Giro d’Italia | Recital de resiliência no Blockhaus deixa João Almeida à beira da liderança

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ARRANQUE HÚNGARO, CONFRONTOS EM VELOCIDADE E FUGAS GLORIOSAS

A edição número 105 do Giro d’Italia começou na Hungria, com uma chegada explosiva, ganha por Mathieu van der Poel. O portento da Alpecin-Fenix foi o melhor “puncher” do pelotão, assegurando a camisola até ao Monte Etna (etapa quatro).

Antes, Simon Yates brilhou, vencendo com elevada nota artística o contrarrelógio de sensivelmente nove quilómetros. Existiram diferenças entre os favoritos, mas entre prestações razoáveis, abaixo das expectativas ou surpreendentes, foi mesmo o tempo do britânico de 29 anos que se destacou dos demais, prometendo muito em termos de geral. Contudo, a queda que sofreu no primeiro dia em Itália limitou claramente a sua prestação desde então.

À sua imagem, a primeira semana de Giro teve inúmeras oportunidades para os sprinters do pelotão somarem as primeiras etapas e, consequentemente, os primeiros pontos para a Maglia Ciclamino. Mark Cavendish venceu antes do Etna e ainda em solo húngaro: o veterano obteve uma vitória arrancada a ferros, depois de manter o seu ataque por uma distância impressionante, sem que mais ninguém conseguisse roubar aquela que foi a 16.ª vitória do britânico no Giro d’Italia.

Sem grandes notas sobre a subida ao Monte Etna para além da já referida fuga vitoriosa de Kamna (vitória em etapa) e Juan Pedro López (camisola rosa), as etapas que chegaram em grupo compacto e com um sprint conheceram apenas mais um vencedor: Arnaud Démare. O francês, já com uma bagagem recheada de vitórias na prova italiana, venceu duas jornadas com um sprint poderoso em ambas as ocasiões, batendo Fernando Gaviria (UAE Team Emirates) e Giacomo Nizzolo (Israel-Premier Tech) em Messina e Caleb Ewan (Lotto-Soudal) e Mark Cavendish em Scalea.

Das oito etapas em linha disputadas até ao momento, vingaram três fugas. Depois de Kamna ter sido o melhor escalador do grupo que se adiantou na quarta etapa, foi Koen Bouwmann que brilhou em Potenza, batendo Bauke Mollema (Trek-Segafredo) e Davide Formolo (UAE Team Emirates) numa jornada com um sobe e desce constante. Se o holandês foi quem demonstrou mais potência, o que dizer de Thomas de Gendt: na etapa oito, em Napoli, o belga de 35 anos conseguiu adiantar-se a Mathieu van der Poel e Biniam Girmay, levando consigo mais três ciclistas, e nem o grande trabalho que fez ao puxar o grupo o impediu de lançar um ataque espantoso… que culminou em vitória para a Lotto-Soudal.

De momento, Arnaud Démare lidera a classificação por pontos, com 147 tentos, contra os 120 de um rival improvável: Biniam Girmay. O eritreu tem somado bastantes pontos dada a sua regularidade nas etapas planas e de média montanha, sendo uma ameaça para o sprinter da Groupama-FDJ. A Volta a Itália segue agora o seu curso em direção a norte, em mais uma semana relativamente tranquila em questões “rosa” até à etapa número 15, mas com muita influência naquilo que pode ser o desfecho final em termos de classificação por pontos, principalmente.

Ricardo Rebelo
Ricardo Rebelohttp://www.bolanarede.pt
O Ricardo é licenciado em Comunicação Social. Natural de Amarante, percorreu praticamente todos os pelados do distrito do Porto enquanto futebolista de formação, mas o sonho de seguir esse caminho deu lugar ao objetivo de se tornar jornalista. Encara a escrita e o desporto como dois dos maiores prazeres da vida, sendo um adepto incondicional de ciclismo desde 2011.

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