Charles Leclerc (Ferrari) conseguiu a sua quarta pole position numa das qualificações mais atrapalhadas de que há memória. Após um acidente de Kimi Raikkonen (Alfa Romeo) a meio da Q3, a sessão foi parada com uma bandeira vermelha aos 6 minutos e 45 segundos. Quando reabriu a pista, ninguém queria ser o primeiro piloto a sair, para tentar aproveitar o vácuo criado pelo carro da frente. Essa insistência em ser o último a fazer a volta fez com que demorassem demasiado tempo, e impediu sete dos nove pilotos em pista de repetir a volta, sendo Carlos Sainz (Mclaren) e Charles Leclerc os únicos a conseguir.

Assim, apenas os resultados das primeiras voltas rápidas contaram, ficando Lewis Hamilton (Mercedes) e Valteri Bottas (Mercedes) em segundo e terceiro respetivamente. O resultado da Q3 está agora a ser analisado pelos comissários da corrida, sendo que os pilotos foram avisados sobre comportamentos semelhantes a estes, após ter acontecido algo semelhante na corrida de Formula 3, onde vários pilotos foram penalizados.

Hora de ponta em Monza
Fonte: F1

Para facilitar a vida aos homens da frente, Max Verstappen (Red Bull) vai começar desde o final da grelha, por causa de penalizações relacionadas com a instalação da especificação quatro da unidade motriz da Honda, o que significa que poderemos ver bastantes ultrapassagens da parte do holandês, mas dificilmente um pódio.

Sebastian Vettel foi um dos pilotos afetados pela confusão gerada na qualificação, ficando-se apenas pela quarta posição, quando o objetivo era que na última volta fosse beneficiado pelo vácuo do seu companheiro de equipa. Foi no geral um dia muito positivo para quem tem um motor Renault, infame por ser muito mau em pistas de alta velocidade, da quinta até à sétima posição, temos Daniel Ricciardo (Renault), Nico Hulkenberg (Renault) e Carlos Sainz (Mclaren). Sendo que o alemão está a ser um dos pilotos mais falados no que toca à polémica sessão, por ter atrasado o pelotão de pilotos, e está até a data da redação deste artigo, numa reunião com os comissários.

A fechar o top 10 temos Alexander Albon (Red Bull Racing) que acabou por não fazer nenhuma volta rápida, ficando assim em oitavo, seguido de Lance Stroll (Racing Point) com o mesmo problema, e Kimi Raikkonen, que se despistou durante a sua primeira volta na Q3, criando toda esta confusão.

Sendo Monza uma pista onde a velocidade de ponta é a característica mais importante, o lógico é julgar que acabamos domingo com uma vitória da Ferrari, porém, durante as sessões de treinos, os tempos conseguidos entre Ferrari, Mercedes e Red Bull têm sido muito parecidos no ritmo de corrida, com uma pequena vantagem para a equipa alemã. Contudo, ao contrário de Spa, a Ferrari não possui a vantagem estratégica de ter dois pilotos na frente da Mercedes, o que pode criar sérios problemas para Charles Leclerc, que tem por baixo de si, um carro que consome pneus a uma velocidade assombrosa.

A Ferrari joga em casa, a pressão é gigante
Fonte: F1

As únicas soluções para a Ferrari serão uma corrida desastrosa da Mercedes, que a chuva prevista para domingo baralhe as contas da corrida, ou que o Ferrari de Sebastian Vettel consiga subir posições para ficarem os dois em frente à Mercedes, de forma a que o Ferrari que estiver em segundo possa proteger o que estiver em primeiro, como em Spa. Se tal não acontecer, o mais provável é que Lewis Hamilton consiga passar para a frente e estender ainda mais a liderança no campeonato, tirando à Ferrari aquela que provavelmente é a última chance de vencerem esta temporada.

Hoje na qualificação, os pilotos tentaram ser os últimos a sair para ficar primeiro na tabela, tentando ser mais espertos do que as outras equipas, mas todas pensaram no mesmo, e assim, ninguém saiu a ganhar, tirando Charles Leclerc, pela quarta vez na carreira e pela primeira vez em frente da famosa Tiffosi, que venha a corrida.

Fonte: F1

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