Cabec¦ºalho ciclismo

O que têm os anos de 2006 e 2015 em comum no mundo do ciclismo? Sim, está relacionado com portugueses e com a Volta à Espanha: A última vitória de um português, nesse caso, de Sérgio Paulinho, na última Grande Volta do ano, tem data em 2006. Nove anos passados e Nelson Oliveira, o especialista em contrarrelógio, mas que tem vindo a evoluir cada vez mais em outros tipos de terreno, volta a dar uma alegria aos portugueses em terras espanholas e venceu a 13.ª etapa da Vuelta’2015! Hoje é um dia para celebrar esta grande vitória do português. Por tudo o que tem feito até agora, é mais do que justo este prémio e este lugar mais alto no pódio da etapa.

Num dia que se previa que a fuga fosse ser bem-sucedida, não só pelo perfil da prova, mas também pelo facto de que iremos ter algumas etapas nesta semana muito mais duras, um grupo com mais de 20 elementos formou a vitoriosa fuga e, no meio desses ciclistas, estava o português Nelson Oliveira, que tem tentado animar esta Vuelta nalgumas etapas e já tinha tentado fazer o que fez hoje noutras etapas. Hoje, felizmente, tudo resultou da melhor forma e o português, a cerca de 30 km’s do fim, desfere um corajoso ataque e que deixa o resto dos homens em fuga um pouco surpreendidos, visto que continuaram num ritmo normal e com o pensamento de que conseguiriam apanhar esta arrojada tentativa de chegar à vitória (esta visão de jogo faz lembrar alguém…com certeza tem tido bons ensinamentos por parte do seu colega de equipa Rui Costa).

O português, após a corrida, referiu que foram os 30 km’s mais longos que já teve de percorrer e não é para menos, visto que teve de os fazer completamente sozinho e a depender das suas grandes caraterísticas de contrarrelogista. Mas, com a ambição e o querer necessários, conseguiu aguentar este esforço adicional e aproveitar da melhor forma o facto do resto dos que estavam em fuga não se estarem a organizar (destaque para Conti e Plaza, ciclistas da Lampre e respetivos colegas de equipa de Nelson, que souberam controlar alguma maior tentativa de recuperar o tempo para o português). Com 1 minuto de vantagem, o português ergue os braços, faz uma vénia e festeja merecidamente esta enorme vitória!

Antes da vitória de Nelson, foi José Gonçalves a levar para casa o prémio de mais combativo na etapa 2 da Vuelta Fonte: lavuelta.com
Antes da vitória de Nelson, foi José Gonçalves a levar para casa o prémio de mais combativo na etapa 2 da Vuelta Fonte: lavuelta.com

Tendo em conta o título, apesar da palavra vitória em etapa ser ainda apenas para o Nelson, é preciso referir os outros portugueses que estão a mostrar que Portugal continua bem servido de nomes para o ciclismo, tenham que papéis tiverem dentro das respetivas equipas. José Gonçalves é o segundo nome em maior destaque, falando de portugueses. Tem tentado, etapa após etapa, conseguir aquela elusiva vitória e dar mais uma alegria a todo o povo português. Desde sprints, finais em subida, etapas de média montanha e até uma em alta montanha, tem tudo tido o português na discussão e a mostrar-se como um grande talento. Depois de uma Volta a Portugal muito bem-sucedida, o prémio veio com esta ida à Vuelta, mas a verdade é que se esperava que isso seria o ponto mais alto do português nesta época. Engano puro…o português da espanhola Caja Rural fez jus às comparações com alguns outros ciclistas de grande renome e tem animado bem esta Vuelta, sendo que já conquistou, na 2.ª etapa, o prémio de mais combativo do dia!

Os 5 portugueses em prova encontram-se todos no top50 desta Vuelta a Espanã, o que é um muito bom feito para Portugal, esperemos que assim continue até ao fim da prova. Tiago Machado (48.º classificado) tem apoiado muito bem os seus dois líderes, Purito Rodriguez e Dani Moreno. Ricardo Vilela (43.º) ainda pouco se mostrou, mas tem sido importante para a liberdade que alguns elementos têm dentro da Caja Rural e acredito que também ele terá as suas oportunidades para aparecer em fugas. José Gonçalves (35.º) e Nelson Oliveira (32.º) já foram mencionados e André Cardoso, depois do abandono de Daniel Martin e da pouca frescura de Andrew Talansky, tornou-se no líder da Cannondale e está, neste momento, num bom e sólido 18.º lugar (à frente de nomes como Frank Schleck, Daniel Navarro ou Samuel Sanchez). Por fim, Sérgio Paulinho, o sexto e último dos ciclistas portugueses, teve, infelizmente, de abandonar a prova devido a um acidente com uma moto (algo que também, anteriormente, acabou por tirar Peter Sagan da corrida) – um problema a rever para organizações futuras de Grandes Voltas.

Por tudo isto, é de se prever que possamos continuar a ter os portugueses em grande foco nesta Vuelta a España e, quem sabe, existem boas possibilidades de que haja mais alguma vitória de um português em terras vizinhas…é esperar para ver como irá o resto desta Grande Volta decorrer e, por hoje, sem dúvida, o mais importante é mesmo “celebrar” este grande feito do Nelson Oliveira!

Foto de capa: Facebook da Vuelta

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