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São entes privados registados como órgãos de comunicação social. Fazem parte de um conjunto de meios que tem um poder incomensurável na sociedade civil. Não são generalistas, pois proclamam-se de um setor. Acompanham e replicam aquilo que é, para eles, o fenómeno do desporto, até ao ínfimo pormenor, inclusive o seu pior. O problema surge, justamente, quando um desses pormenores se torna um pormaior.
Seguem os passos do Desporto, até mesmo na sua mercantilização. Por várias razões, incluindo a dificuldade em se reinventar e atualizar na comunicação, passam dificuldades que acarretam uma consequência. Pois, para vender mais um outro exemplar, têm que tomar decisões editoriais que custam a sua essência. Vivem de publicidade, vendas da tiragem diária, da subscrição on-line e dos clicks do digital. São eles os autoproclamados jornais desportivos da nossa comunicação social.
No entanto, no fim do dia, espremida cada letrinha, vê-se pouco desporto e muito mal futebol. Sabemos das dificuldades, mas não podemos deixar de contestar que se demitam do dever de informar e o troquem simplesmente pela criação da vontade de o comprar.
Se numa sociedade democrática a informação é essencial, cumpre aos órgãos de comunicação social, e no caso os chamados jornais desportivos, assumir esse papel de informar. E dentro desse papel, ter a ousadia de, na velocidade a que se vive o dia a dia, poderem ser atores da mudança no fomento de uma verdadeira cultura desportiva.
O prazer de ser jornalista tem-se, seguramente, vindo a perder pela razão, também ela compreensível, do pouco que esta função faz render. É certo que novos mecanismos foram criados que vieram destronar aqueles que antes se sentiam isolados. Mas face à nova realidade, importa, àqueles que sofrem os seus efeitos, adaptarem-se independentemente da sua idade.
No passado dia 26 de janeiro de 2020 não morreu um distante jogador de basquetebol americano. Morreu, sim, um modelo exemplar de atleta, uma peça incontornável do Desporto internacional. Ao não dar o devido destaque de capa a esse acontecimento, em especial por ter sido ofuscado pelos resultados futebolísticos do fim de semana, os jornais desportivos revelaram bem o posicionamento do país no Desporto e, sobretudo, explicaram bem por que razão a cultura desportiva do país continua preso à cauda da Europa.
Cultura desportiva! Orgulhoso português, mas…. pic.twitter.com/jPA1Ul2Xn3
— ricardinho10 (@ricardinho10ofi) January 27, 2020
A resposta para a ausência de destaque é de fácil perceção: não temos cultura de basquetebol em Portugal, os portugueses mal o conhecem e não venderia jornais e, por esses motivos, não seria uma decisão compaginável com a já parca sustentabilidade deste negócio.
A verdade é que se os jornais tivessem a coragem de cumprir o dever de informar, com a devida importância, aquilo que realmente importa, porventura, aos poucos, as três respostas seriam outras: Portugal criaria mais cultura desta ou de outra modalidade, os portugueses passariam, aos poucos, a querer comprar os jornais desportivos com diferentes conteúdos e, seguramente, esses mesmos portugueses passariam a conhecer e reconhecer o que foi, é e será uma lenda do Desporto, independentemente da modalidade que ela pratique.

Fonte: NBA
Infelizmente, e apenas por terem tido o azar de ter escolhido praticar a modalidade errada no país errado, não foi dado destaque a este atleta internacional, como não foi nem é dado a muitos outros nacionais que tanto valor desportivo tinham e têm. Estes, antes e depois de morrerem, valiam mais do que o número de capas e destaques que tiveram. Depois da morte, já é, seguramente, tarde para os dar a conhecer ao país, mas ao menos o peso de tal perda para o Desporto deveria ter tido o devido reconhecimento público por parte de quem, ainda, tem o dever de informar.
Em algum momento ter-se-á que mudar a mentalidade, pois, balizar a cultura desportiva do país por baixo, e nada querer fazer por ela, é ser conivente com os interesses comerciais do mercado jornalístico e, sobretudo, conformista com a monocultura desportiva do país.
De resto, não são raras as vezes que apenas partindo a roda se poderá construir uma nova melhor.
Foto de Capa: FIBA Basketball World Cup
artigo revisto por: Ana Ferreira









