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As cortinas cerraram-se naquela que pode ser considerada uma das melhores épocas de sempre, onde apenas uma equipa lutou pelos títulos. Com um dos começos mais dominantes de sempre da parte da Mercedes, a época estava prestes a ser descartada como mais um ano como 2016, onde ninguém teve uma única chance de sequer lutar por títulos. Porém, a história mudou de rumo após o primeiro terço da época. Vamos então analisar a época de 2019 da Fórmula 1.

PRIMEIRA METADE DA ÉPOCA

Mais uma vez, os testes de pré-temporada enganaram quase toda a gente. O mundo da Fórmula 1 saiu de Barcelona a achar que a bola estava do lado da Ferrari, que finalmente tinham construído um carro para destronar a Mercedes. No dia 16 de março em Melbourne, durante a qualificação, ficamos a perceber que na verdade, a equipa alemã tinha construído possivelmente o melhor carro desde o início da era híbrida. Valtteri Bottas (Mercedes) acabou por vencer a corrida no domingo, arrasando por completo o então pentacampeão Lewis Hamilton (Mercedes) por quase 21 segundos de diferença.

Isto foi um sinal do que estaria para vir. Nas cinco corridas seguintes, a Mercedes iria garantir dobradinhas, e só na Áustria é que veríamos no topo do pódio um piloto que não conduzisse um carro prata.

O domínio das flechas de prata parecia não ter fim
Fonte: Formula 1
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Pelo meio de todo este domínio da equipa alemã, os italianos vermelhos estavam em completa implosão. A Ferrari pela primeira vez conseguiu criar uma unidade motriz superior à Mercedes, e desenharam um carro com o propósito de ser o mais rápido possível nas retas. O problema desta decisão, é que nas pistas de Fórmula têm o hábito de ter curvas no final dessas retas, e o SF90, não é grande fã delas. Seja por problemas mecânicos, erros dos pilotos, ou decisões estratégicas absurdas, a Ferrari deitou ao lixo uma quantidade imensa de pontos nesta primeira metade da época. O único lado positivo disto, é que nos ensinou que não se confia nos testes de pré-temporada.

Do lado dos touros vermelhos, o início da época estava cheio de questões. Será que a mudança da Red Bull para a Honda seria positiva? Será que Max Verstappen iria continuar a forma estupenda com que terminou a época de 2018? Será que o Helmut Marko iria deixar de dizer “este ano vencemos o título”?

O leão rugiu muito alto na primeira metade da época
Fonte: Formula 1

A resposta foi positiva para as duas primeiras perguntas, negativa para a última. Se a Red Bull com a Honda não ficou melhor, pelo menos ficou onde estava, o que é positivo, porque desta vez a Honda está completamente dedicada a eles, ao contrário do que acontecia com a Renault, e este ano foi mais de experiência do que procurar vencer imediatamente, o que promete coisas muito boas para 2021. Max Verstappen foi possivelmente o melhor piloto da primeira metade do ano, com duas vitórias, a primeira pole position da carreira, e batalhas fenomenais em várias corridas, seja com Lewis Hamilton ou Charles Leclerc, o resultado era sempre épico. Contudo, o pináculo da sua performance não veio em nenhuma das vitórias, veio numa derrota nas últimas voltas para Lewis Hamilton na Hungria. Eles os dois estavam num nível tão acima de qualquer outro piloto naquela corrida, que terminaram a mais de um minuto do terceiro classificado. Uma performance absolutamente assombrosa dos dois pilotos mais talentosos da grelha.

Infelizmente, do outro lado da garagem, a primeira metade da época estava a ser trágica. Pierre Gasly, um piloto cujo talento nunca deixou margem para dúvidas, incluindo um excelente ano de 2018 na Toro Rosso, pura e simplesmente não conseguia acompanhar o seu colega de equipa, correndo num ritmo mais semelhante ao do segundo pelotão do que dos homens da frente, e muitas vezes lutando até para chegar aos pontos. A Red Bull ainda mostrou imensa paciência (mais do que com Kvyat em 2016), mas o inevitável aconteceu, e foi despromovido para a Toro Rosso após a corrida na Hungria.

 

Digamos que foi uma primeira metade da época “desastrada” para Vettel…
Fonte: Formula 1
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