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We are the Champions, my friends.

And we’ll keep on fighting, ‘til the end.

É o grande hino dos Queen que Lewis Hamilton deve estar a cantar por esta altura. O piloto inglês conseguiu sagrar-se campeão mundial antecipado no GP dos Estados Unidos e festeja assim o tricampeonato, igualando lendas como Niki Lauda, Nelson Piquet ou Ayrton Senna. Mas não foi fácil; o Grande Prémio americano foi palco da corrida mais emocionante do ano e Hamilton chegou a parecer estar arreado da vitória.

Num fim-de-semana atormentado pelo furacão “Patrícia”, as condições climatéricas – ou a falta delas – foram as protagonistas. A qualificação foi seriamente afectada pelas chuvas intensas que se fizeram sentir em Austin e a Q3 acabou por ser suprimida. Valeram assim os resultados da Q2, em que Rosberg havia batido Lewis Hamilton e conquistado a pole. Os dois Red Bull tomaram de assalto a segunda linha do grid; os Ferrari sofreram dolorosas penalizações e saíram da sétima (Vettel) e da nona linha da grelha (Raikkonen).

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Rosberg teve o pior arranque possível, saindo muito largo na curva 1, e acabou por ser ultrapassado por Hamilton, os dois Red Bull e ainda Sergio Perez (Force India). Concomitantemente, Raikkonen deu uso às mãos calejadas e numa volta subiu de 18º a 10º. Num GP que bateu todos os records de safety-cars, o primeiro deles deu origem à dupla ultrapassagem de Rosberg a Ricciardo e Kvyat – deixando a dúvida sobre se o alemão da Mercedes acelerou ainda com bandeiras amarelas.

Mas, como já tenho vindo a dizer, esta F1 está cada vez mais imprevisível. Ricciardo, em apenas duas voltas, aproveitou um erro do colega de equipa e chegou à liderança da corrida. A perseguição a Hamilton revelou uma experiência que ainda não tinha saltado à vista, uma mestria nas curvas que poderá tornar-se um caso sério. O australiano manteve-se na frente da prova durante sete voltas, até ser dominado por Rosberg; nesta altura, Hamilton era já quarto, atrás do outro Mercedes e dos dois Red Bull.

O inglês garante o seu terceiro título
Lewis Hamilton garante o seu terceiro título

Sebastian Vettel, peça importante na conquista, ou ausência dela, do Campeonato do Mundo por parte de Lewis Hamilton, vinha fazendo a escalada do GP. O alemão da Ferrari conseguiu posicionar-se bem perto dos quatro da frente e os engenheiros da Mercedes revelavam preocupação: mesmo se Hamilton ganhasse, a segunda posição de Vettel adiaria a festa do título por mais uma semana. Confrontado com estas dificuldades, o piloto inglês viu-se obrigado a “fazer pela vida”, ultrapassando Kvyat e Ricciardo e colando-se a Rosberg, durante mais um safety-car. Com o fim da velocidade controlada, Rosberg segurou a vantagem e Vettel aproveitou, colocando-se rapidamente em terceiro – o alemão da Ferrari não queria que Hamilton festejasse já.

Entretanto, a ambição e a vontade de ser mais levou a melhor sobre dois dos pilotos que vinham a fazer uma excelente corrida: Nico Hulkenberg tentou sobrepor-se a Ricciardo e os dois veículos acabaram por se tocar, causando o abandono do alemão da Force India.

O acidente entre os dois jovens pilotos deu origem à entrada do virtual safety-car e foi aqui que tudo mudou. Rosberg decidiu aproveitar a velocidade controlada e foi às boxes, dando espaço e tempo a Hamilton para tomar o comando da prova. Para agravar a situação, Nico Rosberg cometeu um erro indesculpável e saiu de pista, alargando ainda mais a vantagem de Hamilton.

A partir daqui, nada se alterou. Vettel ainda esboçou uma reacção para chegar a segundo e estragar a festa da Mercedes, mas Rosberg defendeu-se bem e aguentou o forte nas últimas curvas. Lewis Hamilton sagrou-se mesmo campeão do mundo nos Estados Unidos.

Nota negativa para a Williams, que não pontua em Austin – duplo abandono de Massa e Bottas. Nota positiva para a McLaren e, principalmente, para o motor Honda. Alonso acabou por não conseguir pontuar, mas Jenson Button alcançou uma excepcional sexta posição, que deixa a curiosidade aguçada para a próxima temporada.

Digno de nota, também, é o facto de a próxima época não contar com o motor Red Bull. Depois do GP deste fim-de-semana, é notório que a marca vai fazer falta à F1 – os carros de Kvyat e Ricciardo rodaram muitas vezes acima dos Mercedes.

Hamilton é campeão, a Mercedes também. Mas o Mundial ainda não terminou. A F1 volta já no próximo fim-de-semana, com o regresso do Grande Prémio do México.

Imagens facebook da Mercedes