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21 de Janeiro, 2022

UFC Fight Night: Miocic vs Hunt – Ar fresco para os Pesados

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Como são incríveis Stipe Miocic e Mark Hunt… O primeiro por mostrar excelência em todos os níveis e fases do combate, o segundo por ter levado uma literal tareia… e nunca ter arredado pé. Convém recordar que a divisão de Peso Pesado está repleta de lutadores com capacidade de colocar o adversário inconsciente com apenas um soco. Posto isto, Miocic acertou 361 strikes em Hunt, um novo recorde dentro do octógono. Hunt não vacilou com nenhum, sendo apenas traído pela clara falta de cardio. Não fosse o árbitro a interromper o combate aos 2 minutos e 47 da 5ª ronda, Hunt teria continuado a resistir e a adiar o inadiável: a vitória de Miocic.

O primeiro combate do evento, que teve lugar em Adelaide, na Austrália, foi encabeçado por Jake Matthews e James Vick, ambos invictos à entrada para o combate. Matthews até entrou melhor e mais agressivo, mas foi Vick quem acabou por se superiorizar: acertou uma joelhada forte que abalou o seu adversário, ganhando assim espaço para fechar uma guilhotina, acabando por levar Matthews para o chão e lá exercer pressão, obrigando-o a bater. Grande vitória para Vick, que foi um dos premiados com o bónus de Performance da Noite.

James Vick (calções vermelhos) executa a guilhotina que lhe daria a vitória Fonte: UFC
James Vick (calções vermelhos) executa a guilhotina que lhe daria a vitória
Fonte: UFC

O combate que se seguiu não lhe ficou atrás, antes pelo contrário: o veterano Anthony Perosh defrontou Sean O’Connell num combate que pode muito bem vir a ser o seu último, pelo menos na UFC. Isto porque O’Connell “desfez-se” de Perosh com relativa facilidade, acertando boas sequências desde início, que acabaram por abalar Perosh e levaram o árbitro a interromper o combate, à falta de resposta do lutador de 42 anos. 56 segundos bastaram para que O’Connell vencesse, mas isso não foi o suficiente para lhe valer um bónus. Isto porque Whittaker subiu a parada no combate seguinte.

O australiano Robert Whittaker foi ainda mais rápido do que O’Connell a derrotar o seu adversário, algo que fez em apenas 44 segundos. Brad Tavares, que era, na altura, o número 14 do ranking de Peso Médio, foi atingido com uma esquerda fortíssima de Whittaker, que mal o viu a ceder atacou de forma furiosa, obrigando o árbitro a interromper o combate. Com esta exibição, Whittaker ascendeu ao lugar de Tavares no ranking. É, certamente, alguém que promete.

Apesar da espetacularidade dos combates que o antecederam, foi o último que roubou o espetáculo, por razões já acima referidas. Aliás, pouco mais há a dizer do que aquilo que foi dito no começo deste artigo. Foi um autêntico domínio, palavra que parece ficar aquém no que toca à altura de descrever aquilo que Miocic exerceu sobre Hunt. Durante cinco rondas o número quatro do ranking de Peso Pesado fez do neozelandês aquilo que lhe apetecia. Hunt, que é de ascendência samoana, não se permitiu desistir, o que resultou num espetáculo desolador para quem o apoiava. O combate deveria ter sido parado à entrada para a quarta ronda, mas nem o árbitro, nem o médico, nem a equipa de Hunt considerou que isso fosse necessário.

Eis o reflexo de todo o combate – Hunt (calções pretos) constantemente em posição de defesa, mesmo depois de o combate ter terminado Fonte: UFC
Eis o reflexo de todo o combate – Hunt (calções pretos) constantemente em posição de defesa, mesmo depois de o combate ter terminado
Fonte: UFC

Miocic acabou por vencer na quinta ronda, juntando assim esta exibição a um catálogo que muito provavelmente lhe dará uma oportunidade de combater pelo título de Peso Pesado, que será unificado a 13 de Junho, no UFC 188. Cain Velasquez, actual campeão, que esteve afastado devido a lesão, e Fabricio Werdum, campeão provisório, vão decidir quem é o verdadeiro campeão de uma divisão que se tem mostrado algo vazia. Cain é, de longe, o lutador mais excitante de todos os pesos Pesados, mas está constantemente lesionado, prejudicando não só a sua carreira como toda a categoria de peso. É uma divisão velha (média de idades ronda os 34 anos) e sem grandes perspectivas de futuro. Miocic é, por isso, uma lufada de ar fresco. À falta de concorrentes óbvios ao título, este representa a escolha mais acertada para o próximo combate daquele que sair como campeão em Junho.

Foto de Capa: UFC