BnR: Sempre que se fala do Sérgio, fala-se da prata de Atenas, que foi o seu grande momento, mas depois o Sérgio acaba por nunca mais participar nuns Jogos Olímpicos. Tem alguma mágoa por isso?

SP: Não, participei nos Jogos Olímpicos de Atenas, depois para os Jogos de Pequim houve uma situação complicada em que, se calhar, houve um mal entendido, tanto da minha parte como do médico da altura do Comité Olímpico, em que acabei por não estar presente em Pequim e, pronto, a partir daí, da minha parte nunca houve qualquer tipo de problema, porque acabei por representar Portugal em Campeonatos do Mundo depois disso. Gostaria de fazer mais Jogos, que é sempre o objetivo de qualquer atleta, mas não tenho qualquer tipo de mágoa.

BnR: Ainda assim, quando foi os Jogos de Pequim escreveu-se muita coisa na imprensa sobre a sua não ida e sobre a questão da bolsa olímpica. Tendo em conta como foi recebido como herói em 2004 e depois ser tratado assim publicamente em 2008, sentiu-se um pouco injustiçado?

SP: Senti. Senti, porque, como disse, tinha e tenho um problema de saúde que é a asma, na altura tinha provas em como nos testes eram positivos, em que todos os testes eram mandados tanto para a UCI como para a Agência Mundial Anti-Dopagem e tudo foi aprovado em como era asmático e podia tomar a minha medicação. E, quando envio os testes para o médico do Comité Olímpico, ele diz que é negativo e mesmo o médico da equipa na altura disse que se fosse para Pequim podia ter que ficar internado por um ataque de asma devido ao clima e tudo mais em Pequim e, a partir daí, optei por não embarcar e não fazer os Jogos.

BnR: Quanto ao seu percurso no estrangeiro, só mais uma questão. Além das duas vitórias de etapa no Tour e na Vuelta, que certamente são excelentes memórias que tem, quais foram os dias que mais o marcaram? Até por vitorias de outros, porque o Sérgio fez uma grande parte da carreira a trabalhar para as vitórias dos outros

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SP: O Tour de 2009 marcou-me bastante. Tanto pelo lado positivo, como pelo lado menos positivo que toda a gente já sabe e não vale a pena estar a falar. Mas, pelo lado positivo, foi um Tour em que, se calhar, melhor fiz e que melhores sensações tive. Ganhamos o contrarrelógio por equipas que é a competição que qualquer equipa gosta de ganhar e que faz tudo para ganhar. Se calhar, esse Tour foi o que me marcou mais.

De regresso a Portugal, o medalhado olímpico cumpre a quarta temporada ao serviço da Efapel
Fonte: Bola na Rede

BnR: Depois, regresso a Portugal. Porquê a Efapel?

SP: Porque na altura foi a única equipa que falou comigo, e também porque, na altura, o Américo Silva, que é uma pessoa que conheço desde miúdo, era o diretor desportivo. Foi por essas duas razões.

BnR: Falou do Américo Silva, como foi a questão de gerir a saída do Américo Silva dentro da equipa? Foi algo que surgiu a meio do ano, apanhou algumas pessoas surpreendidas fora da equipa, como foi gerida essa situação?

SP: Foi uma situação,… não digo que normal, não foi, mas foi uma situação em que nós ciclistas pouca coisa poderíamos fazer. É uma situação em que tinha que ser o Américo e o Carlos Pereira a resolver, nós os ciclistas tentamos fazer o nosso melhor quer com o Américo a diretor desportivo quer depois com o Rúben e, pronto, nós corredores só temos que fazer o nosso trabalho e, com um diretor ou outro, fazer tudo o que eles nos mandam e tentar ao máximo cumprir com todas as ordens do diretor.

BnR: O Sérgio, quando veio para Portugal, ainda achava que podia lutar pela vitória na Volta a Portugal?

SP: Achava. Porque sentia-me ainda em condições para isso, porque em todas as corridas que fazia no estrangeiro sentia-me em condições não de as ganhar, mas de poder fazer melhor que o que fiz. Era outro tipo de trabalho, não era estar nas partes finais, por isso sentia-me ainda em condições de poder lutar pela Volta.

BnR: E na primeira Volta que faz no regresso acaba ainda por terminar bem colocado na Geral. Entretanto, agora, acaba por estar mais focado em ajudar o Joni Brandão. Mas, além de ajudar o Joni, há ainda algum objetivo individual que queira alcançar nestes últimos anos como ciclista profissional?

SP: É assim, neste momento, por exemplo, se calhar por um campeonato nacional ou isso. Porque, neste momento, o foco é ajudar tanto o Joni como a equipa Efapel a ganhar a Volta e esse é o meu principal objetivo. Claro que se surgir alguma oportunidade de, numa outra corrida, estar na disputa ou de a ganhar, claro que irei aproveitar, mas neste momento o principal objetivo é ajudar o Joni na Volta.

BnR: Este regresso também lhe permitiu que, nestas últimas três épocas, estivesse a correr com o seu irmão. É algo que lhe dá algum prazer extra?

SP: Sim, já quando estava no estrangeiro treinávamos sempre juntos, claro que agora estando na mesma equipa é sempre diferente. Podemos treinar juntos, nas corridas estar juntos, claro que é sempre uma motivação extra.