

A temporada de 2025 não foi uma marcha triunfal para a Red Bull. Foi, acima de tudo, uma operação de resgate. Depois de ter perdido o título de Construtores em 2024, a equipa entrou no novo campeonato fragilizada, sem a superioridade técnica que durante anos definiu o seu domínio e com um ambiente interno cada vez mais pesado, marcado por tensões políticas e uma liderança cada vez mais contestada.
O terceiro lugar final no campeonato reflete uma época partida em dois momentos distintos. Um início marcado por instabilidade, erros de base e um carro claramente atrás da McLaren, seguido de uma recuperação técnica evidente, mas insuficiente para anular o atraso acumulado. A Red Bull voltou a ser competitiva, mas já não a tempo de controlar o seu destino.
RB21: um projeto bloqueado por dentro, libertado tarde demais
O RB21 iniciou 2025 como a terceira força da grelha. Não era dominante em reta, não era particularmente eficaz em curva e apresentava uma janela de funcionamento curta, sobretudo em condições variáveis. A equipa passou as primeiras corridas a limitar danos, sem respostas claras para a superioridade da McLaren.
Durante este período, o desenvolvimento esteve claramente condicionado por um ambiente interno disfuncional. A liderança de Christian Horner, outrora sinónimo de estabilidade e sucesso, transformara-se num fator de bloqueio. O ruído político, as decisões centralizadas e a dificuldade em alinhar os vários departamentos travaram a evolução do projeto técnico.
A viragem surgiu apenas a meio da temporada, após a saída definitiva de Christian Horner. Com uma reorganização interna profunda e uma liderança técnica mais funcional, a Red Bull conseguiu finalmente desbloquear o potencial do RB21. Os processos simplificaram-se, o desenvolvimento ganhou ritmo e o carro começou a evoluir de forma consistente.
O resultado foi um monolugar que terminou o ano a lutar de igual para igual com a referência do campeonato, a McLaren. O problema foi o tempo. Os pontos perdidos no início da época tornaram qualquer ambição maior estatisticamente impossível.
Max Verstappen: o eixo de estabilidade numa equipa em desequilíbrio
Enquanto o carro não acompanhava a concorrência, Max Verstappen foi o elemento que manteve a Red Bull relevante. Mesmo sem o melhor monolugar, o neerlandês esteve regularmente na luta pelos pódios e foi decisivo na recuperação da equipa na segunda metade da época.
A sua capacidade de extrair rendimento de um carro imperfeito demonstra a sua qualidade. No entanto, esta dependência da Red Bull por Max Verstappen teve consequências claras: o desenvolvimento passou a ser quase totalmente orientado para o seu lado da garagem.
Na prática, a Red Bull não desenvolveu um carro equilibrado para dois pilotos, mas uma extensão do talento de Max Verstappen. Uma opção eficaz no curto prazo, mas problemática para a gestão global da equipa.
Yuki Tsunoda: promovido tarde, descartado cedo
A gestão do segundo lugar foi, mais uma vez, um dos grandes pontos fracos da Red Bull. A temporada começou com Liam Lawson, mas o neozelandês teve apenas três corridas para provar o seu valor. Um período demasiado curto para qualquer avaliação justa.
Yuki Tsunoda acabou por ser promovido, após anos de espera na Racing Bulls. O japonês assumiu o lugar numa fase delicada, com um carro que claramente não recebia as mesmas atualizações que o de Max Verstappen. Apesar de alguns desempenhos competentes, nunca teve condições para construir consistência nem confiança.
O desfecho foi duro. Yuki Tsunoda terminou 2025 como o único piloto de toda a grelha a perder o seu lugar para 2026. Um final amargo para quem esperou anos pela oportunidade na equipa principal e encontrou uma estrutura sem margem para erros.
Recuperação real, mas custos elevados
A Red Bull fecha 2025 no terceiro lugar do Campeonato de Construtores, com sinais claros de recuperação técnica, mas também com danos difíceis de ignorar. A saída de Christian Horner funcionou como o choque necessário para devolver clareza ao projeto, no entanto chegou tarde demais para transformar essa evolução em resultados decisivos.
A equipa entra em 2026 com uma lição clara: na Fórmula 1 moderna, não basta reagir, é preciso antecipar. A Red Bull voltou a ser rápida, mas perdeu tempo, estabilidade interna e um piloto no processo.

