Anterior1 de 2Próximo

Após um princípio de ano muito tremido, com o domínio da Mercedes bem estabelecido nesta época, principalmente após o Grande Prémio de França, a Fórmula 1 necessitava de uma injeção de adrenalina. Essa injeção apareceu na forma do Grande Prémio da Áustria, que foi, sem sombra de dúvida, a melhor corrida do ano.
Desta feita não houve dobradinha da Mercedes, mas um pódio de três equipas diferentes, lideradas por Max Verstappen, seguido de Leclerc e Bottas.

A primeira volta foi, mais uma vez, de loucos, com Verstappen a sair muito mal e cair para a 8.ª posição, enquanto que Lando Norris se colocou à frente de Hamilton e seguiu em terceiro por uns segundos, até que é ultrapassado por Hamilton e Kimi Raikkonen que salta para 4.º. Com o passar das voltas o mundo começou a descobrir o seu ritmo normal, com Vettel e Verstappen a tratarem facilmente do Mclaren e do Alfa Romeo.

Apesar da liderança saudável conseguida nas primeiras voltas,  a ideia geral era de que a estratégia da Mercedes era superior, tendo os pilotos começado com o pneu médio, mais duradouro, comparado com o macio de Leclerc, porém, as voltas passavam e o Ferrari não perdia velocidade para os Mercedes, acabando por ser Bottas o primeiro a ceder, seguido de Vettel, que numa estratégia inteligente que atrasaria o finlandês, entrou ao mesmo tempo nas boxes, contudo, não correu de feição ao alemão, tendo em conta que apanhou os mecânicos de surpresa e estes não tinham os pneus prontos, primeiro erro estratégico com Vettel da parte da Scuderia.

Leclerc respondeu de imediato à paragem de Bottas e colocou os pneus duros, dando a liderança da corrida a Hamilton e Verstappen.  O britânico, procurava prolongar a vida dos pneus, contudo, um problema na asa dianteira deixou-o com pouca downforce, o que fez os tempos de volta começarem a aumentar. O campeão mundial parou, mas ao mudar de asa acabou por perder mais tempo do que numa pit stop normal, e caiu para a 5.ª posição atrás de Vettel. Quando Verstappen parou, também conseguiu colocar-se à frente do britânico.

E foi aqui que começou o ataque do piloto da Red Bull. Primeiro, tratando de Vettel, como se o alemão não fosse nada, de seguida, a aproximação a Bottas, que não teve hipótese de o segurar, a partir daqui a mira estava em Leclerc.

Após a ultrapassagem de Verstappen, Vettel entra nas boxes para colocar pneus macios e provavelmente tentar a volta mais rápida. Erro dois da Ferrari na corrida. Da forma que Bottas estava, Vettel podia ter a possibilidade de lutar por um lugar no pódio, contudo, arriscou perder o 4.º lugar, por apenas mais um ponto, quando havia velocidade suficiente para chegar a Bottas.

E assim começaram as duas grandes batalhas da corrida, Leclerc contra Verstappen e Vettel contra Hamilton. A segunda batalha acabou por ser simples, Hamilton não tinha velocidade nenhuma, e o alemão tratou dele facilmente, já a primeira foi uma das melhores batalhas dos últimos anos na Formula 1.

Verstappen era claramente mais rápido, e os dois pilotos de 21 anos, atacaram e defenderam durante cerca de três voltas sem parar. Nas primeiras tentativas, Leclerc ainda conseguiu aguentar o holandês, mas a três voltas do fim, Verstappen lança-se ao interior de Leclerc, e domina a curva, culminando num pequeno toque que obriga o monegasco da Ferrari a sair da pista. À data da redação deste texto, o incidente ainda está sob investigação.
O momento que define a corrida
Fonte: Formula 1

Como raramente há tanta ação na frente da corrida, há um maior foco nestes textos no pelotão, mas também foi um dia muito mexido na parte de trás da tabela. Norris fez mais uma corrida fantástica, acabando na 6.ª posição, seguido de Gasly, que continua longe, mas muito longe do seu colega de equipa. Destaque para Carlos Sainz, que começou lá atrás após penalizações de motor, e conseguiu subir para a 8.ª posição, mais uma grande corrida do espanhol, e mais um grande fim-de-semana para a Mclaren, que é, sem sombra de dúvida, a equipa superior do pelotão.

A fechar os pontos ficaram os Alfa Romeo, Kimi Raikkonen em 9.º e Giovinazzi a conseguir os seus primeiros pontos da época em 10.º. Desilusão para a Renault e para a Haas. Os franceses vinham de uma excelente série de pontos, que acabou aqui, e os americanos, mostraram mais uma vez graves problemas na gestão dos pneus. Segundo Gunther Steiner, os pneus ficam como um hambúrguer mal feito, esturricados por fora, e gelados por dentro, muito estranho sem dúvida.

Mais um excelente resultado para a Mclaren
Fonte: Formula 1
Assistimos então à melhor corrida do ano, e à primeira vez que a Mercedes mostrou fragilidade este ano, pura e simplesmente não tiveram a velocidade em nenhum momento da corrida. Leclerc não fez nada errado na corrida, pura e simplesmente teve pela frente um Max Verstappen endiabrado pelo vislumbre da armada laranja que veio da Holanda para o apoiar.
Que seja um princípio de maior competitividade esta época…

Anterior1 de 2Próximo

Comentários