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No gelo de Ruka, o campeão acabou por “congelar” | Saltos de Esqui

Após as duas primeiras etapas disputadas na Rússia, a Taça do Mundo de Saltos de Esqui faria escala em solo finlandês, mais em concreto na cidade de Ruka, para mais duas provas individuais. Seria altura de ver se o alemão Karl Geiger teria a “arte” necessária para defender convenientemente o dorsal amarelo envergado em consequência de entrar para o fim-de-semana na liderança do campeonato.

Os atletas teriam de enfrentar o trampolim Rukatunturi, uma estrutura de 142m que via o K-Point estar situado aos 120m e cujo o record era co partilhado por três saltadores, que por curiosidade, estavam em competição: o austríaco Stephan Kraft, o japonês Ryoyu Kubayashi e o alemão Karl Geiger ,  que em anos consecutivos entre 2017 e 2019 haviam aqui voado 147.5m. Esperava-se que durante as duas provas individuais e respetivas rondas qualificativas fosse possível  igualar ou até mesmo suplantar esses registos.

A qualificação de sexta-feira, que apuraria os melhores 50 saltadores para a terceira competição individual da época parecia prometer boas marcas, visto que o vento ia estando forte e a soprar no sentido do salto projetando assim os atletas para marcas mais distantes e vistosas. A mesma contaria com 76 competidores , em representação de 20 países, destacando-se de entre estes o imenso contingente finlandês, visto serem a nação anfitriã.

A qualificação, que inicialmente viu as marcas serem realizadas do portão 14, com este a cair uma posição mais para meados da mesma , por conta da força do vento que se fazia notar de forma mais intensa, seria arrecadada pelo samurai Ryoyu Kubayashi, que “tirava da cartola” um incrível salto de 147m deixando água na boca quanto a uma eventual nova melhor marca nesta estrutura.

O segundo posto, esse ficaria para o austríaco Daniel Huber que à semelhança do nipónico realizava um voo de enorme recorte técnico e em que a distância era para lá de boa, no caso 141.5m! Com o terceiro melhor registo ficava o discreto germânico de 31 anos, Pius Paschke ao voar 139.5m. Ainda dentro dos cinco melhores registos, nota para: Naoki Nakamura do Japão com 137me para Stephan Kraft, com o baixinho austríaco a efetuar 135m.

De resto este era um dia bastante feliz para o país do esqui, dado colocar três saltadores entre os dez registos mais fortes, cifra essa igualada pela sua arquirrival Alemanha. Ainda quanto a nações, de salientar os cinco atletas russos qualificados para a competição a ter lugar no dia seguinte, algo raro nos dias que correm.

No polo diametralmente oposto, a destacar os caseiros que com mais de uma dezena de homens a participar nesta qualificação viam somente o jovem Niko Kytosaho apurar-se para o evento, longe dos lugares cimeiros. Com maiores, ou menores dificuldades todos os presentes pareciam cumprir os seus objetivos, apesar do polaco David Kubacki o fazer recorrendo a serviços mínimos, visto que o antigo campeão do mundo em trampolim normal rubricara uns parcos 114m, qualificando-se apenas na 48.ª posição.

Contudo a maior surpresa deste começo de temporada ainda estaria por aparecer! O facto do norueguês Halvor Egner Granerud, campeão em título e vice-líder da Taça do Mundo de Saltos de Esqui, que seria alvo de uma enorme “tragédia”, com este a ter um desequilíbrio na saída do trampolim, o que fez com que  se precipitasse rapidamente para o solo e registasse apenas 111m, que lhe valeram a 53.º marca da ronda.

Igual sorte teria o alfaiate polaco, Stefan Hula, que averbando 116.5mveria a prova de sábado das bancadas do Rukatunturi. Se haviam atletas a desiludir outros acabavam por surpreender pela positiva, casos como o do turco Fatih Arda Ipcioglu, ao qualificar-se pela segunda ocasião consecutiva para uma competição da Taça do Mundo de Saltos de Esqui, e os do transalpino Giovanni Bresadola e do gaulês Valentin Foubert.

Com a noite a adensar-se e com o frio a acentuar-se decorreria a ronda inaugural que prometia bastante , pois o vento ia estando fraco e favorável ao sentido do salto. Sem Granerud em competição, Geiger sabia que  teria oportunidade de ouro para dilatar a margem no comando da geral. Quem saía na frente após a ronda inicial era o jovem esloveno Anze Lanisek, ao anotar impressionantes 141m realizados do portão 15, posição que desceria a pedido de Ryoyu Kubayashi que com 138m garantia a vice-liderança.

A completar o pódio, por estes momentos, ia estando outra jovem promessa dos eslovenos, Timi Zajc que voara 141m. Ainda dentro dos cinco mais da ronda, destacar os 140.5m da autoria do viking Robert Johanson que segurava a quarta posição e para os 139.5m assinados por Marcus Eisenbichler.

Ainda merecedores de destaque os austríacos: Jan Hoerl em sexto e Stephan Kraft  um lugar atrás, com o primeiro a repetir a prestação da primeira ronda no segundo evento de Nizhny Tagil. A dúvida de se o mais jovem conseguiria mostrar dois saltos consistentes, essa permanecia!

A registar, com agrado, o facto de para além de Kubayashi também os seus compatriotas: Naoki Nakamura e Yukiya Sato conseguirem presença entre os dez primeiros da ronda. Kamil Stoch para a Polónia e Daniel Andre-Tand para a Noruega, eram atletas que embora qualificados para a ronda final viam como muito prováveis marcas bem distantes da frente.

David Kubacki e Andreas Wellinger, polaco e germânico, viam a segunda ronda tornar-se uma miragem, visto terem anotado respetivamente 124.5m e 123m. Mas não seriam apenas eles os nomes célebres a ficarem prematuramente pelo caminho, também o norueguês Marius Lindvik e o polaco Andrzej Stekala concluiriam a sua atuação mais cedo do que esperariam!

A segunda ronda prometia emoção, competitividade e espetáculo, visto os melhores estarem separados por escassas margens, aliás eram apenas 1.2 pontos a distar os dois primeiros.

A verdade e por incrível que possa parecer para aqueles que não estão tão familiarizados com estas questões dos saltos de esqui, é que as condições climatéricas, em apenas cerca de um quarto de hora, período que mediara as duas rondas alterar-se-iam drasticamente: o vento estava agora bastante forte, de cauda e contrário ao sentido do salto provocando que primeiramente as marcas fossem quilometricamente inferiores às vistas na primeira parte do certame, bem como que o portão fosse alterado variadas vezes ao longo da ronda, mas nunca estabilizando durante muito tempo.

Quem mais sorria dado o pobre espetáculo, eram os eslovenos: Lovro Kos, que “treparia” 15 lugares desde a 30ª até à 15ª posição e o recém papá Peter Prevc, por isso ausente das primeiras duas etapas da competição, que finalizava o dia com um saboroso 11º posto após ganhar 14 lugares. Também Killian Peier, helvético de 26 anos contaria 14 escalpes, “aterrando” na sexta posição. Em sentido inverso realçar a queda do austríaco Jan Hoerl, que demonstrando que terá de trabalhar o aspeto da consistência exibicional findaria num desapontante 17.º posto, depois de um sexto lugar na primeira ronda que indiciava algo bem mais abonatório! Em quinto, longe de impressionar, mas capitalizando a ausência de Granerud ficaria Karl Geiger, com Kraft a dar mais uma vez boa conta das suas capacidades a concluir em quarto.

Nas medalhas, registando um segundo voo de 132.5m ficaria Eise. A prata seria conquistada por Lanisek, que via o primeiro triunfo adiado, não propriamente por demérito, visto ter averbado 141m na segunda tentativa, mas porque teve o azar de contar com um super rival Ryoyu Kubayashi que “arrancando” 143m, salto que viu ser-lhe dada uma nota 20 símbolo da perfeição por um dos juízes, conquistava deste modo a  20ª vitória da carreira e a segunda da temporada. Stoch e Ammann, bem distantes do topo seriam grandes desilusões na segunda ronda.

O Diogo é licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade Lusófona do Porto. É desde cedo que descobre a sua vocação para opinar e relatar tudo o que se relaciona com o mundo do desporto. Foram muitas horas a ouvir as emissões desportivas na rádio e serões em família a comentar os últimos acontecimentos/eventos desportivos. Sonha poder um dia realizar comentário desportivo e ser uma lufada de ar fresco no jornalismo. Proatividade, curiosidade e espírito crítico são caraterísticas que o definem pessoal e profissionalmente.

O Diogo é licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade Lusófona do Porto. É desde cedo que descobre a sua vocação para opinar e relatar tudo o que se relaciona com o mundo do desporto. Foram muitas horas a ouvir as emissões desportivas na rádio e serões em família a comentar os últimos acontecimentos/eventos desportivos. Sonha poder um dia realizar comentário desportivo e ser uma lufada de ar fresco no jornalismo. Proatividade, curiosidade e espírito crítico são caraterísticas que o definem pessoal e profissionalmente.

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