CM Punk: Pois, a UFC não pode ser isto

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Portanto, qual é o fundamento de colocar CM Punk num octógono? Eu sei a resposta mas não a compreendo. Sei que a narrativa que pretendiam veicular é entusiasmante. Sei que para Philip Brooks seria quase impossível recusar uma oferta da UFC perante os números do contrato envolvidos, mesmo sabendo (presumo que tivesse essa consciência) da impossibilidade de ser bem-sucedido frente a atletas mais novos, mais experientes e mais aptos para o desporto.

O combate foi horrendo. A falta de técnica dos dois indivíduos foi evidente. A forma como Philip Brooks se movia no octógono indiciava o seu nível de experiência. Philip movia-se com a guarda em cima e demasiado estática, com deslocações robóticas e um boxe lento e infrutífero.

CM Punk mostrou dificuldades durante o combate
Fonte: UFC

Podemos retirar daqui várias lições. Se me permitirem, passarei a enumera-las:

1 – A idade é um posto, não tenhamos dúvidas disso. Também é verdade que a experiência que a idade nos dá pode ser canalizada em vários sentidos. Um atleta experiente saberá, por certo, utilizar o seu corpo de forma muito mais eficiente do que um jovem pleno de vigor físico. Adicionalmente, as inúmeras sequências de treino permitem a automatização de técnicas, movimentos e estratégias. No caso das MMA, isso significa que o atleta já se debateu com vários e distintos cenários de luta, diferentes adversários com padrões comportamentais e que terá um conhecimento das suas próprias forças e fraquezas muito superior ao de um jovem. Mas no caso de CM Punk nada disto se aplica. Como é que alguém pode pensar que, sem experiência alguma em artes marciais, pode interiorizar um alargado conjunto de movimentos e técnicas num curtíssimo espaço de tempo. Caros leitores, não é possível

2 – A fama vende. CM Punk vende. Estas premissas são cruciais para explicar a decisão de colocar este combate no main card. O foco, a curiosidade para assistir à iminente queda no abismo poderão ser um grande chamariz. Mas o nível técnico exibido neste combate põe em risco um dos mais sagrados argumentos dos fãs de UFC. Assumo o risco de falar em seu nome quando digo que os fãs assistiam aos eventos para ver e admirar os artistas marciais. Sim, a luta como forma de arte. Os pontapés precisos, as técnicas afinadas, as transições, as finalizações, as trocas de golpes, os argumentos técnicos que tornavam um combate competitivo. UFC era arte e isso era um argumento fortíssimo para justificar esta paixão. No entanto, parece que a administração da UFC pretende valorizar o nível de fama dos atletas em detrimento das suas aptidões. Não houve arte neste combate, por isso, para mim, não houve UFC. UFC não era pancada, era arte.

A CM Punk resta-me desejar-lhe uma próspera vida longe do octógono. Espero que reencontre o sucesso numa outra área que não as mma. Digo isto, não só por mim como pela saúde do próprio. Reconheço a coragem e o esforço, mas isto não é para ti.

Foto de Capa: UFC

João Pedro Chitas
João Pedro Chitashttp://www.bolanarede.pt
Amante, praticante e obcecado por Artes-Marciais. Acredita que a UFC foi a melhor coisa que aconteceu no desporto depois do ouro de Carlos Lopes.                                                                                                                                                 O João escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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