São entes privados registados como órgãos de comunicação social. Fazem parte de um conjunto de meios que tem um poder incomensurável na sociedade civil. Não são generalistas, pois proclamam-se de um setor. Acompanham e replicam aquilo que é, para eles, o fenómeno do desporto, até ao ínfimo pormenor, inclusive o seu pior. O problema surge, justamente, quando um desses pormenores se torna um pormaior.

Seguem os passos do Desporto, até mesmo na sua mercantilização. Por várias razões, incluindo a dificuldade em se reinventar e atualizar na comunicação, passam dificuldades que acarretam uma consequência. Pois, para vender mais um outro exemplar, têm que tomar decisões editoriais que custam a sua essência. Vivem de publicidade, vendas da tiragem diária, da subscrição on-line e dos clicks do digital. São eles os autoproclamados jornais desportivos da nossa comunicação social.

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No entanto, no fim do dia, espremida cada letrinha, vê-se pouco desporto e muito mal futebol. Sabemos das dificuldades, mas não podemos deixar de contestar que se demitam do dever de informar e o troquem simplesmente pela criação da vontade de o comprar.

Se numa sociedade democrática a informação é essencial, cumpre aos órgãos de comunicação social, e no caso os chamados jornais desportivos, assumir esse papel de informar. E dentro desse papel, ter a ousadia de, na velocidade a que se vive o dia a dia, poderem ser atores da mudança no fomento de uma verdadeira cultura desportiva.

O prazer de ser jornalista tem-se, seguramente, vindo a perder pela razão, também ela compreensível, do pouco que esta função faz render. É certo que novos mecanismos foram criados que vieram destronar aqueles que antes se sentiam isolados. Mas face à nova realidade, importa, àqueles que sofrem os seus efeitos, adaptarem-se independentemente da sua idade.

No passado dia 26 de janeiro de 2020 não morreu um distante jogador de basquetebol americano. Morreu, sim, um modelo exemplar de atleta, uma peça incontornável do Desporto internacional. Ao não dar o devido destaque de capa a esse acontecimento, em especial por ter sido ofuscado pelos resultados futebolísticos do fim de semana, os jornais desportivos revelaram bem o posicionamento do país no Desporto e, sobretudo, explicaram bem por que razão a cultura desportiva do país continua preso à cauda da Europa.