

Após isto, que venha esta 100.ª edição do Giro d’Itália e acompanhem a emissão na Eurosport, até porque, em princípio, irei estar lá num dos dias a comentar ao lado dos grandes profissionais disto. Que venha daí a esse espetáculo!

Foto de Capa: Giro d’Itália

Nuno Raimundo

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