Cabec¦ºalho ciclismo

Como era esperado, Gustavo Veloso venceu mesmo. Desde o momento em que vestiu a camisola amarela, conseguiu responder a practicamente todos os ataques que lhe foram feitos, defendendo a sua camisola com todas suas as forças. No contra-relógio, já se sabia, o galego era forte demais para toda a concorrência. Venceu e convenceu, sem grande margem para dúvidas. Foi um dos três espanhóis que acabou no top10 da prova. É verdade que sete portugueses e apenas três espanhóis no top10 parece uma imensa vitória de Portugal, mas também é verdade que dois dos espanhóis acabaram no top3, portanto é como se decidir ver o copo, meio cheio ou meio vazio. O que é certo é que, como tinha previsto no último artigo, tivemos mais uma vez uma prova dominada pelos países ibéricos.

Gustavo Veloso, o vencedor da prova  Fonte: A Bola
Gustavo Veloso, o vencedor da prova
Fonte: A Bola

Há, no entanto, mais três ciclistas que merecem ser mencionados individualmente: Rui Sousa, Edgar Pinto e David Belda. Rui Sousa porque, aos 38 anos de idade, consegue vencer isolado na Torre, o que é sempre um feito digno de registo, seja qual for a idade do atleta. Ganhar a etapa raínha, em qualquer prova do mundo, dá sempre direito a manchete com sublinhado especial. Rui Sousa atacou de muito longe, conseguiu deixar o grupo principal para trás e com isso escreveu o seu nome na subida mais mítica de Portugal. Edgar Pinto merece também uma palavra especial. Caiu três vezes e mesmo assim manteve-se até ao fim. Só por isso, já merecia a referência, mas somando a isso a vitória no alto da Senhora da Graça e um lugar final no top5, pode-se dizer que foi um desempenho de se lhe tirar o boné. Quem esteve também em destaque foi o espanhol David Belda, que conseguiu vencer duas etapas com chegada em alto, feito único nesta edição da prova. No que diz respeito às restantes classificações, António Carvalho, da Lampre, conquistou a camisola da montanha, Davide Vigano, da Caja Rural, conquistou a camisola dos pontos e David Rodrigues, da seleção nacional, conquistou a camisola da juventude. Colectivamente, foi a OFM/Quinta da Lixa quem venceu a prova.

Rui Sousa, o conquistador da Torre  Fonte: velobike.it
Rui Sousa, o conquistador da Torre
Fonte: velobike.it

A 76ª edição da prova mais importante do ciclismo nacional teve bons momentos protagonizados por atletas portugueses, que até venceram as duas etapas mais icónicas da prova, mas mais uma vez foi vencida por um estrangeiro. Desde 2011 (edição vencida por Ricardo Mestre e que ficou marcada pela presença de dez portugueses no top10 final) que um português não vence a Volta. Pelo segundo ano consecutivo, venceu um galego. Foi o Bi da Galiza. Conseguirá alguém quebrar este domínio galego para o ano? Cá estaremos para ver!

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