Anúncio Publicitário
Anterior1 de 2

A festa final da Taça do Mundo de esqui alpino, que não se realizara na temporada transata devido aos constrangimentos provocados pela Covid-19, teve lugar este ano na estância Suíça de Lenzerheide, na pista Silvano Beltrametti, assim designada desde 2001 em homenagem a um atleta helvético que ficara paraplégico aos 22 anos numa prova de velocidade na Taça do Mundo, após embater numa rocha escondida atrás de um grande pedaço de gelo.

Foi neste complexo desportivo, um dos melhores para a prática destas modalidades alpinas, que se iriam supostamente decidir todos os “globos de cristal” referentes à presente época. Contudo e fruto das fracas condições de visibilidade, por conta de um gigantesco nevão que cobrira aquele local de um imenso manto branco, não foi possível realizar as provas de velocidade em nenhum dos setores. Algo que fez desde logo “estalar o verniz” entre a FIS (Federação Internacional de Ski) e os atletas que alegaram que  os regulamentos  desta festa final têm de ser alterados visto que os mesmos não preveem o reagendamento de provas suspensas devido a condições climatéricas, ao contrário da temporada regular e dos grandes certames, como  Olimpíadas ou Campeonatos do Mundo, nos quais é dada uma “janela temporal” de modo a permitir que todas as corridas tenham efetivamente  a sua realização assegurada.

Anúncio Publicitário

Assim sendo e dado que não foi possível competir devido às condições meteorológicas os “globos” destas disciplinas foram entregues aos esquiadores/as que comandavam as respetivas classificações. Do lado masculino, o atleta da casa, Marco Odermatt, foi declarado o vencedor da classificação na vertente de Slalom Gigante. Na mesma disciplina, mas nas senhoras, o “globo” também ficou em casa, tendo sido atribuído à “joia do Ticino” a desportista de 28 anos, Lara Gut-Behrami, que arrasou a concorrência vencendo o título com mais de 300 pontos de vantagem para as demais rivais.

Quanto ao Downhill, nas raparigas, foi a também suíça Corinne Sutter quem levou o “caneco”, sendo que nos rapazes semelhante feito foi conseguido pelo austríaco Vincent Kriechmayr que teve uma temporada para não mais esquecer, visto que para além deste troféu obteve ainda dois ouros nos Mundiais de Cortina Del Peso em Itália ao vencer as duas provas de velocidade.

Com a ação, que deveria ter principiado na quarta-feira, a ter de ser adiada para sexta, foi de forma absolutamente inesperada e até um pouco paradigmática, que a competição por equipas mistas realizada num traçado híbrido, entre o Slalom Gigante e o Slalom, que teve lugar a disputa.

De realçar que apesar da enorme segurança existente em todo o recinto, o evento foi realizado à porta aberta, adotando, no entanto, uma lotação máxima de 5000 espectadores por dia. Algo que é sempre digno de festejo em tempos nos quais todos os desportos sem exceção têm sido afetados de modo ainda incalculável por esta terrível pandemia.

Voltando ao que aqui me traz e numa competição em que foi de notar a ausência da seleção francesa, facilmente compreensível, dado que as suas principais figuras competiriam nos dias seguintes pela conquista de vários globos e visto que esta disputa por equipas é uma competição na qual, não obstante esteja em jogo o prestígio e a honra dos competidores, não atribui qualquer troféu. Foram apenas nove os países que integraram o pelotão inicial, numa compita realizada no sistema de eliminatórias.

Quem acabou por sair vencedora, foi a mesma formação que havia celebrado algumas semanas antes o título mundial, o conjunto norueguês composto por: Kristin Lysdahl, Kristina Riis-Johannessen, Sebastian Foss-Solevaag e Leif Kristian Haugen. Na prata ficou o quarteto alemão formado pelos seguintes membros: Lena Duerr, Andrea Filser, Alexander Schmid e Linus Strasser, este último um grande admirador e especialista de provas disputadas em paralelo. De salientar que os germânicos apenas saíram derrotados, com recurso ao desempate por tempos, uma vez que concluídas  as quatro mangas, cada um dos conjuntos havia se superiorizado ao adversário por duas vezes. No entanto foi a formação nórdica a festejar por último! De referir ainda que a terceira posição coube à equipa  Austríaca, constituída por: Franziska Gritsch, Katharina Huber, Fábio Gstrein e Adrian Pertl.

De realçar que não houve nota de surpresas nesta prova que dava o pontapé de saída a mais uma edição desta semana final de temporada.

No dia seguinte, foi bem cedo pela manhã que se disputou a competição de Slalom Feminino, com uma lista de partida de apenas 24 participantes, visto que o acesso a esta “festa final” cingia-se aos 25 melhores classificados de cada disciplina individual, bem como aos praticantes  ao abrigo da cláusula dos 500 pontos. Estes esquiadores/as que embora não pertençam a esse lote restrito, têm devido à sua pontuação na geral possibilidade de caso pretendam se inscreverem mesmo em todas as competições se assim o entenderem. Os campeões do Mundo juniores de cada especialidade são também convidados a tomar parte nas listas de partida.

Com apenas 19 a lograrem completar o exigente traçado nas duas mangas, que comportam as disciplinas técnicas, foi a jovem austríaca Katharina Liensberger a somar o seu primeiro globo de cristal de toda a carreira, juntando desta forma este sucesso na Taça do Mundo ao ouro obtido em Cortina. A desportista de 22 anos suplantou nesta classificação as bem mais consagradas: Mikaela Shiffrin dos EUA que perdeu para a europeia não só nas contas finais da especialidade bem como saiu por baixo nesta derradeira jornada e Petra Vlhova que acabou por se concentrar na discussão da geral global da Taça do Mundo, optando por descurando um pouco esta classificação em particular. Ainda de declarar que o bronze foi entregue à desportista da casa, Michelle Gisin, que se revelou uma competidora todo-terreno, visto pontuar forte em todas as disciplinas, algo que lhe valeria a terceira posição final na geral.

Antes de findar o penúltimo dia de ação no que à temporada de esqui alpino dizia respeito, teve lugar o episódio final do lado masculino, na especialidade de Slalom Gigante. Numa lista que possuía 22 inscritos à partida, sendo que se registaram três provas não terminadas, foi então que ficou selada a vitória na geral do Francês Alexis Pinturault que juntou o útil ao agradável ou seja, não só garantiu matematicamente o triunfo na geral, como arrecadou o “globo de cristal” na disciplina rainha. Quanto ao Gigante, tornou-se apenas no quarto esquiador gaulês a conseguir conquistar esta disciplina na Taça do Mundo.

Já no que concerne ao “grande globo” repetiu o feito do esquiador que competia em velocidade, Luc Alphand, granjeado na temporada 96/97, a pretérita ocasião em que esta almejada conquista tinha rumado a terras francesas. Resignado com a prata, ficou o croata e “herdeiro” de Ivica Kostelic, Felip Zubcic, no entanto a mais de um segundo do grande vencedor. O degrau mais baixo do pódio seria também ocupado por um praticante francófono, no caso Mathieu Faivre, que se sagrara campeão Mundial na única disciplina na qual compete.

No dia em que correu o pano sobre a temporada 20/21 da “Champions do Esqui Alpino” tiveram lugar as derradeiras competições.

As senhoras encerraram a sua aparição no “circo branco” disputando um Slalom Gigante onde já tudo estava resolvido, visto a transalpina Marta Bassino, já ter conquistado esta classificação, sendo assim a italiana nem gastou “todo o combustível” que tinha no tanque! Geriu claramente o seu esforço concluindo a compita apenas na 7ª posição. Quanto à última vitória da temporada, essa sorriu à neozelandesa Alice Robinson, de apenas 19 anos. O  segundo posto foi ocupado pela norte-americana Mikaela Shiffrin, enquanto no terceiro lugar marcou presença a eslovena Meta Hrovat, que garantiu deste modo o primeiro pódio da carreira.

Ainda mais duas notas: Petra Vlhova, para a nação eslovaca e mesmo apesar de se ter quedado apenas pelo 11º lugar, escreveu história, visto que nunca uma esquiadora/esquiador pertencente a esta seleção havia arrebatado a Taça do Mundo da modalidade. Quanto à italiana, Elena Curtoni, a mana mais velha deste afamado clã bem conhecido dos amantes  da modalidade terminou em 13º lugar em 16 praticantes que de entre 19 cumpriram ambas as descidas. Deste modo  pôs termo a uma carreira ao mais alto nível de mais de duas décadas na Taça do Mundo, tendo sido agraciada com um lindo ramo de rosas já na praça de meta.

Os homens tiveram honras de fecho da competição, levando a cabo a disputa alusiva ao derradeiro Slalom  da temporada, com o título de disciplina a já estar fechado em favor do austríaco Marco Schwarz que atingia assim o trono na variante, dado que havia sido consagrado com o ceptro Mundial da especialidade.

Quanto ao último pódio deste ano desportivo, o mesmo viu serem inscritos os nomes do também austríaco Manuel Feller no seu degrau mais alto, algo que conseguia apenas pela segunda vez em toda a carreira, Clement Noel de França no posto intermédio e o seu compatriota  Alexis Pinturault que o completou. Quanto ao já vencedor da disciplina, quedou-se somente pelo 6.º posto.

Desta forma terminou mais uma temporada inesquecível, que teve como ponto alto os Mundiais de Esqui Alpino realizados na belíssima estância de Cortina Del Peso e que contou com a nossa cobertura.

Em outubro, na sua última semana, o Esqui Alpino regressa já com as tradicionais provas em Solden, em território Austríaco.

Até lá continue a ver e a praticar desporto, sempre com a melhor informação a ser oferecida pelo BNR.

Foto de Capa: FIS Alpine

Anterior1 de 2

Anúncio Publicitário

DEIXE UM COMENTÁRIO

Comente!
Por favor introduz o teu nome