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Nico teve um fim-de-semana incólume e começou logo com a pole-position. Apenas 13 milésimos de segundo o separaram de Hamilton, mas o primeiro lugar do grid estava reservado para o alemão. Atrás dos Mercedes, os dois Red Bull . Os Ferrari foram mais rápidos mas tinham penalizações a cumprir – Vettel pelo acidente da primeira curva em Sepang, Raikkonen por ter trocado de caixa de velocidades.

Rosberg voltou a não vacilar e agarrou a corrida desde o princípio. Hamilton, por sua vez, fez o pior arranque da temporada, perdeu muitas posições e à quarta volta era ainda oitavo. A chuva ameaçava mas nunca chegou a causar problemas aos pilotos, que iam trocando de pneus de forma estratégica, para nunca perderem muito terreno durante as paragens.

Lewis Hamilton lá foi fazendo a escalada – passou Hulkenberg, apanhou Raikkonen completamente aos papéis, disse adeus a Massa e Bottas e, por fim, aproveitou um pit-stop de Vettel para subir ao último lugar do pódio. Entretanto, Rosberg parava quase ao mesmo tempo de Verstappen, a “marcar território”, para evitar surpresas.

A Mercedes sagrou-se campeã mundial de construtores pelo terceiro ano consecutivo Fonte: Lewis Hamilton
A Mercedes sagrou-se campeã mundial de construtores pelo terceiro ano consecutivo
Fonte: Lewis Hamilton

E as surpresas não vieram mesmo ao Japão. Lewis estava melhor, mais rápido e adivinhava-se uma luta pelo segundo lugar. Mas Verstappen manteve-se intocável e só deu espaço para uma tentativa de ultrapassagem; o jovem holandês “fechou a porta” ao Mercedes, com a manobra que já é uma das suas imagens de marca. Verstappen mudou de direcção enquanto travava e obrigou Hamilton a sair pela escapatória. A Mercedes já protestou e o caso vai ser investigado mas, a meu ver, este momento nada mais foi do que a confirmação da enorme técnica de Max Verstappen. O piloto da Red Bull já se defendeu e disse que apenas lutou pela posição e que é óbvio que não ia deixar Hamilton passar. Verstappen é o futuro, sublinhe-se.

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Ainda assim, nota positiva para a Mercedes e para o terceiro título de construtores consecutivo. O duplo pódio de Rosberg e Hamilton garantiu a antecipada vitória, quando ainda faltam 4 GPs para o final do Mundial. De realçar, também, o segundo e sexto lugares para a Red Bull. Mais uma vez, Verstappen e Ricciardo a serem melhores do que os Ferrari.

Ferrari esses que nunca tiveram andamento para lutar pelo pódio. Vettel e Raikkonen bem tentaram mas estiveram sempre alheados das grandes decisões. Este ano já é tarde, mas a scuderia italiana tem muito que trabalhar durante o verão para lutar por algo mais em 2017.

São já 33 pontos aqueles que separam Nico Rosberg de Lewis Hamilton na geral. Faltam quatro corridas e o alemão tem o campeonato na mão: mesmo que fique em segundo nas restantes provas, e que o colega de equipa as vença a todas, Rosberg continua a ser campeão. Um momento pelo qual, honestamente, anseio. A F1 volta no fim-de-semana de 21 a 23 de Outubro, com o Grande Prémio dos Estados Unidos.

Foto de capa: Mercedes