O Campeonato da Europa de Ralis chegou ao fim e Alexey Lukyanuk tornou-se novamente campeão. Depois do título em 2018, o “foguete russo” tornou-se bicampeão europeu, sucedendo ao britânico Chris Ingram.

O Campeonato da Europa chegou ao fim com o Rali das Canárias. Numa temporada difícil e sem certezas de nada, o Eurosport Events conseguiu montar um campeonato interessante. Em Portugal, não tivemos o Rali dos Açores, mas não foi por isso que o Europeu deixou de vir a Portugal. O evento português foi o Rali Fafe Montelongo, vencido por Lukyanuk.

A ronda espanhola das Canárias, devido à pandemia da COVID-19, foi corrida no outono e isto foi algo que teve imensa influência. Lukyanuk e Solberg chegavam com 27 pontos de diferença. O sol deu lugar à chuva e a indecisão na escolha de pneus foi um dos “adoçantes” do Rali das Canárias.

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Lukyanuk começou com os “jogos”, tendo sido apenas 27.º na qualificação, assim saindo muito atrasado em relação ao seu adversário pelo título europeu. E nem assim conseguiu ter grande vantagem, porque a chuva/sol foi sempre um grande fator.

No final do primeiro dia, Lukyanuk era oitavo classificado, com Solberg na sétima posição. Na liderança, os homens da casa, com o Hyundai i20 R5 de Ivan Ares e David Liste Vásquez. Pepe Lopez, vencedor em 2019, não conseguiu sequer terminar o primeiro dia, com as condições da estrada a estragarem o rali ao espanhol, que bateu forte e danificou a traseira do Citroen C3 R5 da equipa portuguesa Sports & You.

Pedro Almeida e Hugo Magalhães fizeram apenas um dia de Rali, com os comissários a não deixarem começar o segundo, devido a Peugeot 208 Rally4 não reunir as condições de segurança
Fonte: FIA ERC

No segundo dia, as incertezas da chuva, levaram a mudanças na liderança do rali. Depois de recuperar a liderança, Nil Solans teve dois furos na SS11 e com apenas um pneu de substituição, a hipótese de vencer nas Canárias esfumou-se, deixando assim o especialista em asfalto, e o piloto da M-Sport no Campeonato do Mundo de Ralis (FIA WRC), Adrien Fourmaux, na liderança. O francês aguentou-se até ao final e venceu pela primeira vez no Europeu de Ralis. Outro especialista em asfalto, Yann Bonato, levou o Citroen C3 R5 à segunda posição, com o pódio a ficar completo por Ivan Ares. Após a vitória, Fourmax afirmou que «estou contente porque foi um fim de semana duro para todos os pilotos. Acho que todos cometeram erros em algum ponto do rali. Nós fizemos no sábado, mas foi no fim de uma especial. É um grande resultado para a M-Sport e apenas posso agradecer à equipa, que foi perfeita».

José Paula e Valter Cardoso, apesar de começarem o segundo dia, abandonaram com problemas técnicos (na bomba de combustível) na SS11
Fonte: Pico Rallye Team

E os erros de que Fourmax falou bateram à porta de todos, mas no final, e mesmo sem uma exibição de encher o olho, Lukyanuk terminou na sétima posição e conquistou o título. Para o piloto russo, que no penúltimo rali nem sabia se iria conseguir participar nas Canárias «foi um título muito precioso. Claro que gostava de ter lutado nas especiais, mas sabíamos que não era preciso terminar na frente do Oliver, bastava ficar um pouco atrás. O WRC é algo que tenho em mente para o futuro, mas os recursos não são o nosso forte. As condições mundiais não são as melhores e não conseguimos prever nada. Não sei o que vem a seguir, mas vamos continuar a trabalhar».

Para Solberg, o título de Campeão Europeu absoluto não foi possível, mas o título no ERC1 Junior foi conquistado nas Canárias. O piloto, filho de Peter Solberg, disse no final: «Foi uma época incrível. O plano era obter experiência em asfalto, correndo tudo bem em Roma. Na Letónia ficámos a pensar em vencer o ERC1 Junior e o título absoluto. Em Portugal tivemos alguns problemas com turbo e também o acidente não ajudou. Mas, no geral, foi um ano fantástico e ganhei muita experiência».

Craig Breen e Paul Nagle regressaram ao Europeu com um Hyundai i20 R5 com o Team MRF Tyres. O objetivo da dupla irlandesa nunca foi lutar pelo título, mas dar à marca de pneus indiana rodagem e muitos dados, para uma possível introdução nos ralis da europa, terminando fora dos dez primeiros nas Canárias.. Andreas Mikkelson e Anders Jaeger foram outra dupla “refugiada” do mundial que regressou ao Europeu. Em 2020, os noruegueses são pilotos de teste da Pirelli e o regresso com o Skoda Fabia Rally2 Evo ao europeu deu frutos, com uma vitória no Rali da Hungria.

Finalizado mais um ano de Europeu de Ralis, já estamos “em pulgas” para 2021, com Portugal a receber duas provas: o Rali dos Açores e o Rali Serras de Fafe e Felgueiras.

Foto De Capa: FIA ERC

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

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