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Nuno Delgado, um herói dentro e fora do «Tatame» | Judo

Diogo Rodrigues · 4 min

Nuno Delgado a segurar a medalha olímpica
Foto: Escola de Judo - Nuno Delgado

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Artigo do bola na rede sobre o judoca Nuno Delgado

Nascido em agosto de 1976, no seio de uma família sempre preocupada com os mais desfavorecidos, Nuno Miguel Delgado começou com a tenra idade de sete anos a praticar a modalidade na qual tantas alegrias deu a este país. O então menino Nuno descobriu o encanto pelo Judo por intermédio dos seus amigos da casa do SL Benfica de Santarém, o jovem ribatejano nem hesitou. Foi amor à primeira vista.

Com o gosto a tornar-se um amor para a vida toda, o petiz começou a conciliar os estudos durante a semana com as competições ao fim de semana. Com excelentes resultados a nível escolar, o desenvolvimento enquanto atleta ia correspondendo aos feitos académicos.

Com apenas 15 anos, colecionava já três títulos de campeão nacional na categoria de menos 78Kg, algo que lhe valeria a saída para o Sport Algés e Dafundo, um dos maiores clubes nacionais da modalidade, proporcionando-lhe todas as condições para continuar a sua trajetória ascendente, repleta de êxitos.

Chegado ao clube, começa imediatamente a dar nas vistas, sendo pedra imprescindível para a afirmação nacional e internacional da formação lisboeta.

A PRIMEIRA GRANDE CONQUISTA ALÉM FRONTEIRAS

O sucesso internacional do desportista luso começou a ser traçado em 1998, nas Universíadas realizadas em Praga, na República Checa, onde conquistou a medalha de bronze na categoria de menos 78kg. No entanto, a sua expansão e respetivo reconhecimento internacional estavam apenas a dar os primeiros passos.

No ano seguinte, obteria o quinto posto nos Campeonatos do Mundo disputados na Polónia. Classificação esta que, Juntamente com as conquistas de alguns troféus de reconhecida valia, foram motivos mais que suficientes para que lhe fosse concedida uma bolsa olímpica de modo a dispor de todas as condições para um bom desempenho no maior evento desportivo à escala planetária.

A SURPRESA EM SYDNEY

Os Jogos Olímpicos de 2000 marcavam a estreia de Nuno no certame com as cores da bandeira lusitana, sendo que a probabilidade de conseguir um dos metais por todos ambicionados era bastante reduzida.

À medida que o torneio avançava, as suas hipóteses iam aumentando. Tudo começou com as vitórias face a dois ex-campeões mundiais na categoria de menos 81Kg, ambos derrotados com recurso ao Ippon, golpe que faz o atleta vencer de imediato o combate, imobilizando o adversário.

Após ter sido afastado por escassa vantagem de Waza-ari, do duelo pelo ouro, venceu de forma simples, novamente por Ippon, o vice-campeão sul-americano em título. Nuno tornava-se, assim, no 16º medalhado do olimpismo nacional, bem como ni primeiro no Judo, feito replicado por Telma Monteiro nos Jogos do Rio, em 2016, e por Jorge Fonseca em Tóquio, em 2021, com os três a conquistarem o bronze.

O judoca continuou a vencer, combatendo durante um largo período por um conjunto alemão, nas competições de maior renome europeu. Foi ainda tricampeão da Europa entre 2001 e 2004 em representação do seu clube de sempre, o Sport Algés e Dafundo.

O FRACASSO E A RETIRADA

Corria o ano de 2004, ano de certame olímpico, desta feita em Atenas, e Nuno foi designado como o porta-estandarte da bandeira lusa na cerimónia de abertura da “festa do desporto”. No entanto, a sua estadia apenas durou enquanto não se iniciaram as provas de Judo, sendo logo afastado no combate de estreia, sem mácula e por Ippon. Viria a saber-se mais tarde que competiu por “amor à pátria”, visto encontrar-se lesionado.

O AFASTAMENTO E A PREOCUPAÇÃO COM OS MAIS DESFAVORECIDOS

As malditas lesões continuaram a atormentar o genial competidor português, levando-o a findar a carreira enquanto desportista de alta competição em 2005. Mas parar não fazia parte do seu vocabulário, o que o levou a criar uma escola, à qual deu o seu nome. Com o objetivo principal de inserir no desporto, mas, acima de tudo, na sociedade, jovens de contextos sociais problemáticos ou com algumas deficiências associadas.

Este serviço à comunidade fez com que, em 2010, aquando da “maior aula de Judo do Mundo”, em que conseguiu reunir mais de quatro mil e quinhentas crianças e jovens no Terreiro do Paço, em Lisboa, recebesse uma distinção da Organização Europeia de Judo, como prémio da sua entrega aos outros.

A 27 de maio de 2015, chega a mais que justa homenagem: a condecoração com a Ordem de Mérito do Infante D. Henrique.

Herói no «Tatame» e um exemplo fora dele, é um dos maiores símbolos do desporto português, a quem se deve o grande crescimento e afirmação do Judo no panorama desportivo nacional.

Foto de Capa: Escola de Judo – Nuno Delgado

Artigo revisto por Gonçalo Tristão Santos

Nuno Delgado

Diogo Rodrigues

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