André Cardoso é um nome desconhecido da grande maioria dos Portugueses, mas reconhecido por todos aqueles que acompanham Ciclismo. Para quem não o conhece, André Cardoso é um ciclista português que durante vários anos foi figura de proa no ciclismo nacional e levou a nossa bandeira pelo mundo fora. Representou a Seleção Portuguesa de Ciclismo em diversas competições, como Campeonatos do Mundo, Campeonatos Europeus e Jogos Olímpicos.

A carreira de André Cardoso começou a subir de patamar em 2011, ano em que terminou a Volta a Portugal na segunda posição, pela equipa do Tavira Prio (atual Sporting-Tavira) do escalão Continental (terceiro escalão do Ciclismo Mundial), o que lhe valeu o salto para o estrangeiro. Passou seis épocas fora de portas, duas na equipa espanhola Caja Rural do escalão Profissional Continental (segundo escalão do Ciclismo Mundial) e mais quatro no World Tour (principal escalão do Ciclismo Mundial), ao serviço de equipas como Garmin Sharp, Cannondale e Trek-Segafredo. Ao serviço da última, André Cardoso preparava-se para disputar pela primeira vez na carreira a Volta a França, contudo, em vésperas da prova, foi submetido a um controlo antidoping que se revelou positivo. O ciclista natural do Porto mantém-se desde essa altura suspenso preventivamente pela UCI (União Ciclista Internacional), aguardando por uma decisão que tarda em chegar, encontrando-se impedido de competir em qualquer prova. 

O ciclista português foi submetido a um controlo antidoping cujo resultado da Amostra A (inicial) foi positiva, tendo o mesmo reiterado inocência e solicitado análise à Amostra B, que prevalece em relação à inicial, tendo o resultado desta sido inconclusivo. De acordo com as regras da Agência Mundial de Antidopagem, quando o resultado da Amostra B não se revela positivo, o ciclista é ilibado, uma espécie de “in dúbio pro reo”. Contudo, foi algo que não aconteceu com André Cardoso, pois o resultado da Amostra B foi classificado como “resultado atípico”, o que permite à UCI ainda que de forma pouco comum, mantê-lo suspenso.

Mais recentemente, houve um caso semelhante ao de André Cardoso mas com maior protagonismo, ou não se tratasse do vencedor por quatro vezes da Volta a França, vencedor de uma Volta a Espanha e de uma Volta a Itália, Christopher Froome que acusou positivo num controlo antidoping realizado durante a Volta a Espanha do ano transato. O ciclista britânico acusou positivo tanto na amostra A como na B cerca de dois meses depois de André Cardoso mas viu o seu caso ser resolvido com grande celeridade, tendo culminado na sua ilibação, ao contrário do português que desespera por uma decisão. É caso para dizer que a UCI teve dois pesos e duas medidas, André Cardoso pelo seu historial e pelo que já deu pela modalidade, merecia que o seu caso já estivesse resolvido há bastante tempo.

Em ação na Liége-Bastogne-Liége de 2017
Fonte: Trek-Segafredo

Uma coisa é certa, aos 33 anos (completa 34 em setembro), André Cardoso faz falta ao pelotão internacional e sobretudo, faz falta ao ciclismo português, ou não estaríamos a falar de um ciclista que nas sete Grandes Voltas (quatro Voltas a Espanha e três Voltas a Itália) em que participou, terminou todas elas no top 25 da geral individual, revelando-se um ciclista completo e sobretudo um trepador de elite mundial.

Foto de Capa: Slipstream Sports

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