Cabec¦ºalho ciclismo

Nem Pinot, nem Majka. Esta foi a vez de Simon Spilak brilhar numa das maiores provas do World Tour e vencer, pela segunda vez na carreira, uma prova desse género – depois da Volta à Romandia em 2010 – sucedendo, assim, ao português Rui Costa (tricampeão desta corrida).

Foi uma Volta à Suíça um pouco diferente do esperado, já que os contrarrelógios decidiram mais do que as próprias montanhas, dando, inclusive, para ciclistas como Tom Dumoulin (um enorme contrarrelogista, talvez o melhor da atualidade, mas que é apenas esforçado nas montanhas – mesmo assim, não esteve nada mal nesse aspeto em terras suíças) conseguirem chegar ao pódio, que ficou completo com o 2.º lugar de Geraint Thomas – o vencedor da Volta ao Algarve deste ano. O ciclista da Sky terminou a apenas cinco segundos de diferença do ciclista da Katusha, sendo que essa foi praticamente a diferença que teve para ele na 5.ª etapa, a “etapa rainha”. Portanto, parece-me que a decisão não esteve tanto neste contrarrelógio, mas sim nessa mesma etapa (onde Pinot venceu e Spilak ganhou cinco segundos a Thomas).

O já citado Pinot precisava de mais montanha para conseguir vencer esta corrida, prova disso é o facto de ter sido o indiscutível vencedor da tal “etapa rainha” e parecer sempre o melhor na montanha. Neste caso em particular, curiosamente, os CR’s foram mesmo a parte decisiva. Não fosse isso e teríamos tido o francês como sucessor de Rui Costa. Mesmo assim, provou que é, de facto, um dos melhores ciclistas do pelotão e um grande candidato para o top’5 do Tour. Em relação a Majka, um dos teoricamente favoritos a vencer esta prova, a corrida não correu tão bem quanto o esperado. Perdeu logo na 2.ª etapa cerca de um minuto para os principais concorrentes e não pareceu estar ao seu melhor nível aquando da etapa 5. Mesmo assim, conseguiu terminar no último lugar do top10 e fez, claramente, uma prova em crescendo (acabou em 9.º lugar no CR).

A Volta à Suiça também terminou da mesma forma na primeira e última etapas: vitória de Tom Dumoulin num contrarrelógio! Na 1.ª etapa, um prólogo, bateu Cancellara – outro dos especialistas em CR – por apenas dois segundos (sendo que Peter Sagan esteve muito perto de conseguir a camisola amarela nesse dia, visto que foi 4.º classificado a uns poucos cinco segundos) e, na 9.ª e última etapa, deixou a concorrência a mais segundos de distância e não deixou Cancellara festejar uma vitória nesta prova. Os dois contrarrelógios foram cruciais para o pódio final do holandês.

Tom Dumoulin
Tom Dumoulin concentrado em vencer na sua especialidade

A 2.ª etapa trouxe mais uma vitória nesta época para a Lampre-Merida, com Durasek (o vencedor da Volta à Turquia deste ano) a superar a forte concorrência que tinha e, num ataque no momento certo, a conseguir uma vantagem fundamental para o desfecho da etapa. A 3.ª e 4.ª etapas foram ganhas por dois dos melhores designados “punchers”: Peter Sagan (deve precisar de um quarto só para as camisolas dos pontos que tem conquistado, nesta Volta à Suíça conseguiu mais uma para a coleção) e Michael Matthews (superou o próprio ciclista da Tinkoff num excelente sprint).

A etapa 5, considerada, tal como já foi dito, a “etapa rainha” desta prova, foi espetacular para qualquer amante ou apreciador desta modalidade. Vários ataques e contra-ataques, grandes recuperações e muitos sacrifícios montanha acima. Thibaut Pinot, o francês da FDJ, conseguiu uma excelente vitória depois de até parecer ter estado, a certa altura, um pouco abaixo das suas capacidades normais. Acabou por recuperar, regressar para o lado dos seus principais adversários e, por fim, desferir um ataque muito bom que só acabou no fim da meta. Foi, de facto, uma infelicidade ter sido um pouco prejudicado pelos CR’s e, também, pelos poucos segundos que perdeu em várias etapas devido ao mau posicionamento no pelotão.

As etapas 6 e 7 foram parecidas às 3 e 4, onde, respetivamente, Peter Sagan voltou a vencer mais uma etapa e Kristoff voltou às vitórias em provas deste género, depois de uma excelente primeira parte de temporada. A etapa 8 dava uma grande oportunidade para homens que entrassem na fuga certa tentarem a vitória (principalmente por ser antes de um CR decisivo) e foi assim que se sucedeu. Lutsenko e Bakelants lutaram, ao sprint, pela vitória, e ela acabou por sorrir ao ciclista da Astana Alexey Lutsenko. Por fim, no tão aguardado contrarrelógio final, tal como já foi salientado, Tom Dumoulin não deu hipóteses à concorrência e voltou a vencer uma etapa nesta prova. Em termos de classificação geral, tudo ficou decidido nesta última etapa. Pinot não se previa que conseguisse aguentar a camisola amarela que tinha conquistado na etapa 5, sendo que a luta seria entre os três homens que acabaram por ficar no pódio (o holandês aguentou-se bem nas montanhas e chegou ao CR final ainda com possibilidades de vencer – ficou apenas a 19 segundos do Spilak, na geral). O homem da Katusha (que tem como diretor desportivo o português José Azevedo) acabou por ser o mais feliz (quer na etapa – terminou em 2.º -, quer na geral) e conquistou a Volta à Suíça pela primeira vez na sua carreira.

O pódio final da Volta à Suíça
O pódio final da Volta à Suíça

Em suma, uma prova equilibrada, com bom espetáculo e onde os contrarrelógios tiveram um peso significativo na decisão do vencedor final. Tom Dumoulin sai desta prova como o principal concorrente para Tony Martin nos futuros contrarrelógios (principalmente quando chegar o campeonato do mundo), Geraint Thomas mostrou ser um bom líder mas faltou-lhe um pouco mais para sair vencedor, enquanto Spilak consegue um dos seus grandes objetivos do ano e dá uma excelente vitória à sua equipa. Por fim, Peter Sagan volta a ser o “rei dos pontos” e mostra-se em forma para o Tour que está quase aí a chegar… Pois é, dia 4 de julho começa a maior prova de ciclismo e uma das maiores provas desportivas do mundo, com quatro grandes candidatos a levarem a camisola amarela! Preparem-se e até lá.

Imagens retiradas da Página Oficial da Volta à Suíça

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