Um dos (vários) momentos altos da temporada passada no que diz respeito ao desporto motorizado em Portugal, foi a coroação de António Félix da Costa (DS Techeetah) como campeão de Fórmula E. Eu iria mais longe, não foi só apenas uma vitória, foi como se um rolo compressor de bandeira portuguesa às costas passa-se por cima de toda a grelha de Fórmula E. Foi também inesperado, porque António foi precisamente para a toca do “Rei da Selva”, o bicampeão Jean-Éric Vergne, que apenas pode apreciar de longe a forma do português.

Há mudanças, grandes nomes da pilotagem deram o salto para outras equipas, e duas das equipas mais significativas vão dar o salto no final da temporada para outras andanças. Falo por exemplo da mudança de Sam Bird da Virgin Racing para a Jaguar, ao lado de Mitch Evans, um dos duos mais fortes desta época, e também, da saída anunciada da Audi e da BMW, apesar que as equipas em si, (ABT e Andretti respetivamente) mesmo sem apoio de fábrica, tem intenções de continuar na categoria.

Até agora o único vislumbre que tivemos daquilo que poderá ser a ordem das coisas deixou mais perguntas do que respostas. Nos testes de Valência, durante a sessão final, a grelha de 24 carros ficou separada por apenas 0,761 segundos, com oito equipas diferentes dentro do top 10. Isto é um equilíbrio que deixaria Thanos orgulhoso, e como tal, ao traduzir-se nas primeiras duas corridas de Ríade este fim-de-semana, podemos esperar uma grelha de corrida muito aleatória, e para a temporada, algo como 2018/2019, em que quase toda a gente da grelha conseguiu chegar a um pódio e durante as primeiras corridas tínhamos sempre alguém novo a vencer.

Fonte: Formula E

Por essa mesma razão, não me parece que esta temporada vá ser dominada por um só piloto como vimos no ano passado. António Félix da Costa já mostrou a Vergne que não está para brincadeiras, e no primeiro ano como Campeonato do Mundo, teremos algumas figuras importantíssimas a atacar o título.

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A Nissan E-DAMS por exemplo, com a equipa constituída pelo campeão de 2015/2016, Sebastien Buemi e o excelente Olivier Rowland, é sempre uma candidata, principalmente depois de conseguir o segundo lugar no campeonato de construtores. É impossível deixar a Mercedes de parte, que após um ano de estreia absurdamente bom, com um terceiro lugar no campeonato, aponta as armas à vitória, e se as corridas de Berlim mostraram algo, foi um presságio assustador do que pode vir, bastante familiar para quem acompanha a outra Fórmula onde a Mercedes atua.

Uma equipa que para mim irá subir a candidata em 2021, será a Jaguar, em particular olhando para o par de pilotos que lá tem, que talvez seja o segundo mais forte da grelha, com Mitch Evans e Sam Bird. Há também os “outsiders”, ou seja, aquelas equipas que podem surpreender pela positiva, como a Porsche, que após um primeiro ano aceitável, pode vir com vontade de mostrar o porquê de ser das equipas mais temidas do desporto motorizado, liderada pelo muito experiente André Lotterer e pelo excelente Pascal Wehrlein.

Fonte: Formula E

Uma equipa que surpreendeu nos testes foi a Dragon/Penske, que com Sergio Sette Camara e Nico Muller apanhou muitos de surpresa com os resultados, contudo, não entra na categoria do “pode até vencer”, isso é reservado para as equipas que abandonam a categoria no final da temporada (BMW e Audi). Ambas tiveram uma temporada passada difícil, de grande inconsistência, por vezes parecendo o carro mais rápido em pista, mas noutras ocasiões não conseguiam superar os adversários.

Os outros talvez tenham de batalhar pelos “restos”, mas como já vimos, o equilíbrio é imenso, e sendo que as equipas apenas podem homologar um único motor para esta temporada, para reduzir custos, bolsos fundos não será a resposta.

Por muito português que seja, estou reticente quando a um bicampeonato de António Félix da Costa. A grelha parece mais forte do que nunca, seja em pilotos ou em equipas, e o “nosso” homem terá de estar pronto para uma resposta de Vergne. Sexta e sábado já teremos a resposta, e de preferência, com uma corrida ao nível do que a Fórmula E nos foi habituando ao longo dos anos.

Foto de Capa: Formula E

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