Lewis Hamilton renovou com a Mercedes. A dúvida sobre a eventual continuidade do campeão mundial de Fórmula 1 para a temporada 2022 ficou desfeita na manhã do dia 3 de julho (dia da qualificação para o Grande Prémio da Áustria). Com essa questão resolvida, resta saber se o construtor alemão vai ou não manter Valtteri Bottas como o seu segundo piloto. Mas será a situação do finlandês assim tão preocupante?

Decorridas nove provas do campeonato do Mundo, é justo reconhecer que Bottas não começou bem a temporada, ocupando o quinto lugar do campeonato de pilotos, atrás de Verstappen e Hamilton (os dois candidatos ao título esta época), mas também de Sergio Pérez, segundo piloto da Red Bull, e Lando Norris, da McLaren. E é também por isso que se especula bastante sobre a possibilidade de Bottas sair da Mercedes no final do ano.

Depois dessas nove provas, Bottas tem cinco pódios (quatro terceiros lugares e um segundo), duas corridas (Imola e Mónaco) que não terminou e outra (Baku) que terminou fora do top-10. Mas a dupla jornada na Áustria foi provavelmente a melhor de Bottas ao serviço da Mercedes esta época. Nunca lutou pela vitória, mas garantiu sempre o pódio e terminou sempre à frente do segundo carro da Red Bull. E é esse tipo de consistência que a equipa quer do seu piloto e que o pode ajudar a manter o seu lugar para 2022.

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A ameaça de Bottas tem um nome (e parece ser apenas um único nome): George Russell. O britânico, que faz parte do programa de jovens pilotos da Mercedes, tem-se superado na Williams este ano, tem-se notabilizado pelos seus desempenhos na qualificação e já esteve, por diversas vezes, perto do seu primeiro ponto na Fórmula 1, ao serviço de uma equipa que não tem um carro muito competitivo.

Russell já teve inclusive uma experiência na Mercedes na última temporada (no Grande Prémio de Sakhir, substituindo Lewis Hamilton, que estava infetado com covid-19) e, apesar dos vários azares que teve ao longo de uma prova que terminou num modesto nono lugar, a sua exibição impressionou quem viu a corrida. A questão que se coloca a Russell é a mesma que se coloca a Bottas: num ano em que os carros vão mudar tanto, devido aos novos regulamentos, será que o segundo piloto da Mercedes (seja ele quem for) conseguirá trazer performances e resultados de forma consistente?

Bottas tem uma vantagem, vantagem essa que, na minha opinião, será decisiva para que o finlandês permaneça na Mercedes: o facto de já estar na equipa (com um carro de Fórmula 1) desde 2017 e de todos os que lá trabalham saberem com o que podem contar se lá estiver Bottas (e não Russell) poderá ser determinante. E, se Bottas fizer mais corridas ao nível daquela que fez na Áustria, não deverá ser difícil para ele manter o lugar.

Foto de Capa: Petronas Motorsports

Artigo revisto por Gonçalo Tristão Santos

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