A CORRIDA: NOVA DOBRADINHA DA MERCEDES, PRIMEIRO PÓDIO DE HAMILTON PELA FERRARI, ABANDONOS INESPERADOS E VÁRIAS BATALHAS EM PISTA
O Grande Prémio da China ficou marcado pelo caos antes da partida, vários abandonos inesperados e intensas batalhas em pista. No final, a Mercedes voltou a mostrar a sua superioridade, enquanto a jovem promessa Kimi Antonelli brilhou ao conquistar a primeira vitória da carreira. Lewis Hamilton conquistou o primeiro pódio pela Ferrari.
Voltámos a uma situação muito semelhante à do último domingo: os carros ainda não tinham arrancado e já havia pilotos fora da corrida.
Alexander Albon trocou a suspensão do monolugar após a qualificação e, por isso, partia das boxes. Lando Norris, que deveria arrancar da sexta posição, nem chegou a alinhar para a volta de formação devido a um problema mecânico. Ainda poderia partir das boxes, tal como Gabriel Bortoleto, que enfrentava a mesma situação.
A poucos minutos da partida surgiu mais um problema. Oscar Piastri fez a volta de alinhamento, mas cinco minutos antes do arranque viu o carro ser retirado para as boxes. O desfecho foi igual para os quatro pilotos: nenhum arrancou para a corrida.
Quando finalmente as luzes se apagaram, houve emoção imediata. Excelente arranque de Lewis Hamilton e Charles Leclerc. O britânico assumiu a liderança e o monegasco subiu à terceira posição.
Quem não começou bem foi Max Verstappen. O neerlandês teve um arranque desastroso e perdeu oito lugares. Em contraste, Franco Colapinto protagonizou uma das melhores partidas e chegou rapidamente à sexta posição.
Oliver Bearman também tinha arrancado bem, mas perdeu posições depois de Isack Hadjar, que também tinha feito um bom arranque, perder o controlo do carro. O piloto da Red Bull foi obrigado a parar cedo nas boxes para trocar pneus e acabou por perder os lugares conquistados na largada.
Mais atrás, Valtteri Bottas e Sergio Perez tocaram entre si, e a verdade é que esta acabou por ser a única vez que vimos os pilotos da Cadillac ao longo da corrida. Mesmo assim terminaram o grande prémio, e muitas equipas que já cá andam há muitos anos não o fizeram.
Entretanto, Max Verstappen, que rodava apenas na 14.ª posição, começou a recuperar lugares. A maior resistência surgiu de Arvid Lindblad, numa luta que acabou por ser adiada quando o neerlandês entrou nas boxes. Também Liam Lawson e Carlos Sainz pararam na 10.ª volta.
Pouco depois destas paragens surgiu o safety car: Lance Stroll estava fora da corrida.
Os quatro primeiros aproveitaram para parar. Mercedes e Ferrari fizeram paragem dupla, mas houve diferenças na execução. A Mercedes voltou a mostrar grande eficiência, enquanto a Ferrari perdeu algum tempo na troca de pneus do segundo carro, o de Charles Leclerc.
No recomeço, Kimi Antonelli manteve a liderança. Atrás dele surgiam Franco Colapinto e Esteban Ocon, mas a permanência nestas posições durou pouco. Os dois Ferrari e o Mercedes de George Russell ultrapassaram-nos sem grandes dificuldades.
A verdadeira animação começou mais atrás. Os dois Haas, os Alpine e Max Verstappen envolveram-se numa intensa luta por posições. Uma batalha da qual Oliver Bearman saiu vencedor.
Mais à frente houve também duelo entre colegas de equipa. Lewis Hamilton e Charles Leclerc protagonizaram uma batalha roda com roda que demonstrou competitividade, mas que também trouxe riscos desnecessários para a Ferrari. Os dois chegaram mesmo a perder posição para Russell durante esta fase.
A verdade é que a posição para George Russell provavelmente seria perdida de qualquer forma. Pelo menos assim trouxe-nos a emoção para a corrida. Foi sem dúvida uma das melhores batalhas dos últimos anos.
Na volta 30, Esteban Ocon foi o primeiro piloto que tinha arrancado de pneus duros a parar nas boxes. Franco Colapinto seguiu o exemplo uma volta depois. No regresso à pista, os dois tocaram-se. O francês assumiu imediatamente a responsabilidade e acabou penalizado com 10 segundos.
A corrida continuava a eliminar pilotos. Fernando Alonso abandonou na volta 35 devido a fortes vibrações no monolugar. Outro fim de semana para esquecer na Aston Martin.
Mais surpreendente foi o abandono de Max Verstappen. O neerlandês, que ainda lutava pela quinta posição com Oliver Bearman, sofreu problemas mecânicos e foi obrigado a retirar o carro.
Ainda houve tempo para um pequeno susto nas últimas voltas. A três voltas do final, Kimi Antonelli cometeu um erro de travagem, mas a vantagem que tinha permitiu-lhe manter a liderança sem consequências.
O jovem italiano venceu assim o Grande Prémio da China e tornou-se o segundo piloto mais jovem de sempre a conquistar uma vitória na Fórmula 1, uma aposta que parece confirmar a visão de Toto Wolff.
A corrida voltou a mostrar a superioridade de Mercedes e Ferrari e expôs as dificuldades de McLaren e Red Bull.
A equipa campeã de construtores nem chegou a arrancar para a corrida. Depois de um sábado promissor, com boas performances na qualificação e na sprint, os dois McLaren ficaram fora ainda antes do início.
Também a Red Bull voltou a não conseguir terminar com os dois carros. Mais preocupante ainda foi a dificuldade de Max Verstappen em ultrapassar quando os pneus já não estavam novos, tanto frente a Arvid Lindblad como frente a Oliver Bearman.
Quem passou despercebido durante grande parte da corrida foi Carlos Sainz, mas o espanhol acabou por protagonizar um pequeno milagre ao levar o seu Williams até aos pontos.
Também Liam Lawson fez uma corrida sólida, terminando à frente de Isack Hadjar, que recuperou várias posições depois do erro no início da prova.
Franco Colapinto fechou na última posição dos pontos, e teve a sua melhor corrida na Alpine. Faltou uma ponta de sorte ao argentino para conseguir um resultado melhor. A Alpine que parece outra equipa, em comparação com o ano anterior, e que Pierre Gasly volta a conseguir bons pontos ao conquistar a sexta posição.
O PILOTO DO DIA
Oliver Bearman – Está a tornar-se hábito. O jovem britânico da Haas voltou a impressionar.
Depois de um excelente arranque prejudicado pela perda de controlo de Isack Hadjar, Oliver Bearman não baixou os braços. Após o safety car regressou à pista determinado em recuperar posições, ultrapassou vários adversários e depois geriu a corrida com maturidade.
Primeiro resistiu à pressão de Max Verstappen e, mais tarde, segurou a posição frente a Pierre Gasly.
Neste momento ocupa a quinta posição no campeonato de pilotos, à frente do próprio Max Verstappen e do campeão do mundo Lando Norris. À sua frente estão apenas os pilotos da Mercedes e da Ferrari. No início da temporada, poucos acreditariam que este cenário seria possível.
A DESILUSÃO


McLaren – É impossível ignorar. A campeão do mundo nem chegou a arrancar para o Grande Prémio.
Nada fazia prever um desfecho destes. Mesmo que não estejam ao nível de Mercedes e Ferrari, os McLaren tinham a terceira linha da grelha e tudo para lutar por bons pontos. Nem sequer terem conseguido alinhar para a corrida representa uma falha enorme para uma equipa que foi campeã de construtores recentemente.
Mais preocupante ainda é a situação de Piastri, que continua sem completar um Grande Prémio esta temporada. Onde está a equipa dominante dos últimos dois anos?
A Fórmula 1 regressa dentro de duas semanas com o Grande Prémio do Japão, em Suzuka. Agora com uma confirmação oficial da paragem no mês de abril pelo cancelamento dos fins de semanas do Bahrain e da Arábia Saudita.

