Publicidade

Tour de França | Análise no primeiro dia de descanso

André Filipe Antunes · 8 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Os ciclistas já suplicavam por um dia de descanso. Após dez dias consecutivos em cima da bicicleta, a dar o máximo, chegou finalmente o merecido dia de pausa. Foram dez vencedores diferentes em dez dias de prova. Isto só demonstra o equilíbrio existente na prova francesa.

A edição deste ano da Volta à França começou em Bruxelas. Uma etapa que terminou ao sprint, com um vencedor improvável para muita gente. Mike Teunissen teve que assumir o papel de sprinter da Jumbo-Visma, isto porque Groenewegen tinha caído, já nos últimos metros, sendo que Teunissen assumiu o sprint e acabou por não desiludir.  Venceu a etapa e vestiu a amarela pela primeira vez na sua carreira.

Nos 4 Jours de Dunkerque, a equipa usou várias vezes a tática do: “ora sprintas tu, ora sprinto eu”, com Groenewegen e Teunissen. Resultou. Ambos ganharam etapas e a geral individual ficou para Teunissen.

Neste primeiro dia, Fuglsang, um dos candidatos à vitória final, chegou a ir ao asfalto, ficando com alguns arranhões no corpo.

No segundo dia, mais boas notícias para a Jumbo-Visma. Desta feita, a equipa holandesa acabou por ganhar no contrarrelógio coletivo mantendo a liderança de Teunissen. A Team Ineos manteve-se em primeiro lugar durante quase todo o contrarrelógio e acabou por sair da liderança, apenas com a chegada da última equipa, a Jumbo-Visma, que retirou 20 segundos ao tempo da equipa britânica.

Neste dia, Romain Bardet, Porte e a dupla Quintana/Landa, perderam mais de um minuto para os primeiros do contrarrelógio.

A terceira etapa acabou por mudar o dono da camisola amarela. Julian Alaphilippe decidiu atacar nas últimas dificuldades do dia, onde apanhou Tim Wellens que andava escapado. O belga Wellens teve problemas com a bicicleta e deixou isolado na frente o francês da Quick-Step. Desde esse momento até à meta foi um contrarrelógio individual.

Foi a décima primeira vitória do ano para Alaphilippe, somando ainda a camisola amarela. Já não havia um francês a envergar a camisola amarela no Tour há cinco anos. Na altura foi Tony Gallopin quem vestiu a amarela.

Na chegada do pelotão, Matthews (2º) bateu Stuyven (3º), Avermaet (4º) e Sagan (5º), mostrando-se apto para levar a camisola verde que já tinha conquistado em 2017. Na geral individual Alaphilippe tinha 20 segundos de vantagem para o segundo lugar de Wout Van Aert.

No quarto dia chegou o pelotão com mais um final de etapa ao sprint, já em solo francês. Desta vez foi uma estreia a ganhar no Tour. Após um grande trabalho de Morkov e de Richeze, o sprinter da Deceuninck-Quick-Step, Elia Viviani, acabou por concluir o dia em grande. Sim, Viviani já ganhou muitas etapas e tem inúmeras conquistas, mas nunca tinha ganho no Tour!

Superou-se no final a Kristoff (2º), Ewan (3º), Sagan (4º) e Groenewegen (5º). Conquistando uma vitória que certamente irá recordar, sendo a sua primeira nesta prova tão importante.

Na geral individual não houve mudanças significativas, com Alaphilippe a manter facilmente a sua amarela.

Na etapa seguinte, a chegada a Colmar trazia a dúvida se os sprinters conseguiam discutir a vitória ou se a etapa seria indicada para os puncheurs. Com a subida final a ter o seu topo já dentro dos 20 quilómetros finais, iria depender do ritmo a que fosse feita a escalada.

A Bora-Hansgrohe trabalhou e levou Peter Sagan à vitória. O eslovaco, desde a primeira etapa que vestiu de verde, beneficiou do facto de Teunissen ter de vestir a amarela até à terceira etapa.

Sagan foi claramente o mais forte contra a concorrência de Wout Van Aert (2º), Trentin (3º), Colbrelli (4º) e Van Avermaet (5º).

Alaphilippe manteve o seu primeiro lugar na geral individual, agora com 14 segundos de vantagem sobre Van Aert.

Ao sexto dia de prova chegou a primeira meta em alto. Com a chegada à La Planche des Belles Filles houve a intenção por parte das equipas de terem um homem na frente. A fuga foi numerosa com nomes como: De Gendt, Wellens, Ciccone, Pauwels, Meurisse e Teuns na frente da corrida.

O grupo da fuga ganhou tempo precioso quando ninguém parecia querer trabalhar mais atrás no pelotão. A Movistar acabou por reduzir o tempo, mas não foi suficiente para evitar o sucesso da fuga. Dylan Teuns conseguiu deixar para trás no final o seu colega Ciccone e levantou os braços para a vitória. Ciccone ficou em segundo lugar, a onze segundos do primeiro e Xandro Meurisse fez terceiro, a 1m:05s. Barguil e Landa ainda mexeram no grupo dos favoritos, mas sem grande sucesso.

Thomas foi o primeiro a chegar no grupo dos favoritos, acabando a 1m:44s. Pinot e Alaphilippe ficaram a dois segundos de Thomas. Nesta etapa, Enric Mas perdeu 2m:17s, Mollema e Kruijswijk perderam 2m:19s, Nibali perdeu 2m:35s e Bardet a perder 2m:53s! Mais de um minuto para Thomas.

Na geral individual, Ciccone estava a 1m:43s de Alaphillipe, e com o sexto lugar do francês, mais as diferenças de tempo, o italiano acabou por ganhar a amarela. Pela primeira vez víamos Ciccone a liderar uma Grande Volta.

Teuns a ganhar pela primeira vez numa Grande Volta
Fonte: Bahrain-Merida

Ao sétimo dia, com uma etapa essencialmente plana, tivemos novo conquistador no final. Após seis horas de corrida, o holandês Groenewegen bateu ao sprint Caleb Ewan e Sagan, mostrando-se recuperado da queda no primeiro dia do Tour. Alcançando a sua quarta vitória em Voltas à França. Na geral individual, Ciccone manteve a liderança no seio da Trek-Segafredo com seis segundos de vantagem para o francês Alaphilippe e com 32 segundos para Dylan Teuns.

Ao oitavo dia de competição tivemos novamente o sucesso da fuga. O vencedor já tinha tentado antes, mas sem sucesso. Mas, como um dos ciclistas mais combativos do pelotão internacional, Thomas De Gendt a fazer jus à qualificação que lhe é atribuída. Foi sublime ao aguentar-se sozinho na frente da corrida sendo o único resistente da fuga. Acabou com uma vantagem magra para os favoritos porque Pinot e Alaphilippe atacaram atrás na última contagem de montanha do dia, ficando apenas a seis segundos de De Gendt. Depois chegaram os sprinters, Matthews (4º) e Sagan (5º).

Com as diferenças de tempo e com Ciccone a chegar no grupo principal com 20 segundos a mais em relação ao tempo de Alaphilippe, o francês passou a envergar novamente a camisola amarela. Agora, com 23 segundos de vantagem para Ciccone e 53 segundos para o terceiro lugar, de Pinot.

No dia da Bastilha/ dia da Festa Nacional Francesa (14 de Julho), seria um francês a vestir de amarelo.

Nesta etapa, Laporte disse adeus ao Tour, tal como, Tejay Van Garderen.

Na nona etapa, a fuga ganhou tempo muito rapidamente, sendo o seu sucesso iminente. Depois de Thomas De Gendt, foi a vez do sul africano Daryl Impey conseguir a vitória. Numa fuga de 15 ciclistas, o homem da Mitchelton-Scott conseguiu acompanhar os ataques de todos os fugitivos, incluindo as mexidas finais de Nicholas Roche e de Benoot.

No final restaram apenas Benoot e Impey, sendo que o ciclista africano acabou por bater com relativa facilidade o homem da Lotto Soudal no sprint. De salientar, os constantes ataques da fuga, na última subida do dia, que animaram e muito a etapa.

O pelotão chegou com mais de 16 minutos de atraso! Os primeiros quinze lugares ficaram distribuídos pela fuga, tal como as bonificações.

Rui Costa ainda tentou integrar a fuga, mas não acabou por conseguir alcançar os da frente, sendo absorvido pelo pelotão. Alaphilippe manteve a liderança, com 23 segundos de vantagem para Ciccone e 53 segundos para o francês Pinot.

Alessandro De Marchi (CCC) teve uma queda aparatosa nesta etapa, acabando por ser levado para o hospital e naturalmente por abandonar a prova.

Wout Van Aert a dar mais uma vitória à Jumbo-Visma
Fonte: Team Bahrain-Merida

O dia antes do descanso tinha tudo para ser uma etapa calma e sem percalços.  Mas não foi o que acabou por acontecer. A etapa teve duas partes distintas, a primeira sem grande emoção, com os movimentos e a atenção a prenderem-se na constituição da fuga. Na segunda parte o vento foi o protagonista principal. A Deceuninck-Quick-Step e a Team Ineos estiveram a trabalhar e muito na frente do pelotão acabando por partir o grupo em vários blocos.

Com o grupo reduzido a 28 homens a vitória a cair para a Jumbo-Visma, novamente. Mas com outro ciclista diferente, pois, Wout Van Aert foi quem superou os homens mais rápidos do pelotão. Foi mesmo até ao último metro, a disputa entre o belga e Viviani. Caleb Ewan fez terceiro, seguido de Matthews e de Sagan, na luta pela camisola dos pontos.

No grupo da frente chegaram: Bernal, Thomas, Buchmann, Kruijswijk, Quintana, Dan Martin, Enric Mas, Bardet, Adam Yates, Barguil e o líder Alaphilippe, isto no que toca à geral individual.

Perdas de tempo para Pinot, Urán, Porte e Fuglsang ( 1m:40s), Mikel Landa e Aru (2m:09s), Nibali (5m:04s) e o grande arrombo do dia foi o de George Bennett (9m:41s), ele que tinha ido ao carro buscar bidons para a equipa, quando as bordures se estavam a formar, acabando por ser surpreendido e consequentemente, não conseguiu reagir a tempo. Bennett estava no quarto lugar da geral individual, acabou por sair de forma drástica dos primeiros postos. Contudo a Jumbo-Visma acabou por ganhar a etapa, atenuando um pouco a prestação infeliz de Bennett.

Na geral individual Alaphilippe aumentou a vantagem para 1m:12s em relação ao segundo lugar de Geraint Thomas. Em terceiro lugar aparece Bernal, com mais quatro segundos do que o seu companheiro de equipa.

Os primeiros dez dias estão corridos e ficam a faltar onze etapas. Os ciclistas têm as maiores dificuldades pela frente, visto que ainda faltam os Pirenéus e os Alpes. Os maiores destaques até agora, são claramente as vitórias da Jumbo-Visma, que venceu o contrarrelógio coletivo e três etapas ao sprint, com três homens diferentes! Não é qualquer equipa que se pode dar ao luxo de fazer isso.

Outro dos destaques, chama-se Alaphilippe, que vestiu a amarela pela primeira vez na Volta a França, perdeu-a e voltou a recuperá-la. Tem corrido sempre ao ataque e já conquistou uma etapa.

Desistências do Tour (até ao momento): Nicholas Edet (Cofidis), Patrick Bevin (CCC), Christophe Laporte (Cofidis), Tejay Van Garderen (EF Education First) e Alessandro De Marchi (CCC).

Top dez do Tour (após 10 etapas):

1º lugar- Julian Alaphilippe (Deceuninck-Quick-Step) 43h:27m:15s

2º lugar- Geraint Thomas (Team INEOS) +1m:12s

3º lugar- Egan Bernal (Team INEOS) +1m:16s

4º lugar- Steven Kruijswijk (Jumbo-Visma) + 1m:27s

5º lugar- Emanuel Buchmann (Bora-Hansgrohe) + 1m:45s

6º lugar- Enric Mas (Deceuninck-Quick-Step) +1m:46s

7º lugar- Adam Yates (Mitchelton-Scott) +1m:47s

8º lugar- Nairo Quintana (Movistar) + 2m:04s

9º lugar- Dan Martin (UAE-Emirates) +2m:09s

10º lugar- Giulio Ciccone (Trek-Segafredo) +2m:32s

Camisola dos Pontos: Peter Sagan (Bora-Hansgrohe) 229 pontos

Camisola da Juventude: Egan Bernal (Team INEOS) 43h:28m:31s

Camisola da Montanha: Tim Wellens (Lotto Soudal) 43 pontos

Classificação por equipas: Movistar Team 130h:45m:20s

 

Foto De Capa: Deceuninck-Quick-Step

 

 

André Filipe Antunes

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Quatro pontos de distância, muito mais em jogo | Braga x Sporting

O Estádio Municipal de Braga recebe, esta sexta-feira, 9 de outubro, às 20h15, um dos encontros mais aguardados da oitava jornada da Primeira Liga portuguesa 26/27. Braga e Sporting estão separados por quatro pontos, num duelo que pode ter consequências importantes nas ambições das duas equipas. Os leões ocupam o terceiro lugar, com 15 pontos, ainda sem derrotas, mas já a seis do líder FC Porto. Os arsenalistas seguem na sexta posição, com 11 pontos e um jogo em atraso, procurando aproveitar o fator casa para se aproximar dos lugares cimeiros. A equipa de Carlos Vicens chega ao encontro depois de um empate sem golos diante do Santa Clara, numa temporada em que tem revelado consistência defensiva, mas também algumas dificuldades na concretização. Com apenas sete golos marcados em seis jornadas, o Braga apresenta números ofensivos modestos para as suas ambições. Do outro lado, o Sporting de Rui Borges continua invicto, mas os empates consecutivos frente a Famalicão e Arouca impediram os leões de acompanhar o ritmo do FC Porto. A formação leonina soma 17 golos em sete partidas, mas já consentiu oito, um indicador das dificuldades que tem sentido para controlar determinados momentos dos encontros.

Tiago Campos · 4 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.