Recordar é viver: A luta no Col de Tourmalet entre Contador e Schleck

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No Recordar é Viver de hoje, viajamos no tempo até ao dia 22 de julho de 2010. A 17.ª etapa do Tour de France prometia uma chegada ao alto dos Pirinéus, mas todo o percurso estava traçado para os verdadeiros trepadores. Desde a partida na cidade de Pau, os ciclistas tinham de passar por duas subidas de primeira categoria e ter fôlego para enfrentar a subida ao Col du Tourmalet, a 2116 metros de altitude, para completar os desgastantes 174 quilometros.

A chuva foi desde cedo a convidada de serviço para tornar esta tirada ainda mais épica. Para não variar, os ataques começaram cedo, com sete ciclistas a tentar a sorte numa boa estratégia, mas aos poucos todos foram apanhados pelo pelotão cheio de estrelas prontas a vencer, incluindo Alberto Contador, o camisola amarela (líder da geral) e Andy Schleck, o camisola branca (líder da juventude).

Os últimos dez quilometros são, até hoje, muito recordados. Entre o nevoeiro, a tentar não dar muito nas vistas, o luxemburguês da Saxo Bank foi o primeiro a atacar. No entanto, o espanhol da Astana não saiu da roda traseira da jovem promessa até ao final da etapa, protagonizando um duelo inesquecível.

Além da luta pela vitória nas montanhas dos Pirinéus, ambos os ciclistas estavam separados por apenas oito segundos na geral individual, que Contador liderava. O risco estava todo do lado de Schleck, que tinha de tentar, pelo menos, distanciar-se um pouco para sonhar com o primeiro lugar nos Campos Elísios, na última etapa.

Os dois estavam um degrau acima dos restantes rivais. Até ao final, entre muitos jogos mentais, continuavam um atrás do outro ou lado a lado, até aos momentos finais. O luxemburguês Andy Schleck acabou por levar a melhor no sprint e foi coroado o Rei do Col du Tourmalet.

Na edição de 2020 do Tour de France temos um duelo que é muito semelhante a este. Os eslovenos Primoz Roglic (camisola amarela) e Tadej Pogacar (camisola branca) já protagonizaram um duelo roda a roda na etapa 15, que terminou com a vitória do jovem num sprint na subida ao Grand Colombier.

Passados dez anos, muito mudou. Andy Schleck terminou a carreira com apenas 29 anos, depois de diversas lesões nos joelhos, mas acabou por receber o troféu de vencedor do Tour de 2010 devido ao uso de doping por parte do vencedor, Alberto Contador. O espanhol, apesar de alguns problemas, acabou como um dos maiores atletas de sempre.

Este é um dos muitos duelos para eternidade, com momentos difíceis de esquecer para os aficionados do ciclismo.

Foto de capa: Le Tour de France

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão 

Clara Maria Oliveira
Clara Maria Oliveirahttp://www.bolanarede.pt
A Clara percebeu que gostava muito de Desporto quando a família lhe dizia que estava há muito tempo no sofá a ver Curling. Para isso não se tornar uma prática sedentária, pegava na caneta e escrevia sobre o que via e agora continua a fazê-lo.                              A Clara escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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