PREPARE O BLOCO DE NOTAS: NOMES, ETAPAS E DIAS-CHAVE

Se existissem mil e uma razões para defender o potencial da Volta a França de 2021 como uma das edições mais memoráveis, a ordem de ideias a constatar esse tópico teria que ser encabeçada pelos principais galos em disputa e a sua forma de correr, dentro dos vários domínios da corrida.

A nova corrente de ciclistas, espevitados em termos de mentalidade se atentarmos à tenra idade e capacidade atacante que imprimem de prova para prova, tem provocado diversas alterações na forma como se preparam as corridas. Será possível, mesmo numa Volta a França, termos uma corrida aberta, atacada, progressista e a fintar o estigma dos grandes blocos, movimentações cirúrgicas e do muito controlo físico e emocional?

O primeiro olhar vai imediatamente para o campeão em título Tadej Pogacar da UAE Team-Emirates e o seu grande rival e compatriota, Primoz Roglic, da Jumbo-Visma.

A nível individual parece não haver capacidade física de outro tubarão das classificações gerais para os dois primeiros classificados de 2020: Pogi venceu a geral do UAE Tour, Tirreno Adriático e da Volta à Eslovénia, para além de triunfar na Liège-Bastogne-Liège. Já Rogla, com um calendário menos preenchido, esteve em bom plano no Paris-Nice, na Flèche Wallonne e na Itzulia, a denominada Volta ao País Basco, que terminou com o ciclista da Jumbo-Visma no lugar mais alto do pódio e o seu arquirrival, Pogi, na terceira posição.

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Se nas dificuldades montanhosas pareceram estar a níveis semelhantes, o que na verdade é complicado de projetar para uma competição de três semanas, onde a capacidade física, além de imprevisível, é fundamental, o contrarrelógio em Bilbao causou alguma diferença assinalável, talvez a maior entre os dois candidatos: 28 segundos a favor de Primoz Roglic num percurso com uma extensão de 14 quilómetros e um muro à espera dos ciclistas na linha de meta.

Se no ano passado, uma conjugação de fatores terminou com um momento épico para Tadej Pogacar, o seu compatriota certamente não se deixará voltar a surpreender num terreno onde se sente bem.

À semelhança da penúltima etapa de 2020, a jornada número vinte também terá um contrarrelógio que promete ser decisivo para as contas finais, já depois de 27 quilómetros de esforço individual na etapa número cinco. Ainda que bem menos duro, a ligação de 30 quilómetros entre Libourne e Saint-Émilon promete jogar um papel decisivo entre os dois colossos. Voltando ao outro lado da moeda, as outras formações, que certamente não vêm para o Tour encher chouriços, terão que se mexer mais cedo para tentar surpreender os sólidos blocos da UAE-Team Emirates e da Jumbo-Visma.

Ao contrário do que se passou em 2020, destaque para a forte aposta no apoio ao campeão do Tour, com a presença de Rafal Majka, Brandon Mcnulty ou Davide Formolo, além de Rui Costa, um dos dois portugueses presentes. Do outro lado da barricada, Steven Kruijswijk, Sepp Kuss, Jonas Vingegaard e ainda o todo-o-terreno Wout Van Aert prometem ajudar o seu líder a conquistar a corrida pela primeira vez.

O principal entrave a uma presumível festa eslovena será sempre uma formação britânica chamada Ineos Grenadiers. Richard Carapaz, Geraint Thomas e Tao Geoghegan Hart sabem o que é ganhar uma grande volta. Richie Porte, Jonathan Castroviejo e Michal Kwiatkowski são nomes muito importantes para a equipa montar uma estratégia coletiva eficiente. Também a Movistar representa um perigo: a armada espanhola, constituída por Alejandro Valverde, Enric Mas e Marc Soler, juntam-se a Miguel Ángel López na luta por um lugar cimeiro na classificação geral.

Destaque ainda para vários duetos de perigosidade para aqueles que alvejam o pódio: Simon Yates e Esteban Chaves na Team BikeExchange; Pello Bilbao e Wout Poels na Bahrain Victorius; Emanuel Buchmann e Wilco Kelderman na Bora Hansgrohe; Nairo Quintana e Warren Barguil da Team Arkéa Samsic, entre outros nomes espalhados por diversas equipas (a seu tempo serão mencionados).

No mapa da corrida, os primeiros dois dias prometem muito. Explosividade, adrenalina e confusão. A luta pela camisola amarela encontra em Julian Alaphilippe um dos grandes candidatos a ser o primeiro a envergá-la. Os homens da geral terão forçosamente de estar atentos para não perderem segundos preciosos em Landernaeu e no conhecido Mur de Bretagne: duas contagens de montanha de terceira categoria que aguardam os ciclistas no final das duas primeiras jornadas.

Se Alaphilippe é um dos grandes favoritos, o que dizer de Mathieu Van der Poel e Wout Van Aert? O que dizer do próprio Tadej Pogacar e de Primoz Roglic? Curtas e explosivas, ao gosto de atletas como os referidos e ainda mais: Michael Woods, Dan Martin, Benoit Conesfroy, Sergio Higuita, Marc Hirschi, entre outros.

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