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E-Prix de Berlim (Corrida 5 e 6): E é tudo, por agora

Luís Manuel Barros · 6 min

E-Prix de Berlim (Corrida 5 e 6): E é tudo, por agora
Foto: Fórmula E

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CORRIDA 5: OLIVER ROWLAND VENCE PELA PRIMEIRA VEZ

Com o título de pilotos e construtores já fechado, as duas corridas que faltavam em Berlim serviram para decidir tudo o resto. Quatro ex-campeões de Fórmula E, incluindo o atual, começaram do fundo da grelha, deixando assim “os outros meninos brincar”.

O homem que melhor aproveitou a oportunidade foi Oliver Rowland (Nissan), que após conseguir a super pole, liderou de início ao fim, para conseguir a sua primeira vitória na Fórmula E, de forma confortável.

O britânico foi seguido durante toda a corrida por Robin Frijns (Virgin), que se manteve sem problemas na segunda posição até ao final. A verdadeira corrida acontecia mais atrás com algum do caos habitual da Fórmula E, começando com o acidente de Oliver Turvey (NIO), Nyck de Vries (Mercedes-Benz) e Sam Bird (Virgin), que envolvidos numa batalha, acabaram por deixar algumas partes do carro espalhadas na pista, mas capazes de continuar.

O campeão António Félix da Costa (DS Techeetah) foi um dos pilotos que começou de trás, mas ao contrário de Jean-Eric Vergne (DS Techeetah) ainda conseguiu fazer progresso, estando em 11.º a certo ponto.

O ex-campeão Lucas di Grassi (Audi) parece continuar a atrair para si incidentes, com um furo causado a Max Gunther (BMW) e ao fechar a porta de forma demasiado agressiva a António Félix da Costa, o que causou um despiste completamente evitável.

O homem em movimento era o alemão André Lotterer (Porsche), que se aproximava do colega de equipa Neel Jani, que seguia em terceiro. O alvo era o pódio, e conseguiu levar a melhor de Jani. Este lugar de pódio não seria para durar, porque René Rast (Audi) decidiu finalmente mostrar um ar da sua graça ao atacar Lotterer e subir para a terceira posição.

A batalha dos dois mantinha-se bem acesa, e Lotterer conseguiria recuperar o último lugar do pódio, mas apenas temporariamente. O alemão da Porsche não conseguiu realizar uma gestão da bateria tão boa como Rast, e viu-se vulnerável nas últimas voltas. De forma bem musculada e que resultou com certeza em riscos na pintura dos monolugares, os dois pilotos batalhavam, sendo que Rast, com melhor gestão da energia, saltou para o pódio, o seu primeiro da Fórmula E.

Quando sai a bandeira axadrezada, a vitória era para Rowland, seguido de Frijns e Rast. Lotterer chegou em quarto lugar, com Alex Lynn (Mahindra) a conseguir o quinto lugar de Jani na última volta. Mitch Evans (Jaguar), Edo Mortara (Venturi), Vandoorne e Buemi completaram o top dez.

O campeão António Félix da Costa não conseguiu terminar e o companheiro de equipa Vergne terminou em 18.º.

A vitória viu Rowland saltar para o segundo lugar na classificação dos pilotos, três pontos à frente de Vergne, com Evans e Lotterer a aproveitar para subir para quarto e quinto lugar. A Nissan aumentou a vantagem no campeonato para a BMW, reforçando a segunda posição, enquanto que a Virgin ultrapassou Mercedes-Benz para chegar a quarto.

CORRIDA 6: NA FÓRMULA E NÃO, POR FAVOR… 

Para quem cobre Fórmula 1 e Fórmula E, é agradável fugir da primeira para a segunda para não ver um carro com a estrelinha de três pontas no nariz a dominar, mas na ronda final do campeonato de Fórmula E, em Berlim, foi isso que vimos, dois Mercedes a liderar o pelotão e a vencer, no primeiro ano da equipa na categoria.

Stoffel Vandoorne foi o homem que liderou a dupla alemã para a vitória, seguido de Nyck De Vries, com Sebastien Buemi (Nissan) a fechar o pódio. A corrida em si foi mais uma boa demonstração do excelente nível de competitividade apresentado pela Fórmula E, com excelentes momentos e batalhas roda a roda.

A batalha dos três lugares do pódio durou quase toda a corrida, com De Vries a saltar para a terceira posição logo na primeira volta e a levar a luta a Buemi.

A luta pelo quarto lugar estava acesa, com René Rast (Audi) a liderar Robin Frijns (Virgin), Edo Mortara (Venturi) e Alex Lynn (Mahindra).

A segunda ronda do Attack Mode viu a luta estratégica dos líderes, com Buemi a ser mais paciente e a ativar uma volta mais tarde do que os Mercedes, passando para a liderança. Nos 20 minutos finais, o segundo lugar na tabela de pilotos pertencia a Buemi, com o campeão de 2015/16 a dispensar de Vries do segundo lugar.

Lucas Di Grassi (Audi) pareceu esquecer as corridas trapalhonas que teve antes e seguia num bom ritmo pela tabela, tirando a sexta posição a Lynn e Mortara, focando-se de seguida em Robin Frijns que não facilitou tanto a tarefa ao brasileiro, que nem com Attack Mode conseguiu passar.

Vandoorne tinha a corrida no bolso com 1,5 segundos de vantagem a faltar dez minutos mais uma volta no relógio, mas o companheiro de equipa de Vries começou a atacar o segundo lugar de Buemi que, com menos energia, teria maiores dificuldades em segurar o Mercedes. Uma primeira tentativa na curva final viu Buemi a fechar a porta a de Vries, que, pouco depois, com uma excelente ultrapassagem, subiu para o segundo lugar, o que tirava Buemi de segundo no campeonato, e colocava Vandoorne como vice-campeão.

Buemi terminou no terceiro lugar com Rast, Bird e di Grassi logo depois para fechar os seis primeiros, enquanto Vergne veio do fundo da grelha para o sétimo, mais uma ultrapassagem, e o segundo lugar na tabela de pilotos era seu. Lynn, António Félix da Costa e Mortara completaram os dez primeiros.

A equipa da Mercedes conseguiu, graças a este resultado, saltar para o terceiro lugar da tabela, à frente da Virgin. Este é um resultado considerado razoável na maioria dos casos, mas desta vez é preciso ter em conta que este é o primeiro ano da Mercedes como equipa oficial. Conhecendo o ritmo de trabalho que apresentam na Fórmula 1, será difícil esperar menos do que excelência nos próximos anos.

PILOTO DO(S) DIA(S)

Fonte: Fórmula E

René Rast – O alemão da Audi é um bicampeão da DTM, por isso não é nenhum desconhecido que não se sabe de onde vem. É um excelente piloto, mas estes resultados apresentados nas duas últimas corridas mostram onde pode chegar. Um pódio na corrida 5 e um quarto lugar na corrida 6, batendo facilmente o experiente colega de equipa, Lucas di Grassi. E, acima de tudo, convém mencionar que ele se estreou nestas seis corridas de Berlim, quando substituiu Daniel Abt durante o confinamento. A forma como se adaptou é fantástica, e estou deveras curioso para ver o que vai demonstrar no próximo ano após uma época completa.

DESILUSÃO DO(S) DIA(S)

BMW i Andretti – Este lugar vai para uma equipa completa, porque, antes de Berlim, a BMW estava na segunda posição, e com a vitória de Max Gunther na corrida 3, as coisas pareciam bem encaminhadas para conseguir esse resultado, contudo, a equipa não pontuou em nenhuma das três últimas corridas. Para uma equipa que até começou a época como uma possível candidata à vitória nos construtores, o quinto lugar na tabela não é de todo bom, acima de tudo, quando um rival direto no mundo automóvel (Mercedes-Benz) termina em segundo, e estas corridas não fizeram nada para ajudar.

Artigo revisto por Joana Mendes

Luís Manuel Barros

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