Espera-se uma corrida bastante disputada e, curiosamente, os dois maiores candidatos ao lugar mais alto do pódio são os dois que disputaram esta prova, no ano passado, até ao fim: Simon Gerrans (o vencedor em título) e Richie Porte (o vice-campeão de 2015).

O australiano da Orica sabe bem o que é ganhar esta corrida, visto que já o fez por 4 ocasiões e é daqueles ciclistas que aproveita muito bem o tipo de oportunidades em que existem segundos de bónus à espreita em algumas partes da corrida. Ainda assim, terá de lidar, na própria equipa, com a imensa qualidade do jovem colombiano Chaves e com as aspirações dos sprints da equipa a estarem ao cargo do jovem prodígio Ewan.

Já o ciclista australiano da BMC terá aqui uma excelente oportunidade de vencer um título que lhe escapou por pouco na edição passada. Em perspetiva, a etapa rainha irá assentar-lhe da melhor forma, mas Porte não poderá distrair-se em qualquer uma das outras etapas, principalmente aquelas ao sprint, porque poderão existir cortes e/ou quedas. Conta com um grande ajudante (será?) no também australiano Rohan Dennis.

A equipa da Sky, que costuma apresentar na maior parte das provas com um elenco acima da média, volta a ter um dos potenciais vencedores deste Tour Down Under. O colombiano Henao foi terceiro, em 2015, sendo que é dos candidatos mais seguros a estar no pódio. Terá um excelente apoio por parte de Geraint Thomas (é esperar para ver se só será “apoio” ou teremos também o britânico como concorrente), Luke Rowe e Ian Stannard. Também será dos maiores beneficiados com a etapa 5.

Simon Gerrans venceu em 2016 Fonte: Simon Gerrans
Simon Gerrans venceu em 2016
Fonte: Simon Gerrans

Até há bem pouco tempo, o nome de Michael Woods era pouco conhecido no mundo do ciclismo, principalmente entre os adeptos da própria modalidade. A verdade é que o ano passado foi o ano da sua revelação e este ano espera-se muito mais da sua parte. Veremos se consegue já exceder as expetativas neste TDW e se conseguirá um lugar no pódio.

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Para acrescentar aos já mencionados, temos mais alguns nomes a ter em conta: Nathan Haas, LL Sanchez, Jesus Herrada, Robert Gesink, Jay McCarthy, Carlos Barbero, Diego Ulissi, Domenico Pozzovivo, TJ Slagter, Jarlinson Pantano, Cameron Meyer, Gianluca Brambilla, Rafael Valls, Peter Vakoc ou Wilco Kelderman, entre outros…sendo que os portugueses Tiago Machado e José Gonçalves, da Katusha, também poderão ter uma palavra a dizer numa ou noutra etapa (já o terceiro português da lista, Rúben Guerreiro, acredito que irá servir de bastante apoio a Pantano e a Theuns).

A luta pelos sprints será igualmente bastante interessante, sendo que o grande favorito a vencer a maioria desses sprints tem o nome de Caleb Ewan, ciclista australiano de apenas 22 anos e ainda com tanto potencial por explorar. Um dia, acredito mesmo que será o melhor sprinter do mundo. Hoje, já é dos melhores, sem dúvida. Por isso, que todos os seus “rivais” tenham cuidado em qualquer uma das etapas propícias a acabarem ao sprint.

Peter Sagan, como é claro, tem de ser outro dos grandes nomes a serem destacados nesta prova, mas a verdade é que os objetivos principais do bicampeão do mundo são outros e acredito que tente mais ganhar uma etapa do que lutar pela geral individual, por muitas capacidades que tenha para tal. Além dos 2 nomes já citados, Sam Bennett será uma força a ter em conta neste tipo de chegadas, tal como Bonifazio, Theuns, Swift, Arndt ou Renshaw. Não faltará qualidade quando estivermos nesse tipo de etapas.

Após isto…que se abram as cortinas e comece, finalmente e novamente, este espetáculo!

Foto de capa: Tour Down Under