Cabec¦ºalho ciclismoTodos os amantes do ciclismo – e não só – já têm os olhos postos no dia 4 de julho, sábado, para a maior prova de ciclismo e para uma das maiores provas desportivas do mundo: a Volta à França!

Esta edição promete ser a melhor dos últimos anos e uma das melhores das últimas décadas. Tudo devido a um grande elenco de ciclistas, dos melhores desta modalidade, a um muito bom percurso, que favorecerá os trepadores, e, igualmente, por todas as condições a que se chega a esta prova. Por felicidade, poderemos finalmente contar neste Tour com os “Fantastic Four” do Ciclismo (os quatro melhores corredores de Grandes Voltas, atualmente): Chris Froome, Nairo Quintana, Vincenzo Nibali e Alberto Contador. Qualquer um deles tem todas as condições possíveis para sair com a camisola amarela de Paris, e nenhum, à partida, ficará contente com “apenas” o 2.º lugar. Juntos são, respetivamente, o campeão de 2013 do Tour, o 2.º classificado do Tour de 2013 e vencedor da classificação da juventude, o campeão em título e, por fim, o vencedor das edições de 2007 e 2009 do Tour e vencedor do Giro deste ano. Juntos, apresentam sete vitórias nas últimas oito Grandes Voltas. Para além disso, é possível constatar que iremos ter uma primeira parte de prova onde o nervosismo poderá tomar conta de certos ciclistas (a etapa de pavé – piso empedrado – voltará a ser decisiva?) e uma segunda parte que contará com muita montanha e muitas oportunidades para incríveis embates entre os melhores. Tudo isto cria uma expetativa enorme para esta 102.ª edição da Volta à França, que irá decorrer entre 4 e 26 de julho, sendo que poderão ver todas as etapas na Eurosport ou na RTP2.

As 4 maiores “estrelas” desta Volta à França 2015 FONTE: Carro Vassoura
As quatro maiores “estrelas” desta Volta à França 2015
FONTE: Carro Vassoura

Em relação ao percurso delineado para este ano, existem alguns destaques. Tal como já foi referido, voltaremos a ter uma etapa de pavé, na 4.ª etapa, com sete setores num total de 13,3 km’s. Antes disso, na 3.ª etapa, iremos ter o “temível” Mur de Huy (pela primeira vez, a etapa irá finalizar nessa zona) – habitual numa das maiores clássicas do ciclismo, a Flèche Wallone. E logo no primeiro dia de prova um contrarrelógio individual que irá criar as primeiras diferenças entre os principais favoritos e onde os especialistas neste tipo de etapa estarão totalmente focados em vencer a etapa para poderem andar alguns dias de amarelo – Tony Martin, Tom Dumoulin, Fabian Cancellara, Adriano Malori e Rohan Dennis serão, em princípio, os protagonistas desse dia. Na 9.ª etapa, logo anterior ao primeiro dia de descanso, dá-se o contrarrelógio por equipas, que poderá ser decisivo para certos homens na luta pelo top10. Logo a seguir ao já referido descanso, iremos ter o primeiro final em alta montanha. Como normal, a segunda semana de competição estará mais virada para os Pirenéus, enquanto a terceira e decisiva semana estará concentrada nos Alpes (no penúltimo dia de prova iremos ter a tão esperada subida ao Alpe d’Huez). Estas 21 etapas, com um total de 3360 km’s, e este Tour 2015 terão o seu fim nos já tradicionais Campos Elísios, em Paris.

Voltando aos quatro principais favoritos. Froome, com a vitória no Dauphiné, mostrou que está em muito boa forma e pronto para voltar a vencer o Tour. A primeira semana será decisiva para ele; tanto terá, por um lado, um contrarrelógio que, em princípio, lhe fará ganhar alguns segundos aos seus grandes adversários (mesmo assim, acredito que ele tivesse preferido um CR ainda mais longo), como também terá, por outro lado, a etapa de pavé, que no ano passado lhe custou o Tour. Se passar bem essas dificuldades, aproveitar bem a ajuda da sua equipa (muita qualidade e muita ajuda para todos os terrenos na equipa da Sky para este ano) e continuar a mostrar que é realmente um trepador de excelência e um ciclista ainda mais experiente, será muito difícil que alguém lhe consiga tirar a camisola amarela no final.

Quintana poderá ser o principal rival de Froome nas montanhas se conseguir, igualmente, passar bem a primeira semana deste Tour. Precisará muito da ajuda da sua equipa na primeira parte da prova, sendo que fará o que melhor sabe na segunda parte da mesma. Resta saber se o CR individual e a etapa de pavé não irão deitar por terra as suas ambições. Terá, se tudo correr como o perspetivado, a ajuda de Valverde para conseguir o lugar mais alto do pódio, logo esse será um grande trunfo para o colombiano, visto que tem um dos melhores ajudantes que um líder poderia ter. Falta saber é se o espanhol estará virado para esses lados… Se estiver, então é mais do que provável que ambos estejam no top10 final da prova e as possibilidades de Quintana e, consequentemente, de a Movistar vencerem este Tour serão elevadas.

O vencedor do Tour de France 2014 terá forte concorrência para tentar revalidar o seu título Fonte: CTVNews
O vencedor do Tour de France 2014 terá forte concorrência para tentar revalidar o seu título
Fonte: CTVNews

Um dos ciclistas que apontou exclusivamente o seu grande pico de forma para o Tour foi mesmo Nibali, que aparece nesta prova como o campeão em título e pronto para revalidar esse mesmo título. Acabado de se sagrar campeão italiano (tal como no ano passado), o ciclista da Astana é aquele que mais beneficiará das piores condições climatéricas possíveis e que terá na primeira semana a chave da sua candidatura ao título. Tem uma equipa forte para o ajudar e é um dos ciclistas que mais beneficiam das longas descidas (não tem medo de arriscar e tem imensa técnica). Veremos o que acontecerá na muito mencionada etapa de pavé e se voltaremos a ter um Nibali a destacar-se da concorrência aí.

Por fim, Contador tem como objetivo vencer o Giro e o Tour no mesmo ano, feito que foi realizado pela última vez em 1998 por meio de Marco Pantani. Ninguém tem dúvidas da qualidade do “Pistolero”, mas depois de um Giro muito competitivo e desgastante as dúvidas são muitas acerca do que poderá o espanhol ainda dar neste Tour. A verdade é que, se existe alguém capaz de fazer este feito, esse alguém é o próprio Contador. Tal como os seus adversários, conta com uma boa equipa para o ajudar. O grande problema é que, mesmo assim, se certos ciclistas não derem mais do que o que ultimamente têm dado, iremos ver o espanhol a sofrer mais do que o costume. A conquista não é impossível, mas dificilmente Contador, com esta concorrência e com o Giro que realizou, vestirá de amarelo no último dia. Resta esperar para ver se, mais uma vez, o espanhol trata de responder a todos da melhor forma na estrada.

Em termos de nomes para o top10/top15, poderemos encontrar uma extensa lista de ciclistas. Começando logo pela maior esperança de todos os franceses em vencer um Tour nos próximos anos, Thibaut Pinot (apresenta-se em grande forma, tem um percurso à sua medida e quererá provar que o pódio conseguido no ano anterior não foi devido ao facto de Froome e Contador terem desistido); Romain Bardet, outra das maiores esperanças dos franceses, tem também uma prova bem adaptada às suas qualidades e também está em boa forma; Joaquim “Purito” Rodriguez é outro dos grandes nomes aqui presentes e que, sem dúvida, irá dar enorme espetáculo em várias etapas, sendo que tem mesmo um percurso bem feito para as suas caraterísticas e, mesmo com a possível perda de tempo na 1.ª e na 9.ª etapas, terá na segunda parte da prova imensas oportunidades para compensar o possível tempo perdido – não esquecer que terá como fiel escudeiro o português Tiago Machado; Tejay Van Garderen é mais um dos grandes nomes nesta corrida e, tal como os acima mencionados, tem toda a capacidade para terminar no top5 (provou, no Dauphiné, que subiu um patamar na sua evolução como ciclista quando se bateu da melhor forma frente a Chris Froome e está pronto para mostrar isso neste Tour, sendo que terá na BMC uma equipa que o poderá meter de amarelo quando terminar o contrarrelógio por equipas).

Rui Costa, recém campeão nacional, é um dos principais candidatos a estar no top10 Fonte: Gazeta do Rossio
Rui Costa, recém campeão nacional, é um dos principais candidatos a estar no top10
Fonte: Gazeta do Rossio

Rui Costa, o ex-campeão do mundo, o melhor ciclista português da atualidade e recém campeão nacional de estrada, será outro dos nomes a ter em conta para o top10 desta Volta à França. Irá com menos pressão do que no ano passado, chega a esta prova com um excelente 3.º lugar no Critérium du Dauphiné – com, igualmente, uma enorme vitória frente a alguns dos melhores ciclistas do pelotão mundial – e, mostrando plenamente todas as suas qualidades como ciclista, terá tudo para chegar ao tal objetivo dos 10 primeiros. Outros nomes a ter em conta, para além dos já referidos, são: Alejandro Valverde (está a fazer mais uma grande época; não é o líder da equipa, mas isso não me parece que possa ser um problema na estrada e será um corredor com menos pressão em cima, visto que Quintana é o líder designado, sendo que tem igualmente algumas etapas ao seu estilo – destaque claro para a etapa do Mur de Huy), Bauke Mollema, Warren Barguil, Matthias Frank, Pierre Rolland, o duo da Lotto Wilco Kelderman e Robert Gesink, o trio da Garmin Daniel Martin, Andrew Talansky e Ryder Hesjedal, ou duo da Etixx Rigoberto Úran e Michal Kwiatkowski, entre mais alguns outros ciclistas que poderão intrometer-se nesta luta.

Para os sprints e para a camisola verde, existe igualmente um elenco muito bom de ciclistas (mesmo com a grande ausência de Marcel Kittel, vencedor de quatro etapas no Tour 2014): Mark Cavendish será o grande favorito a “suceder” a Kittel como o homem dos puros sprints deste Tour, sendo que terá a companhia de André Greipel, Nacer Bouhanni, Tyler Farrar e Edvald Boasson Hagen, Arnaud Demaré e Sam Bennett. Além destes nomes, há que acrescentar, claramente, os principais favoritos a vencer a camisola verde (alguns dos anteriormente citados dificilmente lutarão por esta camisola), relativa à classificação dos pontos: Peter Sagan parte, naturalmente, como o favorito a vencer a sua 4.ª camisola verde seguida mas, desta vez, terá a grande concorrência de nomes como Alexander Kristoff (vencedor de inúmeras etapas esta época e com uma Katusha a dar-lhe um bom apoio para a disputa desta camisola verde), John Degenkolb (com a ausência de Kittel, o ciclista da Giant terá toda a ajuda possível nos sprints, quer nas etapas mais planas, quer nas etapas mais atribuladas) e, por fim, Michael Matthews (em princípio, será o que menos hipóteses terá de vencer esta camisola, visto que irá repartir a liderança nos sprints menos planos com Simon Gerrans, logo terá menos pontos à disposição do que os seus adversários).

Alguns dos principais sprinters presentes, que prometem animar esta edição, a lutarem pela vitória numa etapa Fonte: Velonews
Alguns dos principais sprinters presentes, que prometem animar esta edição, a lutarem pela vitória numa etapa
Fonte: Velonews

Referir ainda que, além de Rui Costa e de Tiago Machado, os restantes portugueses em prova são Nélson Oliveira (irá ser uma ajuda crucial a Rui nas etapas mais planas) e José Mendes (terá um papel mais livre dentro da sua equipa, o que poderá proporcionar algumas idas em fugas e, consequentemente, quem sabe, uma vitória de etapa).

Posto isto, este sábado será a hora de nos concentrarmos na melhor prova de ciclismo do mundo e ver, atentamente, os maiores protagonistas desta modalidade numa prova onde as expetativas estão tão altas que poderemos vir a ter um dos melhores Tour’s de sempre…!

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