«O foco é ajudar tanto o Joni Brandão como a Efapel a ganhar a Volta» – Entrevista BnR com Sérgio Paulinho

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BnR: Falando um pouco sobre uma ou outra questão de âmbito mais global. Quando em 2016 recebeu a distinção de Comendador da Ordem do Infante, o que sentiu ao ver o seu próprio país a reconhecê-lo?

SP: Foi bastante gratificante. Para nós, atletas de alta competição, quer seja no ciclismo ou em qualquer outra modalidade, em que tentamos sempre representar e dignificar ao máximo as cores e o nome de Portugal, depois disso ser condecorados pelo Sr. Presidente da Republica, que é o órgão máximo de Portugal, acho que para nós atletas é bastante gratificante.

Sérgio Paulinho foi condecorado pelo Presidente da República em 2016
Fonte: Federação Portuguesa de Ciclismo

BnR: O Sérgio há uns tempos numa entrevista, quando o questionavam sobre ser um dos melhores da história do ciclismo em Portugal, dizia que ainda estava muito longe dos melhores como Joaquim Agostinho. Mantém essa visão?

SP: Sim, o Agostinho irá ser, para mim, sempre o melhor ciclista português, por tudo aquilo que ele fez tanto na Volta a Espanha como nos Tours. O José Azevedo também foi um ciclista que dignificou bastante o nome de Portugal no estrangeiro, o Orlando Rodrigues, o Rui Costa, que também já ganhou bastantes corridas e o Campeonato do Mundo e está sempre na disputa, entre muitos outros… Por isso, acho que, apesar de ter feito o segundo nos Jogos Olímpicos que é um marco histórico no ciclismo português, na minha opinião acho que há outros que já dignificaram se calhar mais ou melhor que eu. Não me considero que tenha sido aquele que, vá, tenha dignificado mais. Acho que todos aqueles que eu já referi… Para mim, o Agostinho é aquele que irá ser o número um até aparecer alguém que faça melhor ou igual que ele.

BnR: Ainda assim, com uma medalha olímpica e sendo um de apenas três ciclistas portugueses a ter ganho etapas em duas grandes voltas diferentes, não tem como negar que, mesmo que tiremos o Agostinho, na conversação pelos melhores está lá.

SP: Sim, não nego, mas, na minha opinião, acho que também muitos outros fizeram… Podem não ter ganho medalhas olímpicas, mas ganharam outras corridas bastante importantes. Que tenham feito melhor que eu, como já referi o Azevedo, o Rui Coista, considero que estejam de igual modo como eu. Pronto, é a minha opinião.

BnR: Para acabar, falemos um pouco dos dias de hoje. Como tem sido esta espera pelo recomeço do ciclismo, com o anda para a frente, anda para trás, da Volta a Portugal?

SP: Numa primeira parte em que a Volta se manteria nas datas de sempre, todos nós estávamos bastante entusiasmados, porque depois do confinamento – nunca nós vivemos na nossa vida uma situação destas – poderíamos fazer a Volta a Portugal, que é o objetivo de qualquer corredor português e para qualquer equipa portuguesa é o principal objetivo do ano. Depois, a partir do momento em que a prova é adiada, ficamos um pouco decepcionados e desiludidos, mas agora é continuarmos o trabalho para as novas datas e esperemos que se realize para podermos salvar o que resta da época.

BnR: O Sérgio acredita que vai mesmo para a frente todo o calendário que está programado?

SP: Eu acredito que sim, vendo o que se está a passar nos outros países, em Espanha, em Itália,… assisti à Vuelta a Burgos e o que vi foi uma corrida exatamente igual à de outros anos, cheia de público. Claro que nas partidas e chegadas há restrições, vamos ter que viver com essas restrições este ano e provavelmente no próximo ano, mas acredito que, a partir de setembro, a época comece a reiniciar normalmente com todo aquele programa que está previsto.

BnR: Para terminar, uma carreira de luxo durante duas décadas. Mudava alguma coisa?

SP: Não. Fazia exatamente tudo igual.

 

José Baptista
José Baptista
O José tem um amor eclético pelo desporto, em que o Ciclismo e o Futebol Americano são os amores maiores. É licenciado em Direito (U. Minho) e em Psicologia (U. Porto).

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