Análise às equipas #5: Racing Bulls, crescer sem sair do lugar

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A temporada de 2025 da Racing Bulls foi, à primeira vista, positiva. Mais pontos, maior consistência e menos fins de semana perdidos por erros básicos. No entanto, se olharmos com atenção, foi também uma época reveladora de um limite estrutural que a equipa continua incapaz, ou indisposta, de ultrapassar.

A Racing Bulls cresceu, mas dentro de um espaço que já conhece bem. Nunca ameaçou ser “a melhor das outras”, nunca foi verdadeiramente irrelevante e, acima de tudo, nunca deixou de cumprir o papel que lhe é imposto desde a sua criação: servir a Red Bull.

2025 não foi um ano de afirmação. Foi um ano de boa execução dentro de um teto baixo.

O VCARB 01: competente, mas sem ambição própria

O monolugar de 2025 foi, provavelmente, o mais equilibrado da Racing Bulls nos últimos anos. Não nasceu com defeitos estruturais graves, respondeu às atualizações e mostrou-se previsível em corrida e muito bom em qualificação.

O carro permitiu lutar regularmente por pontos e evitou os picos de forma tão comuns no passado. Mas nunca foi um carro capaz de mudar a hierarquia. Funcionou bem quando o contexto ajudou, desapareceu quando o nível subiu.

A proximidade técnica à Red Bull continuou a ser uma vantagem operacional, mas também um travão conceptual.

Isack Hadjar: talento confirmado, destino anunciado

Isack Hadjar foi o maior trunfo da Racing Bulls em 2025. Rápido, agressivo quando necessário e surpreendentemente sólido para um rookie, o francês confirmou que não chegou à Fórmula 1 por acaso. Para mim, foi o rookie do ano.

O pódio em Zandvoort foi o ponto alto da época e um momento raro de brilho puro numa equipa que raramente oferece esse palco. Mas, mais do que esse resultado isolado, foi a consistência que impressionou. Isack Hadjar percebeu rapidamente os limites do carro e aprendeu a explorá-los.

Ainda assim, a sua temporada teve algo de inevitável. Desde cedo, ficou claro que a Racing Bulls era apenas uma etapa. A promoção para a Red Bull em 2026 não foi uma consequência tardia, foi o objetivo desde o primeiro dia.

Isack Hadjar cumpriu, destacou-se e seguiu em frente. Como tantos outros antes dele. Resta saber se o desfecho será diferente.

Liam Lawson: entre dois mundos, mas a pertencer a um

A época de Liam Lawson foi o retrato perfeito da confusão estratégica da Red Bull em 2025. Chamado à equipa principal demasiado cedo, o neozelandês encontrou na Red Bull um carro exigente, um contexto implacável e zero margem de erro.

As corridas ao serviço da equipa principal expuseram fragilidades, mas sobretudo uma realidade: não estava preparado para aquele nível de pressão.

O regresso à Racing Bulls trouxe estabilidade imediata. No mesmo ano, o mesmo piloto apresentou duas versões muito diferentes. Na Red Bull, inseguro e condicionado. Na Racing Bulls, competitivo, solto e eficaz.

Esta diferença diz mais sobre o contexto do que sobre o talento. Liam Lawson mostrou que é um piloto de Fórmula 1 sólido, capaz de pontuar regularmente quando o ambiente o permite. Mas também mostrou que a escada da Red Bull continua a ser íngreme demais para quem não chega pronto.

2025 não destruiu Liam Lawson, mas deixou uma pergunta no ar: quantas oportunidades reais existem, de facto, dentro deste sistema?

 Uma equipa que executa bem… aquilo que lhe pedem

A Racing Bulls terminou esta temporada como uma equipa melhor do que em 2024. Mais organizada, mais consistente e menos errática. Mas terminou exatamente onde sempre termina: no meio do pelotão, sem ambição própria e sem horizonte claro.

É uma equipa que já não compromete, mas também já não surpreende. Forma pilotos, executa estratégias limpas e aceita o seu papel sem contestação. Cresceu, mas sem sair do lugar.

Enquanto não decidir se quer ser mais do que uma extensão funcional da Red Bull, a Racing Bulls continuará a viver destas épocas competentes, mas inconsequentes. Em 2025, fez quase tudo bem. E talvez este seja, precisamente, o problema.

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