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Isabel Teixeira, seleccionadora nacional de corfebol, analisa a actual situação da modalidade em Portugal, fala sobre a Supertaça e antevê o próximo Europeu, a realizar-se em Portugal.

1. Como avalia a participação da selecção nos Jogos Mundiais?

A participação da Selecção Nacional nos Jogos Mundiais foi, a meu ver, excelente. Tendo em conta que estão as oito melhores equipas do mundo no Torneio, o nível extremamente elevado da competição e a renovação da nossa Selecção, com metade da equipa titular estreante nos Seniores e com uma média de idades de 23 anos, foi, sem dúvida, excepcional!

2. Como vê a actual situação do corfebol, tanto a nível de selecções como de equipas? O que é preciso melhorar?

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Considero que estamos num grande momento de mudança, com o aparecimento de vários novos clubes, com o corfebol a expandir-se por todo o país, o que, em termos de selecções e de evolução da modalidade, é fundamental. Começamos a ver o leque da formação bem mais alargado, em termos de quantidade de atletas, nos vários escalões. A qualidade também tem vindo a melhorar; a necessidade de termos treinadores qualificados nas equipas, apesar de ser difícil de concretizar, tem proporcionado uma maior formação e qualidade dos treinadores que lideram as equipas. De forma a melhorarmos o nível de jogo, o campeonato permite vários jogos entre as melhores equipas; no entanto, os atletas só melhoram se treinarem e jogarem muito, o que implica que todos deveriam treinar, no mínimo, três vezes por semana e jogar uma vez por semana, o que, actualmente, não acontece em muitos dos clubes da Corfliga.

3. Portugal recebe o próximo Europeu. Quais são os objectivos? Portugal tem outro tipo de responsabilidade por ser a selecção da casa? Acredita que é uma boa medida para aproximar as pessoas da modalidade?

Pela segunda vez, Portugal organiza o Campeonato da Europa e, tal como em 1998, no qual estive presente como atleta e onde conquistámos o 3º lugar, as expectativas são elevadas. Os objectivos já estão traçados desde que iniciei funções em Junho de 2012: estar entre os três primeiros. Após os Jogos Mundiais, reconquistámos o respeito da comunidade internacional e, sem dúvida, esperam da nossa selecção uma grande competitividade. Conhecendo o nível das selecções presentes no Campeonato, cada jogo será uma batalha, pois, excepto a Holanda e a Bélgica, todas as outras equipas estão ao mesmo nível. Jogando em casa, esperamos um ambiente fantástico, com muito público. Será uma forma de promovermos o corfebol, não só na Maia/Porto, mas a nível nacional.

4. Como avalia a Supertaça?
A Supertaça foi disputada por duas equipas bem distintas: o Núcleo Corfebol de Benfica, com uma grande história no corfebol português, com uma equipa muito homogénea e com um nível de jogo incomparável a nível nacional, e o CIF, um clube que tem vindo a subir de nível de ano para ano, com uma equipa em construção e que, apesar de muito heterogénea em relação ao nível dos jogadores, tem um colectivo muito forte. Tivemos jogo durante os primeiros 20 minutos, com grande equilíbrio, e, a partir daqui, o CIF não conseguiu ultrapassar nem a pressão defensiva exercida pela equipa do Benfica nem a intensidade e excelente concretização no ataque da equipa campeã nacional. Em termos de competição, o local foi excelente e foi um momento muito importante para a modalidade, com a presença de personalidades do mundo de corfebol como os cerca de 50 delegados de vários países que estiveram em Portugal num congresso organizado pela nossa Federação.

5. Acha que a presença dos três grandes do futebol pode ser benéfica para o corfebol?

Considero muito importante a criação de Secções de Corfebol nos grandes clubes. Aliás, eu criei a Secção de Corfebol do Sporting Clube de Portugal, em 2008, e, durante os três anos em que representámos o Sporting, o corfebol teve muito mais visibilidade, aparecendo notícias, todas as semanas, no site e no Jornal do Sporting, assim como noutros jornais desportivos. Devido à dificuldade em arranjar pavilhões para treinos e jogos, acabámos por nos ligar ao Núcleo Sportinguista de Caneças. Ao aceitar o cargo de seleccionadora, afastei-me das funções no clube. No entanto, é fundamental o regresso à “casa mãe” para uma maior promoção da modalidade.

 

Entrevista realizada por:

André Conde, Cátia Borrego e Rodrigo Fernandes