Anterior1 de 3Próximo

A ANTEVISÃO: A PARTIR DO TERCEIRO LUGAR É FESTA

Dizer que a Mercedes é dominante este ano já soa a eufemismo e é, acima de tudo, repetitivo. Mais uma vez, foram superiores nos treinos livres e ficaram confortavelmente em primeiro e segundo na qualificação, desta feita com Valtteri Bottas na frente, seguido de Lewis Hamilton. Uma injecção de confiança no finlandês para, pelo menos, tentar levar a luta ao colega de equipa e não continuar a olhar para o difusor de outro carro durante as corridas.

A única coisa que pode tornar a corrida imprevisível é a questão estratégica e de gestão dos pneus, que, sendo mais macios do que na semana passada, prometem várias paragens e estratégias diferentes por toda a grelha. Depois dos problemas de pneus da semana passada, as equipas tem duas escolhas: apostar em conservar pneus ao máximo, ou arriscar em estratégias ousadas. Para nosso bem, espero que sigam a segunda opção.

A grelha de partida está um pouco diferente da semana passada. Apesar de ser o mesmo circuito, o destaque recai em Nico Hulkenberg (Racing Point), que, após substituir Sergio Perez em cima do acontecimento no fim-de-semana passado, se mostra muito mais habituado ao carro, conseguindo fazer tempos semelhantes a Lance Stroll (Racing Point). Inclusive, conseguiu qualificar-se à frente do canadiano na corrida, com quatro décimas de diferença, em terceiro lugar. A experiência superior de Hulkenberg na gestão de corrida poderá ser essencial para finalmente desbloquear o ritmo daquele carro, que, até agora nas mãos de Stroll, ainda não mostrou tudo o que pode dar.

Anúncio Publicitário

Stroll sai em sexto, e só vejo hipótese de ele se aproximar de Hulkenberg se conseguir uma bela primeira volta. Lance Stroll tem mostrado uma tendência durante a temporada para ter uma excelente primeira volta, mas perder ritmo ao longo da corrida. Por vezes, ele pura e simplesmente é incapaz de retirar o máximo do carro, algo no qual o seu habitual colega de equipa, Sergio Perez é exímio – tal como Hulkenberg.

Atrás de Hulkenberg sai Max Verstappen (Red Bull), em mais uma performance desapontante e muito distante da dos Mercedes contra os quais supostamente iriam lutar. Verstappen extrai o máximo daquele carro, que, infelizmente, não é bom o suficiente. Alexander Albon (Red Bull) esteve ligeiramente melhor, chegando à Q3. Porém, continua distante de Max, e começa em nono.

O australiano Daniel Ricciardo (Renault) continua silenciosamente a mostrar-se um dos melhores pilotos esta época, com um bom ritmo nos treinos e uma excelente qualificação (quinto lugar). Esteban Ocon (Renault) não se mostrou capaz de acompanhar. Começou fora do top 10 e recebeu uma penalização de três lugares por impedir George Russell (Williams).

Por outro lado, o também francês Pierre Gasly (Alpha Tauri) mostrou que, se há algo de errado, é com o segundo carro da Red Bull e não com os pilotos. Conseguiu qualificar-se em sétimo, à frente dos dois Ferrari e de Alex Albon. Já o seu colega de equipa, Danil Kvyat, foi incapaz de sair da Q1.

Os Ferrari continuam sofríveis, com Charles Leclerc, desta feita, a não conseguir melhor do que oitavo, e com Sebastian Vettel cada vez mais em linha descendente, agora com um 12º lugar. Algo está muito errado ali.

A fechar o top 10 está Lando Norris (Mclaren), que, ao contrário da excelente qualificação nesta mesma pista na semana passada, hoje sofreu um pouco mais, com Carlos Sainz sem conseguir da Q2, começando de 12º.

Daí para baixo estão os suspeitos do costume, sendo uma das surpresas a ida de Romain Grosjean (HAAS) à Q2. O francês começa em 14º, o que, tendo em conta as recentes performances da equipa americana, deve ser tomado como um positivo. Os Alfa Romeo mostram mais uma vez ter o pior carro da grelha, com Kimi Raikkonen e Antonio Giovinazzi incapazes de sair da Q1. A fechar a tabela, o suspeito do costume: Nicolas Latifi (Williams).

Suspeito que amanhã veremos uma corrida bem mais interessante do que a última, no que toca à batalha frontal. Desta vez, não conta apenas a batalha em pista, mas também a estratégia, que será fulcral com este composto mais macio dos pneus. Daí para trás espera-se a confusão e equilíbrio do costume, sendo o desejo natural de todos os fãs de Fórmula 1 que Nico Hulkenberg chegue finalmente ao pódio, já que nunca teve um carro tão capaz de o fazer nas suas mãos.

Foto de Capa: Fórmula 1

Anterior1 de 3Próximo

Comentários