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Bem-Vinda de volta, McLaren! | Fórmula 1

Clara Maria Oliveira · 7 min

Foto: McLaren

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A HISTÓRIA, DESDE BRUCE MCLAREN, ATÉ AO PERÍODO DOURADO DA EQUIPA

A estreia da McLaren na Fórmula 1 data de 1966. O Grande Prémio do Mónaco desse ano foi o ponto de partida para uma equipa que, apesar das diferentes peles que vestiu ao longo dos anos, se estabeleceu como uma das melhores da modalidade. Bruce McLaren, na altura, provavelmente nunca pensou que tinha construído a primeira pedra de uma herança histórica.

Os anos foram passando e nem sempre se vislumbraram períodos de ouro para a formação inglesa. A Scuderia Ferrari, a única que se mantém há mais anos em competição, sempre foi um osso duro de roer ao longo de várias épocas. Não foram nada raras as vezes em que passavam a hegemonia de testemunho. Ora ganhas tu, ora ganho eu.

Nas instalações da McLaren, em Woking, moram oito títulos da construtora e 12 troféus individuais de pilotos. Com tudo somado são, até ao momento, 183 corridas vencidas e 493 pódios com o nome da equipa inglesa cravado na história. Sem ameaça, são a segunda marca mais bem-sucedida de sempre na Fórmula 1.

Pelos bancos dos carros, passaram alguns dos melhores pilotos de sempre. Depois da morte trágica de Bruce McLaren, em 1970, foi com Teddy Mayer que conseguiram colher o primeiro campeonato para a construtora, quatro anos mais tarde, com a valiosa ajuda do campeão, o brasileiro Emerson Fittipaldi. Já em 1976, o irreverente James Hunt levou para casa o Campeonato do Mundo de pilotos.

Durante toda a história da empresa, a aposta nos jovens pilotos era uma filosofia a seguir. Muitos começaram em equipas modestas, mas com a transferência para a formação inglesa, muitos provaram que, com um carro superior, eram candidatos a ser campeões do mundo.

Depois de algumas temporadas competitivas, a McLaren estava num túnel que parecia sem saída possível. Sem o espírito vitorioso a rondar as instalações, Ron Dennis comprou a equipa, em 1980, aos donos principais e mudou, em poucos anos, as perspetivas da marca.  Seguiram-se, então, as páginas mais douradas dos ingleses.

Até 1999, foram conquistados sete dos oito títulos da construtora. De forma individual, contam-se nove campeonatos do Mundo de pilotos com o fato de macaco da McLaren vestido. Desde Nikki Lauda, passando por Alain Prost e Ayrton Senna e terminando no finlandês Mika Hakkinen, não faltaram razões para o sorriso dos profissionais de Woking.

Foto de Capa: McLaren

 DEPOIS DA TEMPESTADE, A BONANÇA CHEGA A WOKING

A partir de 2000, com a impetuosa dinastia de Michael Schumacher e da Scuderia Ferrari, a McLaren nunca baixou os braços e lutou lado a lado com os italianos. Contudo, era muito complicado arrecadar títulos nesse período, pelo que restava esperar pela oportunidade de surpreender, a certa altura.

Quase uma década separou os dois títulos da equipa inglesa. Desde Mika Hakkinen, em 1999, Schumacher venceu cinco campeonatos, Fernando Alonso, pela Renault, foi campeão por duas vezes e Kimi Raikkonen, pela Ferrari, fechou o ciclo do deserto com o título de 2007.

Nesse ano, Lewis Hamilton deixou escapar o título na última ronda, em Interlagos, no Brasil. Por isso, o entusiasmo preencheu as hostes da equipa, com a certeza de que poderiam voltar ao topo do pódio muito em breve, o que se sucedeu em 2008. Aos 23 anos, o piloto britânico venceu o título, que se decidiu na última volta do Grande Prémio do Brasil.

Fora das pistas, a McLaren também foi envolvida num escândalo de espionagem, nunca antes visto na modalidade.

Vários engenheiros foram considerados culpados, em 2009, por utilizarem notas privadas da Scuderia Ferrari, relativas ao ano de 2007. Com as provas a serem consideradas reais, a equipa foi desqualificada do Campeonato de Construtores desse ano, mas os pilotos foram poupados de sanções.

A partir daí, foi-se assistindo à queda de um gigante da Fórmula 1. Uma maré de problemas económicos e de gestão desportiva assolaram os britânicos, que passaram também por diversas mudanças na unidade motriz. Em poucos anos, trabalharam com motores Mercedes, Honda e Renault, sem conseguirem estabilidade no carro.

Quando Jenson Button subiu ao lugar mais alto do pódio, no Grande Prémio do Brasil, em 2012, ninguém esperava que não iriamos ver a construtura no pódio durante tanto tempo. Entretanto, muito mudou na equipa sediada em Woking e foi preciso dar um murro na mesa para se assistir a um novo capítulo da McLaren.

DUAS PAPAYAS NO TOPO DO BOLO, 11 ANOS DEPOIS

A história do Renascimento da McLaren não foi operada por Leonardo Da Vinci ou Miguel Ângelo, mas sim por Zak Brown e companhia. A tarefa de tentar voltar a colocar a equipa nos patamares mais altos da modalidade não era nada fácil, principalmente num momento de aperto e enterrados num fosso de onde é difícil sair.

Habituado ao asfalto e à emoção das corridas, pois Brown já tinha sido piloto em várias categorias, entrou nos escritórios para transformar a mentalidade vencedora, que estava ferida. Além disso, a passagem de testemunho das mãos de Ron Dennis poderia pesar, mas a equipa precisava de sangue novo na administração.

Desde que os regulamentos mudaram e a Fórmula 1 começou a era híbrida, a McLaren nunca tinha sido competitiva. Os primeiros anos de Zak Brown também não foram nada fáceis, com problemas estruturais e “vícios” antigos que não faziam prever um futuro colorido para o grupo de trabalho.

A contratação de nomes como James Key, Diretor Técnico, mais a jogada de conseguir trazer Andreas Seidl para o cargo de Diretor da Equipa foram certeiras. 2019 é um ano marcante para a mudança de chip na formação inglesa, porque o carro já ficou mais estável e conseguiu garantir a performance mais perto do desejado.

A subida do jovem prodígio da Academia de Pilotos, Lando Norris e a contratação de Carlos Sainz Jr. deram o impulso necessário para melhores resultados. Em 2020, ambos conseguiram levar a McLaren ao terceiro lugar do Campeonato do Mundo de construtores, batendo a Scuderia Ferrari e ficando atrás da Red Bull e Mercedes AMG.

Entretanto, Sainz partiu para uma aventura com a Ferrari e, para continuar o projeto de renascimento, chegou o experiente piloto, Daniel Ricciardo. A época de 2021 não começou nada bem para o australiano, mas, ao contrário do que muitos esperavam, deu a maior alegria à equipa em muitos anos.

Até ao momento, na temporada, Lando Norris havia conseguido três pódios. Com a vantagem que conseguia face ao colega de equipa, era no jovem piloto britânico que se colocavam as fichas para ser a cara do regresso da McLaren às vitórias. Contudo, no Grande Prémio de Itália, em Monza, as contas foram todas trocadas, mas, no final das contas, ganhou a equipa.

Daniel Ricciardo voltou a vencer uma corrida na Fórmula 1, três anos depois, e Lando Norris conseguiu o segundo lugar, o seu melhor resultado na categoria. Uma das melhores corridas dos últimos anos também foi o final de um processo penoso para uma equipa habituada a vencer.

Agora, na reta final da época, nada é impossível e outro Grande Prémio do calibre de Itália pode abrir as portas a uma nova vitória. Quem sabe, desta vez, não será Lando Norris a conseguir a primeira vitória na mais alta categoria do Desporto Motorizado? O carro está afinado e o reatar do casamento com a Mercedes colocou a equipa num pedestal superior.

Desde a estreia na Fórmula 1, nem tudo foram rosas para a McLaren. Ganhar sempre é impossível, mas sentia-se que o final da tormenta da última década estava próximo. O regresso às vitórias emocionou, mas agora é preciso voltarem ao trabalho para garantir que a próxima não demora tanto tempo a surgir. Bem-vinda de volta, McLaren.

Clara Maria Oliveira

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