A publicação pela UCI da lista final de vagas de apuramento por nação para as provas de Estrada dos Jogos Olímpicos de Tokyo 2020 veio relembrar a forma como, naquela que é supostamente a prova rainha do Desporto, o Ciclismo se transforma numa caricatura de si mesmo.

A Estrada é a mais maltratada. Para um desporto que é coletivo durante o resto do ano, continua-se a ter um formato Olímpico que impede que uma equipa tente controlar a prova, com um número máximo de ciclistas por equipa ridículo. Isto atinge o nível do vergonhoso na prova feminina, em que as equipas mais representadas terão somente 4(!) ciclistas.

Também o número total de atletas é completamente desajustado, com apenas 67 ciclistas na prova feminina e 130 na masculina. Comparando com os pelotões dos Mundiais, estamos a falar de uma diferença de menos 85 e 67 ciclistas, respetivamente, e tratam-se de números ao nível de provas de categorias extremamente baixas. Para dar um termo de comparação, as provas amadoras em Portugal (que não são do calendário UCI) costumam ter pelotões por volta das 100 unidades.

Várias disciplinas da Pista são deixadas de fora dos Jogos
Fonte: José Baptista / Bola na Rede

A Pista tem muitas razões de queixa, tal como a Estrada. A mais variada vertente da modalidade é uma sombra de si mesma, com provas como o Scratch, a Corrida por Pontos ou a soberba Perseguição Individual a ficarem de fora dos Jogos. Esta última exclusão é especialmente revoltante, já que se trata da prova rainha da Pista a nível individual e que tantos momentos memoráveis proporcionou nas Olimpíadas em que foi incluída.

Não é aceitável que se permita manter esta fachada em que a Pista vai para os Jogos, mas só a meio gás, com tantas vertentes importantes e históricas a serem deixadas de fora. E não esquecer que, devido a este modelo, o Omnium foi há poucos anos remodelado para um novo formato cuja melhoria é discutível.

No Mountain Bike também há sub-representação, com apenas o XCO a ter prova olímpica, apesar do enorme crescimento que outras vertentes do MTB têm verificado em importância.

Posto tudo isto, resta perguntar: o desporto que vemos nos Jogos é mesmo Ciclismo ou só uma piada de mau gosto?

Foto De Capa: Innsbruck-Tirol 2018

Artigo revisto por Joana Mendes

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