Cabec¦ºalho ciclismo

Uma primeira semana digna do Tour de France! Surpresas, desilusões, quedas, desistências, grande espetáculo, entre outros acontecimentos…

Um terço do caminho está completo e muito há ainda por decidir. Nesta primeira semana era mais importante não perder tempo do que ganhá-lo. Primeiramente, a camisola amarela está na posse de Chris Froome após uma semana onde tem mostrado ser o melhor, neste momento, dos “Fantastic Four” e onde conseguiu não só evitar os constantes perigos comuns nesta semana como também tem sido um Froome a dar ideias de ser o de 2013 (ano em que venceu o próprio Tour). Quando se esperava que fosse Nibali a ser o mais beneficiado desta primeira semana, ele acaba por ser, dos quatro, o pior classificado. Não só não ganhou tempo na etapa de pavé como perdeu tempo numa etapa onde isso não se previa que pudesse sequer acontecer (já está a 2 minutos e 22 segundos). Contador é o que está mais próximo de Froome – 1 minuto e 3 segundos – mas é aquele que contava, provavelmente, ter já avanço ou, pelo menos, não ter perdido tempo para o britânico.

Quintana era o que se previa que fosse sair mais prejudicado desta semana. A verdade é que está a quase 2 minutos de Froome, mas, tendo em conta todas as circunstâncias, parece-me que pode ser-lhe atribuída uma nota positiva (será complicado recuperar tanto tempo nas montanhas, mas, neste momento, continua a ser o principal adversário de Froome nessas etapas – Contador poderá sentir, cada vez mais, os efeitos do Giro e Nibali parece-me já “longe” para tentar a vitória, mas nunca se sabe, não nos podemos esquecer da qualidade do italiano).

Um dos momentos que mais preocupou os portugueses – a terrível queda de Rui Costa  Fonte: Facebook do Rui Costa
Um dos momentos que mais preocupou os portugueses – a terrível queda de Rui Costa
Fonte: Facebook do Rui Costa

Rui Costa continua no caminho certo para perseguir o objetivo do top’10 (no CR por equipas ganhou algum tempo a alguns dos principais candidatos a top’10 e o tempo de atraso que tem para alguns é recuperável, principalmente tendo em conta a visão que o Rui tem de cada etapa e a forma como prepara cada dia), caminho esse que, apesar de tudo, tem tido algumas grandes pedras pelo meio. Logo na 1.ª etapa, no contrarrelógio individual, a segunda metade dos ciclistas a partir foram prejudicados devido à mudança das condições meteorológicas. O Rui acabou por perder mais de 1 minuto para o vencedor da etapa – não, não foi Tony Martin nem Fabian Cancellara, foi, sim, Rohan Dennis, outro dos grandes especialistas neste tipo de etapas, que, mesmo assim, acabou por surpreender ao fazer um tempo ainda melhor do que o do grande campeão alemão, que apontava claramente para vestir pela primeira vez a camisola amarela (algo que, mais para a frente, acabou por, justamente, fazer).

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É verdade que, por exemplo, só perdeu 23 segundos para Froome, mas também não conseguiu fazer melhor do que Tiago Machado (ciclista que, infelizmente, já caiu por algumas vezes neste Tour de France) ou José Mendes – ciclistas que, por norma, não costumam ser melhores do que ele nessa especialidade. Mas o pior ainda estava por vir… na terceira etapa, quando tudo previa que fosse ser um dia tranquilo até à chegada ao Mur de Huy, a cerca de 107 km’s para o fim da etapa dá-se uma queda de um homem da FDJ que resultou na queda de outros 19 ciclistas (uma das piores quedas que já vi em Voltas à França – felizmente ninguém bateu diretamente contra o poste, senão poderia ter sido ainda pior). Entre esses ciclistas estavam nomes como Rui Costa, Mathias Frank, também o camisola amarela da altura, Fabian Cancellara, além de Simon Gerrans ou Tom Dumoulin – dois nomes que, em resultado dessa queda, acabaram por abandonar a corrida. O próprio Cancellara não só perdeu a camisola nesse dia, como também acabou por nem iniciar a corrida no dia a seguir. A corrida teve mesmo de ser neutralizada (algo fora do normal) devido ao facto de não haver assistência médica suficiente – estava tudo com os homens que caíram – para os que estavam no pelotão que escapou ileso à queda, visto que as regras não permitem que a corrida prossiga se não existirem condições médicas disponíveis para todos.

Nesse dia, o português acabou por perder mais de um minuto para o vencedor da etapa, Joaquín “Purito” Rodriguez (aproveitou bem uma etapa ao seu estilo), e onde Chris Froome mostrou, claramente, que estava melhor do que toda a sua concorrência direta. Na etapa seguinte, Tony Martin finalmente consegue chegar à tão merecida camisola amarela depois de três etapas onde esteve à beira de o fazer – por 5, 3 e 1 segundos que não o fez, respetivamente. Muito azarado nessas etapas, mesmo assim, a justiça tardou mas veio. Uma enorme vitória do alemão na quarta etapa (a “temida” etapa de pavé poucos estragos fez, o principal foi mesmo o facto de ter tirado as aspirações de Thibaut Pinot – um dos homens mais azarados desta primeira semana – a terminar no top5 deste Tour), daqueles ataques próprios dele, e os festejos merecidos, não só pela vitória, mas também pela posse da camisola amarela. Duas etapas depois, origina uma outra queda, consegue terminar em claro sofrimento, mas não inicia a etapa seguinte. Apesar de tudo, finalmente vestiu a camisola amarela no Tour e, mesmo as coisas não tendo terminado da melhor forma, o alemão ficou satisfeito de ter alcançado tal feito.

A foto do Tour, até agora. O alento e a preocupação dos colegas de Tony Martin após a queda que o levou a abandonar a corrida Fonte: Facebook da Portuguese Cycling Magazine
A foto do Tour, até agora. O alento e a preocupação dos colegas de Tony Martin após a queda que o levou a abandonar a corrida
Fonte: Portuguese Cycling Magazine

Nas etapas seguintes à vitória do alemão, viu-se a segunda vitória de Greipel (depois de ter vencido a segunda etapa), um excelente ataque por parte de Stybar a culminar na vitória (conseguindo, nesse dia, dar ainda uma alegria à sua equipa minutos depois da tal queda do seu companheiro de equipa Tony Martin), o regresso de Cavendish aos triunfos na Volta à França – está a duas vitórias do conhecido Bernard Hinault e a oito do líder e lendário Eddy Merckx –, a primeira vitória de um francês neste Tour 2015 – Vuillermoz será mais um nome a ter em conta para animar algumas etapas das próximas duas semanas – e, por fim, mais uma vitória para a BMC num contrarrelógio por equipas e com a Sky a ficar a menos de um segundo da vitória nessa etapa (Froome mais líder, comparado com os seus principais adversários, mas com Van Garderen em segundo lugar a poucos segundos, a mostrar que está com a forma que tinha no Critérium du Dauphiné e a apontar para um top’5 ou, até mesmo, um top’3).

Uma nota para a organização: Estiveram muito bem no momento em que neutralizaram a corrida, mas acabaram por falhar quando meteram o contrarrelógio por equipas a uma 9.ª etapa. Algumas equipas estavam já sem 1/2/3 ciclistas e isso pesa muito depois de uma semana intensa de competição. Teria sido benéfico para todos e até para o espetáculo que, talvez, tivessem trocado o dia do CR individual pelo dia do CR coletivo, ou seja, começar este Tour com uma prova por equipas a fim de estarem todas na máxima força.

Por fim, a camisola da montanha está a ser historicamente levada por Daniel Teklehaimanot, etíope da MTN Qhubeka e que foi o vencedor da camisola da montanha no Critérium du Dauphiné; e a camisola verde está, mais uma vez, na posse de Sagan, que, mesmo sem ainda uma vitória, em nove etapas esteve seis vezes no top4 e continua a ser o principal candidato para vencer a camisola dos pontos e fazê-lo por uma quarta vez consecutiva.

Faltam duas semanas. Uma centrada nos Pirenéus e outra centrada nos Alpes. Espera-se ainda mais espetáculo por parte de todos os grandes nomes deste Tour. A cortina fechou temporariamente, mas terça voltará a abrir!

Foto de Capa: steephill.tv

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