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O circuito de Sepang já nos habituou às altas temperaturas – dentro e fora da pista. E este ano não foi excepção. O GP da Malásia voltou a não desiludir e a ser uma atracção para os adeptos de F1.

Lewis Hamilton foi imperial na qualificação e conquistou a pole-position. Ao seu lado, o colega de equipa e rival directo, Nico Rosberg. Para felicidade da Red Bull, Verstappen e Ricciardo foram mais rápidos do que os dois Ferrari e completaram a segunda linha do grid. Hamilton alimentava esperanças para o assalto ao primeiro lugar da geral.

Mas a Malásia fez das suas. Logo na primeira curva, Sebastian Vettel é obrigado a desistir; uma travagem menos ponderada provocou um toque em Rosberg, que obrigou o piloto da Ferrari a abandonar a prova ainda na volta inicial. Quando o safety-car saiu de pista, Hamilton ainda liderava, os Red Bull seguiam-no atentamente e Rosberg tinha caído para 14.º.

Nico empenhou-se, então, na árdua tarefa de trepar a classificação e ainda lutar por um lugar no pódio. Rapidamente chegou a quinto e começou a morder os calcanhares a Raikkonen. Nos lugares da frente, as decisões iam permanecer, previa-se, na duração dos pneus de Hamilton e Ricciardo. Mas o azar do inglês na época actual voltou a ser protagonista: na volta 41, o motor do Mercedes partiu e Lewis ficou automaticamente fora do Grande Prémio. Confesso, tal como já o fiz diversas vezes, que não sou fã de Lewis Hamilton. Mas ouvir um piloto deste calibre, um campeão enorme, comparável com poucos, a gritar “não, não, não!”, quando se apercebe do que se está a passar, causa impacto. E ver um campeonato do mundo ser decidido por erros e azares mecânicos, ainda que o desporto esteja sempre entregue às mãos do destino, faz-me ter saudades dos tempos em que ganhava o mais rápido. Simplesmente, o mais rápido.

Rosberg aplicou uma manobra duvidosa para ultrapassar Raikkonen, chegando a tocar no Ferrari, e foi penalizado em 10s sobre o tempo final. Ainda assim, conservou o terceiro lugar à frente do finlandês e conseguiu manter vantagem suficiente para garantir o pódio depois da bandeira de xadrez. Com o abandono de Hamilton, adivinhava-se uma luta emocionante entre os dois Red Bull, mas tal não aconteceu. Ricciardo controlou a vitória e Verstappen contentou-se com o segundo lugar, garantindo valiosos pontos para a equipa na geral dos construtores.

Lewis Hamilton mostrou-se inconsolável com o desfecho do GP da Malásia Fonte: Lewis Hamilton
Lewis Hamilton mostrou-se inconsolável com o desfecho do GP da Malásia
Fonte: Lewis Hamilton

Nota negativa para a Mercedes e para a desistência forçada de Lewis Hamilton. O inglês mostrou o seu desagrado e perguntou porque é que entre tantos motores Mercedes, muitos deles novos como o que foi usado neste GP, apenas o dele parte. Niki Lauda já veio fazer um pedido de desculpas público e Toto Wolff limitou-se a adjectivar a situação de “bizarra”. O que é importante retirar daqui? Se ganhasse, Hamilton estava de volta à luta pelo título mundial; assim, o Grande Prémio da Malásia pode ter sido decisivo para o desfecho deste campeonato. Não foi apenas um erro, Mercedes.

Nota positiva para a Red Bull e para as alterações que fizeram desde a última prova. Os carros de Ricciardo e Verstappen estavam optimizados e a prova disso foi a vitória no GP e o duplo pódio. A equipa afirma-se cada vez mais como a segunda scuderia e, ainda antes da corrida, Ricciardo já dizia que a grande vitória da qualificação tinha sido ficar à frente dos Ferrari. Chamo a isto evolução natural da história.

Este foi, ainda, o 300.º Grande Prémio da enormíssima carreira de Jenson Button. Apesar dos últimos anos menos felizes, o antigo campeão do mundo deixa um legado memorável na história da modalidade.

Sepang volta a escrever a sua página na história do Mundial. Rosberg aumentou a vantagem, Hamilton continua esperançoso na segunda posição. Vettel cumpre três lugares de penalização na grelha do próximo GP, devido ao acidente na primeira curva. A F1 volta no fim-de-semana de 7 a 9  de Outubro, com o Grande Prémio do Japão.

Foto de capa: Red Bull

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