

UFC, 15 de junho, 02h00
O octógono ruma a um cenário histórico para um dos eventos mais ambiciosos da era Paramount+, com disputas de cinturão e confrontos de alto impacto.
O UFC prepara-se para um marco sem precedentes com o evento “UFC Freedom”, que terá lugar na Casa Branca. Este card não só simboliza a expansão comercial da organização sob o novo acordo bilionário, como também apresenta alguns dos combates mais aguardados pelos entusiastas das artes marciais mistas.
Luta Principal: Ilia Topuria vs. Justin Gaethje
Cinturão Peso-Pena
O atual campeão dos pesos-pena, Ilia Topuria, enfrenta o recém-coroado campeão interino dos pesos-leves, Justin Gaethje, num duelo que promete ser explosivo. Gaethje chega a este combate após uma performance dominante contra Paddy Pimblett no UFC 324, onde conquistou o cinturão interino pela segunda vez na carreira.
Embora Topuria seja o favorito natural na sua divisão, a “mão pesada” de Gaethje e a sua resiliência em guerras de cinco assaltos representam um risco real para o reinado do espanhol.
Parece um roteiro saído dum filme da saga “Rocky”, com Justin a ter que lutar contra todas as odds, a meu ver caso vença, seria uma das maiores histórias de “underdog” possível, porque tudo indica que vamos ter mais um homem brutalmente nocauteado, caso não surja um milagre
Este combate é também crucial para as contas de Conor McGregor, que caso vença Holloway, pode puxar uma potencial super-luta pelo título dos leves.
Luta Co-Principal: Alex “Poatan” Pereira vs. Cyril Gane
Cinturão Interino de Pesos-Pesados
Após abdicar do cinturão de pesos meio-pesados para subir de categoria, Alex Poatan procura fazer história ao tentar o seu terceiro título em divisões diferentes no UFC. O brasileiro terá pela frente o técnico Cyril Gane num combate pelo título interino da divisão.
O confronto de estilos é fascinante: de um lado, o poder de nocaute avassalador de Poatan; do outro, a movimentação fluida e o kickboxing de elite de Gane.
Esta luta pode acabar por decidir o campeão linear, tanto caso acabe por lutar e vencer Tom Aspinall, mas a meu ver o inglês não voltará ao octógono do UFC, porque ambas as partes (Tom e UFC) não querem.
O inglês juntou-se ao conterrâneo Eddie Hearn, promotor número 1# do boxe, e inimigo assumido de Dana White, e começou a levantar o tema da falta de compensação pelas lutas.
Isso com o desdém público de Dana à lesão que terminou a luta entre o inglês e o francês, levam-me a crer que a relação já não tem volta a dar.
Em relação à luta, será complicado, mas tudo depende se o poder de nocaute do brasileiro consegue manter-se contra um adversário naturalmente mais pesado, caso sim, Poatan por KO.
O Fenómeno Josh Hokit
Josh Hokit tornou-se uma das maiores sensações recentes da organização. Após “roubar a cena” no UFC 327 com uma abordagem caótica nos media days e uma vitória épica contra Curtis Blaydes, que lhe garantiu a vaga neste card histórico para enfrentar o veterano e favorito dos fãs, Derrick Lewis.
Espero um duelo de “dinamite pura” entre dois lutadores que raramente deixam a decisão nas mãos dos juízes.
O fator idade/ condicionamento físico jogará bastante a favor de Hokit, que poderá drenar a potência dos braços de Lewis, e tirar-lhe a sua maior arma.
A Ascensão de Mauricio Ruffy
Outro nome a ter em conta é Mauricio Ruffy. O brasileiro, que impressionou ao nocautear Rafael Fiziev no UFC 325, demonstrou publicamente o seu interesse em lutar neste evento, chegando a desafiar nomes como Paddy Pimblett e Conor McGregor. A sua técnica exímia e o timing perfeito fazem dele um dos prospectos mais perigosos da atualidade.
O evento conta ainda com Sean O`Malley, Diego Lopes e Bo Nickal no card.
O UFC Freedom apresenta-se como um divisor de águas, combinando o prestígio de um local icónico com a qualidade técnica de campeões estabelecidos e estrelas em ascensão meteórica.
A programação do evento pode ser condicionada pelas questões climáticas, visto que há previsões de chuva e ventos fortes, e sendo um card ao ar livre, pode ser que isso seja um fator determinante em algumas reviravoltas. É só imaginar o cenário em que um lutador esteja por cima, mas uma pausa por motivos de força maior, dá tempo ao adversário de se recuperar e fazer ajustes, e ele acaba por ter uma queda na adrenalina e não é o mesmo no retorno…
Será também um momento de “furar a bolha” para o MMA, porque o evento contará com cobertura em canal aberto (embora isso não seja inédito) e tem tudo para bater recorde de audiências, se equacionarmos todos os fatores.

