Antevisão GP Estíria: Na chuva… Continuam os Mercedes na frente

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Durante estes meses de confinamento, distanciamento e paragem do mundo, estivemos tão privados de tudo, que ainda parece estranho ver os carros mais rápidos do mundo de volta às corridas. Primeiro fomos mimados com uma corrida fantástica no GP da Áustria, agora, apenas uma semana depois, na preparação para o GP da Estíria (na mesma no Red Bull Ring) os motores rugem de novo, e temos uma das melhores sessões de qualificação dos últimos anos.

A ANTEVISÃO: QUANDO É IMPREVISÍVEL, É MELHOR

Como se o caos da corrida passada não fosse suficiente, as equipas viram-se obrigadas a fazer os treinos livres quase à pressa, devido à chuva pesada anunciada para hoje. As sessões de sexta-feira não trouxeram grandes novidades, tirando a ainda maior velocidade dos Racing Point, com Sergio Pérez a conseguir liderar o primeiro treino livre e tanto ele como Lance Stroll a fazerem parte do top 5 na segunda sessão. Max Verstappen (RedBull) também mostrou um grande nível, com um segundo lugar na primeira sessão e a liderança na segunda. Os Mercedes não lideraram em nenhum momento, mas não me pareceu que tentassem sequer. Pelo resto da grelha estavam todos mais ou menos no mesmo sítio, incluindo os Ferrari, cujas actualizações não pareceram surtir efeito.

Durante a sexta-feira, e perante a possibilidade de chuva torrencial, a suspeita era de que se iria aproveitar os tempos da segunda sessão de treinos livres, caso não desse para realizar a qualificação, que, após cancelamento da terceira sessão de treinos, se veio a realizar, com um ligeiro atraso, debaixo de chuva.

Qualquer fã de Desporto Motorizado que se preze sabe bem a magia que é ver alguns dos melhores pilotos do mundo a lidar com os desafios de uma pista molhada, e esta sessão não desiludiu. Para começar, a história durante a Qualificação 3 (Q3) era se conseguiríamos ver um Williams avançar, e, pela primeira vez desde o GP do Brasil de 2018, George Russel levou o carro branco e azul para lá da Q3, mostrando o porquê de ser tão cotado, apesar dos resultados na Williams.

Nesta sessão, vimos ainda um dos poucos despistes da Qualificação, com Antonio Giovinazzi (Alfa Romeo) a deslizar na penúltima curva e embater na barreira, o que levou a uma Bandeira Vermelha a poucos segundos do final. Esta bandeira acabou por prejudicar Sergio Pérez, que, depois de um resultado fantástico nos treinos, desiludiu por completo ao qualificar-se em 17.º.

A chuva não acalmou, e na Q2 temos mais uma vez George Russel a surpreender, qualificando-se em 12.º apenas a 0.091 segundos de Sebastian Vettel (Ferrari), que se encontrava na “linha de água” em 10.º. Uma performance fabulosa que mostra bem o porquê de se considerar Russel um potencial campeão no mesmo calibre de Charles Leclerc (Ferrari) e Max Verstappen. Por falar em Leclerc, desta vez trocou com o colega de equipa e ficou em 11.º, fora na Q2. Talvez não se sinta confortável na chuva, talvez não lhe tenha corrido bem, mas uma coisa é certíssima, o SF1000 é muito mau.

Na Q3 é que se decide a grelha final, e os dez melhores pilotos até ali foram mostrar do que são feitos. Com a chuva a intensificar-se para esta sessão, era uma batalha de troca de liderança entre Max Verstappen e Lewis Hamilton, que são reconhecidos como dois dos melhores pilotos em piso molhado. Verstappen deu luta, mas Hamilton saca uma volta fabulosa, e mostra o porquê de ter seis campeonatos, ao colocar-se em pole position, 1.2 segundos mais rápido do que Max em segundo lugar. Para quem duvidou do britânico na semana passada, ele mostra aqui, sem espinhas, o porquê de ainda ser considerado o melhor piloto da grelha.

Outra exibição de destaque foram as de Carlos Sainz (Mclaren), com um fantástico terceiro lugar, que com certeza o deixa a matutar sobre a ida para a Ferrari em 2021. Depois de um primeiro fim-de-semana abaixo das expectativas, a chuva acordou Esteban Ocon (Renault), que se qualifica em quinto para a corrida, batendo o colega de equipa Daniel Ricciardo. Por fim, Pierre Gasly (Alpha Tauri) a mostrar que sem pressão e num ambiente mais favorável é um dos mais promissores da grelha ao qualificar-se em oitavo.

Para este domingo, espera-se que a chuva vá embora, por isso podemos esperar uma corrida seca, mas, como este circuito provou na semana passada, isso não a torna mais previsível. Por ser uma pista muito agressiva, podem voltar a haver o nível de danos da semana passada, mas também é provável que os pilotos saibam como lidar melhor com isso.

Luís Manuel Barros
Luís Manuel Barros
O Luís tem 21 anos e é de Marco de Canavezes, tem em si uma paixão por automobilismo desde muito novo quando via o Schumacher num carro vermelho a dominar todas as pistas por esse mundo fora. Esse amor pelas 4 rodas é partilhado com o gosto por Wrestling que voltou a acompanhar religiosamente desde 2016.                                                                                                                                                 O Luís escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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