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A CORRIDA: RED BULL E MERCEDES COM UMA GARAGEM AO SOL E OUTRA À CHUVA

Depois de Lewis Hamilton (Mercedes) conseguir a sua 99ª “pole” da carreira e Sergio Pérez (Red Bull) bater o seu novo companheiro de equipa Max Verstappen para se estrear na primeira linha da grelha, o domingo na região italiana de Emilia Romagna começou húmido e assim permaneceu até à hora de início da corrida. Isto levou os pilotos a alterar as suas estratégias e colocar pneus molhados para o arranque, que se antevia atribulado nesta pista “à antiga”, particularmente técnica e estreita.

Sebastian Vettel (Aston Martin), inicialmente posicionado no 13.º lugar da grelha, é forçado a começar das boxes, enquanto Charles Leclerc apanha um susto na volta de aquecimento ao perder momentaneamente controlo do seu Ferrari, ainda assim sem consequências de maior.

A corrida começa, então, com os pilotos em pneus molhados e intermédios e imediatamente Max Verstappen ataca Hamilton, “alargando os cotovelos” e forçando o heptacampeão largo na primeira curva para assumir a liderança. Ainda durante a primeira volta, mais dois pilotos (Carlos Sainz e Nicholas Latifi, Ferrari e Williams respectivamente) ensaiam piruetas na curva Acque Minerali, onde Leclerc perdera controlo. O canadiano Latifi acaba por ser mesmo o primeiro abandono da corrida, após contacto com Nikita Mazepin (Haas) logo após voltar ao asfalto. Contacto com quatro superfícies diferentes em menos de trinta segundos nunca é bom sinal para um piloto de F1.

Fonte: Formula 1

“Safety Car” em pista, alguns pilotos a recolher às boxes para pneus novos e Mick Schumacher (Haas) também ele a perder controlo do carro perto da saída das boxes enquanto aquecia os pneus, sem consequências de maior além de uma asa dianteira a menos para o “stock” de partes aerodinâmicas da Haas. A equipa americana, para além do andamento inferior, a mostrar-se também sem sorte este ano.

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Recomeço de corrida à sétima volta, com Verstappen, Hamilton, Leclerc, Pérez e Daniel Ricciardo (McLaren) no Top 5, mais chuva e uma luta acesa pelo sexto posto, com Pierre Gasly (AlphaTauri), Lando Norris (McLaren), Sainz e Lance Stroll (Aston Martin) todos “roda com roda”. Valtteri Bottas, no segundo Mercedes, ia acompanhando a luta com vista privilegiada e a fechar o Top 10. Verstappen era líder, fazendo voltas mais rápidas da corrida e criando uma distância saudável de quase cinco segundos para Hamilton que, após o contacto na primeira volta, ia tendo dificuldades em controlar o seu danificado Mercedes.

Más notícias para Pérez à viragem da volta 12, ao ser penalizado com um “Stop & Go” de dez segundos por ultrapassar dois carros durante o período de “Safety Car”. Nesta altura, o destaque ia para George Russell, que aos comandos do Williams ia ultrapassando os rivais para se colocar no décimo lugar, último dos pontuáveis. Mais lutas entre os dois AlphaTauri de Gasly e Yuki Tsunoda e os dois Alpine de Fernando Alonso e Esteban Ocon, enquanto Sainz ia fazendo a sua terceira excursão à gravilha com menos de 25% da distância de corrida cumprida, mas ainda assim mantendo o sétimo posto.

À vigésima volta, a corrida estabilizava e os pilotos e engenheiros de corrida iam ponderando a mudança para pneus secos. Vettel foi o primeiro a “morder a bala”, colocando pneus médios para avaliar a aderência da pista numa altura em que pouco tinha a perder – sobretudo após receber, também ele, uma penalização de dez segundos nas boxes por uma infracção pré-corrida. Schumacher, muito atrasado, foi o segundo a tentar pneus “slick” mas, apesar de se começar a formar uma linha de trajectória seca, um “comboio” de paragens parecia ainda precoce nesta altura.

No final da volta 27, e só após muitos protestos por parte do holandês, a Red Bull permite a Verstappen parar para pneus secos. A iniciativa do líder da corrida traz muitos outros pilotos para as boxes nesta mesma volta. Hamilton fica em pista para tentar cobrir a paragem de Verstappen, mas sem sucesso; o britânico reemerge da sua paragem (lenta) ainda em segundo, com a desvantagem de cinco segundos inalterada.

Pouco depois, desastre para Hamilton. O britânico, tal como Max Verstappen, vê-se no meio de uma cacofonia de outros carros e acaba na gravilha ao tentar ultrapassar Russell, caindo para o sétimo lugar e em necessidade de mais uma paragem após danificar a sua asa dianteira. Desastre maior ainda para Bottas e Russell logo de seguida – em luta pelas últimas posições pontuáveis, os dois pilotos têm um acidente violento na travagem para a curva Tamburello (aparentemente sem culpa evidente) e que dita o abandono de ambos. Intervenção imediata, mais uma vez, do “Safety Car”, que depois se transforma numa bandeira vermelha à volta 34. Nesta altura, Max Verstappen, Leclerc e Norris compunham o pódio, enquanto Hamilton e Tsunoda fechavam os lugares pontuáveis.

Oportunidade para trocar de pneus (Max Verstappen e Leclerc em médios, Norris em macios), voltas de atraso apagadas (menos para os dois Haas, que já estavam a duas voltas do líder), derrapagem e susto para Max Verstappen durante o aquecimento e recomeço em pista seca atrás do “Safety Car”. Tsunoda visita a gravilha após luta com Hamilton pelo oitavo posto, enquanto Norris passa Leclerc e Max Verstappen vai marcando o ritmo da corrida. Pérez sai largo por duas ocasiões e cai também ele para fora dos pontos, enquanto Hamilton vai recuperando lugares e aproximando-se outra vez do Top 5, que alcança ao passar Ricciardo no início da volta 42.

Os veteranos Alonso, Vettel e Pérez iam lutando pelo “primeiro dos últimos” 11.º lugar, durante um período de relativa tranquilidade na corrida e com pouco mais de dez voltas para o final. Max Verstappen ia acelerando para uma liderança de 15 segundos sobre a concorrência, ao mesmo tempo que Hamilton “dava tudo” para tentar chegar ao pódio e salvar uma corrida muito atribulada para a Mercedes.

Depois de “despachar” Leclerc e de uma luta intensa com Norris, Hamilton consegue mesmo chegar ao segundo lugar e consumar uma boa recuperação, depois de se ter visto no nono posto e uma volta atrás de Max Verstappen antes da bandeira vermelha. Vettel abandona com problemas de caixa já muito perto do final e bandeira de xadrez, então, para Max Verstappen, que se coloca a um ponto apenas de Lewis Hamilton no campeonato. Pódio também para um muito eficaz Norris, à frente dos dois Ferraris. No campeonato de construtores, a Mercedes continua na frente, mas vê a sua vantagem sobre a Red Bull reduzida para sete pontos. Na perseguição estão McLaren, a 19 pontos, e Ferrari, a 26, com o restante pelotão ainda em “dígitos únicos”.

A próxima corrida está agendada para dia 2 de Maio, e irá marcar o regresso da Fórmula 1 ao traçado de Portimão – uma corrida que Hamilton venceu em 2020. Para a Mercedes, e Hamilton em particular, será vital repetir o sucesso de Outubro se quiser manter-se à frente de uma Red Bull, e Verstappen, em claro momento ascendente de forma. Seja como for, e tendo em conta os primeiros sinais de 2021… a luta promete!

Foto de Capa: Red Bull Racing

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