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O formato da prova feminina organizada pela La Vuelta é o exato oposto do que tem acontecido nos últimos anos com a semelhante corrida do Le Tour. Se a ASO não parece saber o que quer fazer com a La Course, a sua filial espanhol Unipublic mostrou de forma sublime que, contrariamente ao que muitos organizadores parecem pensar, não é preciso nada muito elaborado para se criar um belo espetáculo de Ciclismo.
A premissa da Madrid Challenge continua semelhante à do ano transato – apenas alterou o contrarrelógio de sábado de um coletivo para um individual – e, mais uma vez, presentou os madrilenos com uma bonita prova.
Primeiro, o esforço individual realizado nos arredores de Madrid ao final da tarde de sábado estabeleceu as diferenças iniciais e serviu de aperitivo para o circuito citadino de domingo. A antiga campeã do Mundo de contrarrelógio Lisa Brennauer fez jus à sua qualidade na especialidade e levou de vencida a jornada, com uma vantagem de quatro segundos sobre Lucinda Brand e 13 sobre Pernille Mathiesen, ambas da mesma equipa, a Sunweb, conjunto que havia ganho o Madrid Challenge em 2018.
No entanto, a corrida estava longe de se encontrar decidida, já que o circuito de Madrid, apesar de totalmente plano, trazia um claro ponto de interesse: bonificações no final da etapa e em sete sprints intermédios. Brand e Brennauer deram espetáculo, bem como algumas outras atacantes, que nunca ganharam muita vantagem, porque o pelotão queria disputar os segundos de bonificação oferecidos a cada duas voltas.
Brennauer acabou por levar a melhor e aumentar a vantagem para dez segundos, apesar de Brand ter ficado perto de roubar a Geral na meta ao ser quarta e falhar por pouco as bonificações. Ao sprint, levou a melhor Chloe Hosking, a sprinter australiana a impor-se com autoridade após bastante trabalho da sua equipa durante a jornada.

Fonte: José Baptista/Bola na Rede
Presente em prova esteve apenas uma ciclista nacional, Maria Martins, que se assumia como a principal figura do conjunto espanhol da Sopela Team. A jovem lusitana não se fez rogada e esteve entre as melhores numa segunda etapa bem ao seu jeito.
Face a algumas das melhores sprinters do mundo, Maria Martins não se encolheu e acelerou para um belo sexto lugar na Praça Cibeles, cimentando o seu estatuto de uma das promessas do velocidade mundial.
O bom resultado é ainda mais meritório ao considerarmos que a portuguesa havia corrido o Lotto Belgium Tour, prova de quatro dias, imediatamente antes e viajando do norte para o sul da Europa sem direito a qualquer dia de descanso entre estas duas exigentes competições.
Do patrocinador ao psicológico: diferentes razões para vencer
No final da prova, Lisa Brennauer mostrou-se extremamente satisfeita por voltar às grandes vitórias e elogiou o circuito final, que considerou “muito excitante, porque haviam tantos segundos na estrada e penso que para os espectadores também foi uma boa corrida para ver”.
Destacando o papel de integrar a Vuelta como um atrativo extra, referiu ainda que havia uma motivação especial para ela e as suas colegas brilharem. “Foi uma corrida especial também por o principal patrocinador da nossa equipa ser um dos grandes patrocinadores desta corrida”.

Fonte: José Baptista/Bola na Rede
Quanto à corrida, explicou que “o plano era ir diretamente para o primeiro sprint para aumentar a vantagem e isso correu bem no início”. Ainda que “no meio da corrida, Lucinda Brand somou vários segundos e esteve muito próxima de mim, mas nos sprints finais consegui voltar a somar mais segundos”, frisando ainda que a prova “foi bastante traiçoeira a corrida porque tinhamos de fazer um sprint completo a cada duas voltas e tinha de estar sempre muito atenta e sempre pronta para sprintar”.
Nos momentos finais da prova, Chloe Hosking viveu “um sprint algo estranho, já que a minha equipa ficou na frente muito cedo e Romy Kasper, que era a minha última lançadora, ficou na frente a ainda mais de um quilómetro da meta”.
De qualquer modo, isso não impediu a australiana de levar a melhor e conquistar uma vitória emocional. “Eu não tive um bom início de temporada e mentalmente isso foi muito duro. Tirei algum tempo e maio para recomeçar em junho e estou a voltar ao topo. Estou muito orgulhosa de mim mesma por perseverar e voltar ao nível em que penso que devo estar”.
Foto de Capa: Madrid Challenge









