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    Il Lombardia: Passagem de testemunho

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    Aí está a Il Lombardia, o último monumento da temporada do ciclismo de estrada e aquele que encerra, este ano, o calendário World Tour. Ao todo, foram 240 dias de competição, que terminaram hoje em Itália. Para que se perceba a importância, a origem desta prova remonta ao ano de 1905, quando era denominada de Milão-Milão. Desde então, a clássica sofreu várias alterações e cidades como Milão, Bérgamo, Monza ou Como chegaram a receber partidas e chegadas.

    Giovanni Gerbi, conhecido como “o diabo vermelho” foi o primeiro ciclista a vencer a clássica. Já com o nome “Giro di Lombardia” ou Il Lombardia e a Gazzetta dello Sport na organização, o francês Gustave Garrigou foi o primeiro a sair vitorioso. Naturalmente, a Itália é o país com mais vitórias, tendo conquistado 69 edições. Seguem-se Bélgica e França com 12. Franco Coppi é o detentor do recorde de vitórias, com cinco edições ganhas.

    Voltando ao presente e ao ano de 2022, a edição 116 – em 1943 e 1944 não se realizou devido à Segunda Guerra Mundial – partiu de Bergamo e terminou em Como, depois de no ano passado ter-se feito o percurso inverso, que terminou com a vitória de Tadej Pogacar (UAE Team Emirates). À partida, o esloveno era claramente o nome mais apontado à vitória, muito por conta das exibições mais recentes: bateu Wout van Aert (Jumbo-Visma) ao sprint no Canadá, fez segundo no Giro dell’Emilia e venceu a Tre Valli Varesine ao sprint.

    Apesar das alternâncias entre as cidades das partidas e das chegadas, a essência da Il Lombardia mantém-se sempre a mesma: é a clássica dos trepadores. Este ano foram mais de 4.500 metros de subida acumulada num total de nove subidas “categorizadas” e 4.800 metros de ganho de elevação em 253 quilómetros de extensão, que fizeram desta a segunda edição com maior ganho desde 1999 – apenas superada pelos 5.236 metros de 2016.

    O esloveno Pogacar era o principal favorito, procurava a 16.ª vitória da temporada e a sua equipa tinha a obrigação de “pegar” na corrida. De recordar que esta foi a última corrida de Alejandro Valverde (Movistar Team) e Vincenzo Nibali (Astana Qazaqstan Team), dois dos mais emblemáticos corredores de sempre, que marcaram toda uma geração.

    Regressando à corrida, as tentativas de fuga nos primeiros quilómetros foram imensas, o que catapultou, nessa fase, a média da etapa para uns alucinantes 50 km/h. À passagem dos 50 quilómetros, a Movistar e Jumbo-Visma assumiram o controlo do pelotão e a vantagem da fuga foi-se perdendo. A 140 quilómetros do fim, Domenico Pozzovivo caiu e despediu-se da pior forma possível daquela que também foi a sua última corrida enquanto ciclista profissional.

    Já com a fuga anulada, alguns homens fortes iam ficando para trás, como é o caso de Matej Mohoric (Bahrain – Victorius), Tobias Foss (Jumbo-Visma), Vincenzo Nibali, Julian Alaphilippe (Quick-Step Alpha Vinyl Team) e João Almeida (UAE Team Emirates), que assumiu o comando do pelotão a 70 quilómetros da meta. O pelotão ia ficando com cada vez menos elementos, até que acabou mesmo por cortar a 19 quilómetros do fim.

    E eis que, na subida do Civiglio, Tadej Pogacar desferiu o seu portentoso ataque e só Enric Mas (Movistar Team) conseguiu aguentar o seu ritmo. Mikel Landa (Bahrain – Victorius) ainda chegou a reentrar no grupo, mas Mas e Pogacar estavam claramente uns furos acima e depressa ficaram sozinhos novamente.

    Landa voltou a reagrupar na descida e assumiu as “despesas” do grupo, na esperança de manter a vantagem para o grupo perseguidor, composto por Sergio Higuita (BORA – hansgrohe), Rudy Molard (Groupama – FDJ), Adam Yates e Carlos Rodríguez (INEOS Grenadiers), Jonas Vingegaard (Jumbo-Visma), Alejandro Valverde, Romain Bardet (Team DSM), Bauke Mollema e Giulio Ciccone (Trek – Segafredo). Seguiu-se San Fermo della Battaglia, a derradeira subida da “Clássica das Folhas Mortas”. Mas voltou a mostrar a sua força, Pogacar reagiu igualmente bem e Landa ficou para trás.

    O espanhol não conseguiu voltar a reagrupar e a vitória acabou por ser discutida entre o duo da frente. Mas lançou o sprint, mas a potência de Pogacar acabou por lhe dar a vitória na Il Lombardia pelo segundo ano consecutivo, igualando o feito de Joaquim Rodríguez em 2012 e 2013. Mas foi segundo e Landa terceiro, com a Espanha a voltar a colocar dois homens no pódio nove anos depois. Seguiram-se Higuita, Rodríguez e Valverde, que terminou a mostrar porque é conhecido como “a Bala”, ao vencer o sprint do seu grupo.

    A vitória não oferece qualquer contestação, todos sabiam que, num final ao sprint num grupo reduzido, Pogacar dá poucas hipóteses a qualquer um. Enric Mas sabia disso e, aproveitando a sua excelente forma na parte final da época, tentou descartar o esloveno longe da meta, à semelhança do que fez durante a semana. Não conseguiu e para a história fica o fantástico segundo lugar num Monumento. Já Pogacar, com as despedidas de Nibali, Valverde e Philippe Gilbert passa a ser, a partir de segunda-feira, o corredor em atividade com mais Monumentos ganhos. Isto com apenas 24 anos! A época foi “quase perfeita”, como o próprio assumiu, e só faltou mesmo a vitória no Tour. Estamos perante um autêntico canibal.

    Foto de Capa: Il Lombardia

    Artigo revisto por Joana Mendes

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    Tiago Alexandre
    Tiago Alexandrehttp://www.bolanarede.pt
    O Tiago nasceu em Abrantes e, atualmente, estuda em Portalegre, cidade para onde partiu em busca do seu sonho no meio do Jornalismo. Está ligado ao Desporto desde sempre e gosta de rebater as suas opiniões até à última. O Ciclismo e o Futebol - não o 'jogo da bola' - são as suas paixões, sem nunca descurar o Hóquei em Patins, o Futsal e o brilhante mundo dos Esports.
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