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Richie Porte: Memórias do rei de Willunga Hill

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Richard Julian Porte nasceu a 30 de janeiro de 1985 em Launceston, na ilha da Tasmânia (pertencente à Austrália) e foi através do ciclismo que se tornou célebre para amantes de desporto a nível global. Richie, também conhecido como “Tasmanian Devil”, obteve a sua primeira vitória como profissional em 2010, no seu primeiro ano na primeira divisão do ciclismo (o World Tour), num contrarrelógio do Tour de Romandie e, desde esse triunfo, mais 32 foram contabilizados. Com exibições impressionantes e ataques extenuantes (que o digam os adversários), assumiu-se como um dos ciclistas mais admirados da última década e sucedeu com sucesso ao seu compatriota, ex-vencedor da Volta a França e dos Campeonatos do Mundo, Cadel Evans.

MAIORES FEITOS PESSOAIS

SEIS VEZES VENCEDOR DA ETAPA DE WILLUNGA HILL, NO SANTOS TOUR DOWN UNDER

Na subida mais célebre da prova por etapas de categoria mais elevada do seu país de origem, a Austrália (Santos Tour Down Under), Richie Porte foi, é e continuará a ser, por um extenso período, dono e senhor. De 2014 a 2019, a tradição repetia-se todos os anos: já se sabia que, em janeiro, o australiano de pouco mais de 1,70 metros (independentemente da equipa em que competia) levantava-se do selim e, sem dó nem piedade, decidia arredar toda a concorrência da disputa pela vitória de etapa. Este tornou-se o seu terreno de “caça” predileto, o que acabou por lhe valer também a alcunha de “o rei de Willunga Hill”.

O INDOMÁVEL AUSTRALIANO NAS PROVAS DE UMA SEMANA

Duas vezes vencedor do Paris-Nice e do Santos Tour Down Under e uma vez campeão do Tour de Suisse, do Tour de Romandie, do Critérium du Dauphiné, da Volta Ciclista a Catalunya, do Giro del Trentino e da Volta ao Algarve, Richie é, indubitavelmente, um dos melhores ciclistas de provas de uma semana do ciclismo moderno.

O seu currículo em competições de cinco a dez dias é invejável e é apenas igualado por alguns dos grandes nomes da modalidade. Só para se ter a perfeita noção da dimensão do seu palmarés, das corridas enunciadas acima, todas, à exceção de duas, são do escalão mais alto do calendário velocipédico internacional e as duas que não pertencem a este patamar (Volta ao Algarve e Giro del Trentino), encontram-se no nível imediatamente inferior.

PÓDIO NO TOUR DE FRANCE DE 2020

Durante muitas épocas, a carreira de Richie Porte ficou marcada por uma discrepância extrema entre a exibição dos seus melhores dotes nas provas de uma semana e os infortúnios que o atormentavam nas grandes voltas, em específico na prova mais aguardada todos os anos, o Tour de France. Regularmente, o talentoso trepador australiano chegava ao Tour num estado ótimo de forma, mas havia sempre algo que o acabava por excluir da luta pelo pódio final. Este desassossego constante nas grandes voltas assombrou Richie durante anos até que, já quando ninguém previa, aos 35 anos de idade, o australiano serviu-se da sua regularidade, experiência e consistência para alcançar, subtilmente, o tão sonhado pódio final na Volta à França (terceiro lugar).

O SUPER DOMESTIQUE

Porte não foi só um dos mais bem-sucedidos líderes de provas de uma semana, mas também um dos mais notáveis super domestiques (gregários de luxo) no século XXI. Quando a estrada inclinava, na média e alta montanha, lá estava ele, pronto para dinamitar a corrida e dizimar as aspirações dos adversários, tentando deixar o seu líder na melhor posição possível, para que este pudesse pelejar pela vitória na corrida.

O australiano foi, sem sombra de dúvidas, um dos mais reconhecidos gregários do tetracampeão do Tour Chris Froome e de outros ciclistas de grande categoria, como Bradley Wiggins. Foi crucial na vitória final na Volta a França de Wiggins, em 2012, e contribuiu decisivamente para muitos dos sucessos de Froome. Quem não se recorda dos ritmos diabólicos que impôs nas montanhas tenebrosas do Tour de 2013 e do auxílio indispensável que prestou a Froome no Alpe d’Huez, para a manutenção da maillot jaune, quando este exibia grandes dificuldades após inúmeros ataques do colombiano Nairo Quintana, seu principal rival?

A DESPEDIDA

Ao fim de 15 temporadas como ciclista profissional e de 33 vitórias, com passagens por uma dúzia de equipas (Praties, Saxo Bank, Sky, BMC, Trek-Segafredo e INEOS), Richard Julian Porte tomou a decisão de pôr termo à sua brilhante carreira em terras de Sua Majestade, no Tour of Britain.

Com 37 anos, Richie Porte despediu-se de um desporto que tantas alegrias lhe proporcionou e que o estabeleceu como um dos líderes mais regulares do século XXI  e um dos mais aclamados gregários de luxo do pelotão internacional.

Obrigado, Richie!

Foto de Capa: INEOS Grenadiers

O Miguel é um estudante universitário natural do Porto, cuja paixão pelo desporto, fomentada na infância pelos cromos de Futebol que recebia e colava nas cadernetas, considera ser algo indescritível. Espetador assíduo de uma multiplicidade de desportos, tentou também a sua sorte em algumas modalidades, sem grande sucesso, tendo encontrado agora na análise desportiva uma oportunidade para cultivar o seu amor pelo desporto e para partilhar com os demais as suas opiniões, nomeadamente de Ciclismo, modalidade pela qual nutre um carinho especial.

O Miguel é um estudante universitário natural do Porto, cuja paixão pelo desporto, fomentada na infância pelos cromos de Futebol que recebia e colava nas cadernetas, considera ser algo indescritível. Espetador assíduo de uma multiplicidade de desportos, tentou também a sua sorte em algumas modalidades, sem grande sucesso, tendo encontrado agora na análise desportiva uma oportunidade para cultivar o seu amor pelo desporto e para partilhar com os demais as suas opiniões, nomeadamente de Ciclismo, modalidade pela qual nutre um carinho especial.

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