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Boxe: O canto de cisne de Floyd Mayweather

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A era de Mayweather terminou (para já, pelo menos). O seu combate de despedida foi um reflexo da sua carreira, tanto dentro como fora do ringue. Se entre as cordas foi esquivo, preciso e, no geral, bastante calculista, fora destas mostrou, ao escolher Andre Berto como seu adversário, que opta sempre pela saída mais fácil. Atingir o recorde lendário de Rocky Marciano é um grande feito manchado pelo final. Apesar de tudo, devemos recordar Mayweather como o melhor da sua geração, quer se goste quer não.

O combate foi todo de Floyd, do início ao fim. Mostrou grande forma, velocidade nas mãos e nos movimentos do corpo. Foi Andre quem soltou o primeiro jab do combate, mas Mayweather entrou mais agressivo, de modo a impor o seu ritmo, acertando algumas boas combinações. Pautou facilmente todo o combate, deixando Berto continuamente mais frustrado, à medida que o atraía para os cantos, de modo a poder sair em contra-ataque. O seu adversário foi sempre previsível nas combinações, e isso notava-se em Mayweather.

A intensidade foi baixando, Floyd foi-se soltando e foi dando ares de se estar a divertir dentro do ringue. O mestre da distância manteve-se confortável durante a grande maioria do combate, algo visível pela forma como ia circundando Berto, que caía inúmeras vezes na armadilha de levar “Money” para os cantos e cordas.

No final, Mayweather estava pronto para a consagração: nos últimos 3 minutos da sua carreira, Floyd acertou quase tudo, abalou Berto e aproveitou para dar uma volta da vitória, enquanto era perseguido. No final das 12 rondas, ficou a sensação de que para Floyd tanto faz defrontar um Berto ou um Pacquiao, que, curiosamente, acertou menos socos em Mayweather do que Berto.

Posto isto, resta saber se este será mesmo o último combate de Floyd Mayweather. O americano já por duas vezes se retirou, apenas para voltar mais tarde ao activo. O combate contra Berto pareceu, desde o início, um aquecimento para algo mais grandioso: o 50-0, contra Pacquiao ou outro adversário de renome (talvez Amir Khan?). Mayweather garante que terminou de vez, mas o mundo do boxe está recheado de retornos dentro destes contornos.

Haverá alguém capaz de bater o record de Floyd?
Haverá alguém capaz de bater o record de Floyd?
Fonte: Facebook de Floyd Mayweather

Apesar de tudo, o legado de Floyd estará bem presente na história do boxe. Quando lhe perguntaram qual havia sido a sua luta mais difícil, ele respondeu: “Não tive lutas difíceis”. Diga-se-lhe o que se quiser, é um facto que Mayweather fez com que a grande maioria dos seus adversários parecessem um pote de agressividade, sem qualquer critério.

É certo que muitos defendem que este se limita a fugir, mas, se analisarmos bem, veremos que Mayweather não foge, mas antes limita-se a movimentar-se de modo a que o seu adversário fique exposto para ser acertado e a que fique numa posição favorável para lhe acertar. Isso, no fundo, é o que é Boxe. Posto isto, e por inferência lógica, podemos dizer que Mayweather é boxe, no seu estado mais puro.

Termina uma carreira e começa uma lenda, a qual de imediato ser-nos-á complicada de reconhecer devido a Mayweather em si, a controvérsias e gostos pessoais. No entanto, os anos passarão e a poeira assentará, e, no final, o que vai ficar é o nome, o recorde e o estilo de luta que muitos odiaram porque ninguém o conseguiu superar. Não haverá mais, certamente, alguém como ele.

Entusiasta de MMA e futebol, o Gonçalo apoia fervorosamente o Benfica e a ideia de que desportos de combate não são apenas socos e pontapés.                                                                                                                                                 O Gonçalo não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Entusiasta de MMA e futebol, o Gonçalo apoia fervorosamente o Benfica e a ideia de que desportos de combate não são apenas socos e pontapés.                                                                                                                                                 O Gonçalo não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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