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Tao Hart vence o Giro de Itália 2020

André Filipe Antunes · 7 min

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Tao Geoghegan Hart (Ineos Grenadiers) venceu a 103.ª edição da Volta a Itália. Uma prova especial, com João Almeida (Deceuninck-Quick Step) a fazer a melhor classificação de sempre de um português no Giro, enquanto Ruben Guerreiro (EF Pro Cycling) garantiu a primeira camisola de sempre (camisola da montanha) de um português.

A terceira semana de Giro estava com muitas decisões pendentes, e a emoção da corrida foi até ao último dia. A abrir, na etapa 16, a fuga teve mais uma vez sucesso, com a vitória a cair para Jan Tratnik. Foi a única vitória da Bahrain-Mclaren nesta edição. O esloveno foi o mais forte, batendo Bem O´Connor da NTT Pro Cycling, já dentro do último quilómetro. Enrico Battaglin ficou com o terceiro lugar. Os favoritos chegaram a mais de 12 minutos, com João Almeida a ganhar dois segundos a Wilco Kelderman, e a manter a camisola rosa. A camisola da montanha foi muito disputada entre o português Ruben Guerreiro e Giovanni Visconti, com o italiano a acabar o dia com uma vantagem de 30 pontos.

A etapa 17 foi novamente marcada por uma fuga numerosa, incluindo Ruben Guerreiro. Giovanni Visconti, o líder da montanha, não conseguiu integrar a fuga do dia. Ruben somou 80 pontos em toda a etapa e recuperou a maglia azurra. Nos escapados, Ben O´Connor foi quem atacou a solo em Madonna de Campiglio, sem resposta à altura. O australiano foi claramente um dos homens mais agitados na última semana, e acabou por alcançar a desejada vitória, que tanto procurava. Nos favoritos não houve diferenças significativas. João Almeida somava mais um dia de rosa.

Chegava a etapa rainha, com passagem pelo imponente Passo dello Stelvio. Ruben Guerreiro foi em busca dos pontos da montanha e de salvaguardar a sua camisola azul, ainda por cima Visconti tinha desistido. No final do dia, o português era mesmo o vencedor virtual da camisola azul. A Sunweb trabalhou em quase toda a etapa, com Nico Denz a fazer um grande trabalho.

Com as a pendentes do Stelvio a fazerem-se sentir nas pernas, e com pouco menos de 50 quilómetros, João Almeida cedia no grupo dos favoritos. Rohan Dennis liderava o grupo e deixava para trás nomes importantes, como Nibali, Fuglsang, Majka e até mesmo líder virtual do Giro, Wilco Kelderman. Os poucos metros de diferença transformaram-se em minutos, e Dennis seguia na frente a um ritmo forte até à última subida do dia. No caudal da subida final, Dennis abriu para o lado, e Tao Hart e Jai Hindley ficaram isolados na frente. Hart fez quase toda a subida na frente, e pagou por isso, com Hindley a derrotá-lo ao sprint. Pello Bilbao fez uma subida final muito boa, recuperando tempo, e acabou na terceira posição.

Kelderman chegou em quinto lugar, a 2m18s do vencedor, e João Almeida chegava a 4m51s, juntamente com Nibali. O holandês Wilco Kelderman era o novo líder, com vantagem de 12 segundos de vantagem para o seu colega de equipa Hindley, e com 15 segundos para Hart. João Almeida caía para a quinta posição, a 2m16s do líder.

Foto de capa: Giro d’Italia

A etapa seguinte, uma suposta etapa plana, gerou muita controvérsia, visto que uma série de ciclistas apelou para o encurtamento da tirada. Muitos alegaram cansaço, devido à muita montanha dos dias anteriores, pelas condições temporais e pela sua enorme extensão. A etapa foi reduzida para 124 quilómetros. A parte inicial da etapa foi feita dentro dos autocarros das equipas. A fuga partiu com vários elementos, sendo a Bora-Hansgrohe a única equipa a controlar os ciclistas da frente.

A Bora acabou por deixar a fuga ganhar vantagem, e abandonar a perseguição. Josef Cerny da CCC Team foi o homem que mais se destacou, e deu uma vitória importante para a sua equipa. O seu poder de bom rolador, foi suficiente para ganhar uma vantagem para os seus companheiros de fuga, com Campenaerts a chegar em segundo lugar, a 18 segundos, e Jacopo Mosca em terceiro lugar. Os favoritos chegaram sem percalços, e Kelderman manteve a rosa.

A etapa 20 era a última etapa em linha. A altura das decisões para os homens que não andavam tão bem no contrarrelógio. A fuga teve cerca de 20 ciclistas mas depressa se percebeu que a etapa ia ser para os favoritos à geral. Rohan Dennis impôs um ritmo duríssimo na subida final a Sestriere, como já tinha feito na etapa de montanha anterior, levando consigo Tao Hart e Hindley. Kelderman, João Almeida, Nibali e Pello Bilbao descolavam.

James Knox ajudou o português, e Pieter Serry que tinha descaído da fuga, também liderou Almeida durante algum tempo. Foi a vez do jovem da Quick-Step saltar em busca do quarto lugar, enquanto Hindley tentava sair na frente, mas sempre com resposta de Dennis, em prol do seu líder. No final, quando já só restavam Hindley e Hart, foi o britânico a levar a melhor, vingando-se do dia anterior. Segunda vitória de Hart no Giro, somando a sexta para a Ineos Grenadiers. Dennis acabou em terceiro, a 25 segundos.

João Almeida acabou por ganhar vantagem aos restantes favoritos, chegando em quarto lugar, a 1m01s, Bilbao e Kelderman a 1m35s, Nibali a 2m02s, e Fuglsang a 2m36s. Hindley era o novo camisola rosa, sucedendo ao seu colega Kelderman, mas com o mesmo tempo de Tao Hart! João encurtava a diferença para o quarto lugar de Bilbao.

Chegava o dia do tudo ou nada, com um contrarrelógio de 15,7 quilómetros em Milão. Filippo Ganna voltou a vencer o esforço individual, com o tempo de 17m16s. O campeão do mundo não deu hipóteses nos contrarrelógios deste Giro, somando a terceira vitória em três possíveis. O italiano foi claramente uma das figuras desta edição, somando ainda uma vitória numa etapa de montanha.

Este foi o sétimo triunfo para a Ineos no Giro, notável! Victor Campenaerts acabou em segundo, a 32 segundos, enquanto que Dennis terminou em terceiro. João Almeida terminou em quarto, a 41 segundos de Ganna. Pello Bilbao foi apenas 24.º classificado, a 1m16s, perdendo muito tempo para Almeida, garantindo o quarto lugar para o caldense.

Na luta pelo primeiro lugar, Tao Hart foi 13.º classificado, a 58 segundos do primeiro, com Hindley a ser apenas o 38.º do dia, retirando-o do primeiro posto. Estava encontrado o vencedor da Volta a Itália, o britânico da Ineos Grenadiers, Tao Hart!

Um Giro espetacular, a todos os níveis! Pena os casos de covid-19 no pelotão, que retiraram logo duas equipas, a Mitchelton-Scott de Simon Yates, e a poderosa Jumbo-Visma de Kruijswijk. A prestação dos portugueses foi notável, com João Almeida a andar 15 dias de cor de rosa e a somar uma série de top dez, colocando o país a sonhar.

Foi alcançada a melhor classificação de sempre de um português no Giro, com o quarto lugar final. Ruben Guerreiro venceu uma etapa dura e ainda conquistou a primeira camisola de sempre de um português numa Grande Volta, a camisola da montanha. Foi claramente um ciclista em destaque, colocando-se várias vezes em fuga, e somando os pontos que precisava para fazer história.

Ambos os ciclistas estão de parabéns, e o ciclismo nacional está a atravessar um momento histórico. De salientar ainda a boa prestação de Rui Costa na etapa de ontem na Vuelta, onde terminou em terceiro lugar. No BTT, Tiago Ferreira sagrou-se vice-campeão mundial de XCM, com o ciclismo português a estar bem representado em várias vertentes.

A Ineos Grenadiers somou sete vitórias em etapas, a classificação geral, a camisola da juventude e a classificação por equipas! Uma equipa que perdeu o seu líder à terceira etapa, Geraint Thomas, e mesmo assim deu uma grande resposta na estrada! Uma vitória saborosa, depois de um Tour fracassado. A equipa tinha vários corredores com qualidade para discutir as Grandes Voltas, soma agora mais um. Tao Hart deu a 11.ª vitória em Grandes Voltas à Ineos, sendo o quarto britânico a vencer, depois de Wiggins, Froome e Thomas.

Top 10 final:

1.º lugar- Tao Hart (Ineos Grenadiers) 85h40m21s

2.º lugar- Jai Hindley (Team Sunweb) +39s

3.º lugar- Wilco Kelderman (Team Sunweb) +1m29s

4.º lugar- João Almeida (Deceuninck- Quick Step) +2m57s

5º lugar- Pello Bilbao (Bahrain-Mclaren) +3m09s

6.º lugar- Jakob Fuglsang (Astana) +7m02s

7.º lugar- Vincenzo Nibali (Trek-Segafredo) +8m15s

8.º lugar- Patrick Konrad (Bora-Hansgrohe) +8m42s

9.º lugar- Fausto Masnada (Deceuninck-Quick Step) +9m57s

10.º lugar- Hermann Pernsteiner (Bahrain-Mclaren) +11m05s

Camisola dos pontos– Arnaud Démare (Groupama-FDJ) 233 pontos

Camisola da Montanha – Ruben Guerreiro (EF Pro Cycling) 234 pontos

Juventude- Tao Hart (Ineos Grenadiers) 85h40m21s

Classificação por equipas– Ineos Grenadiers 257h15m58s

André Filipe Antunes

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