A CORRIDA: AS EQUIPAS VÃO COMEÇAR A CONTRATAR METEOROLOGISTAS…

 

Privet! Que é como quem diz: Olá, Sochi! Depois de uma qualificação que vai ser difícil de esquecer, chegava a hora de definir quem era o Rei da Rússia. Antes do Grande Prémio, já existia ação suficiente para um artigo de opinião sobre as mudanças de componentes dos monolugares.

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O neerlandês da Red Bull, Max Verstappen, foi penalizado porque trocou pela quarta vez a unidade motriz da Honda. A Mercedes, como resposta, muito pouco esperada, voltou a trocar a unidade de potência e também começou no fundo da grelha. A ideia era clara, servir de tampão para ajudar Lewis Hamilton, mas o plano durou apenas sete voltas e a corrida de Bottas foi hipotecada.

Na linha da frente, Carlos Sainz arrancou melhor que Lando Norris e assumiu a dianteira da corrida durante as primeiras voltas. Numa viagem no tempo, voltámos a ter uma batalha acesa entre um Ferrari e um McLaren. George Russell, com um Williams sem o ritmo dos adversários, atrasou os carros que estavam atrás, criando um comboio onde todos tinham DRS.

Depois do bom arranque do espanhol, Sainz viu Norris a chegar muito depressa pelos retrovisores. O britânico, sem muitos problemas, assumiu a dianteira do pelotão e por lá se manteve. Entretanto, foi inaugurada a Romaria a Nossa Senhora das Boxes, em Sochi.

Todo o Grande Prémio ficou marcado pela pouca eficácia das pistolas de ar. Daniel Ricciardo perdeu as esperanças de um melhor resultado depois de uma paragem demasiado longa, mas não foi o único com problemas. Charles Leclerc, pouco depois, também teve problemas e caiu muitas posições.

Na primeira ida às boxes, a Red Bull tentou um golpe de teatro ao parar Max Verstappen ao mesmo tempo que Lewis Hamilton. O britânico saiu em nono e o neerlandês ficou com o décimo segundo lugar nesse ponto. O “botão” do hammer time foi ativado e a unidade motriz da Mercedes voou para se colar ao líder, Lando Norris, que, entretanto, também já tinha picado o ponto na pit stop.

O engenheiro da McLaren avisou para se abrirem os guarda-chuvas. Sendo os dois ingleses, Lando e Lewis devem estar bastante habituados a lidar com a precipitação. No entanto, a expectativa para se perceber se algum dos dois ia parar baralhou os planos do líder, demonstrando, a olho nu, a pouca experiência que ainda tem.

Lando Norris gritou num tom uns decibéis bastante acima do recomendado a intenção de não parar, porque a chuva ainda não parecia ameaçar a vitória. Com tudo preparado, o jovem piloto recusava-se a acreditar no dilúvio que acabou por chegar. Durante alguns minutos, a chuva foi intensa e os pneus Duros não conseguiam ter a performance desejada nestas condições.

Uns deslizes e abanões depois, foi a hora de Norris parar, mas foi tarde demais. Quem agradeceu foi Lewis Hamilton, que beneficiou da boa estratégia da Mercedes e cruzou a reta da meta como vencedor. Apesar de ter duvidado dos engenheiros, parou contrariado, mas acabou a agradecer o sangue frio da equipa.

Com a chuva, alguns pilotos que já não tinham qualquer esperança de uma subida ao pódio, conseguiram saborear o champanhe. Max Verstappen, aos poucos, foi cavalgando e, depois de começar no último lugar (20.º), terminou em segundo. A fechar o Top 3, esteve Carlos Sainz, cuja equipa não esperava que o espanhol passasse do quinto lugar.

Os mesmos do costume terminaram nos dois primeiros postos, mas, quem não quiser ver todo o Grande Prémio, nem sabe o que perde. Em segundos, o sonho da primeira vitória de Lando Norris fugiu entre os dedos e, pelo contrário, outros pilotos conseguiram resultados que ninguém esperava.

Mesmo depois de alguns sustos, esta foi a tarde de Lewis Hamilton. Venceu o 100.º Grande Prémio da carreira e voltou ao primeiro lugar da tabela no Mundial de Pilotos. Apesar de toda a felicidade, não há bela sem senão e o segundo lugar de Max Verstappen foi uma pedra no sapato de um dia que podia ter sido perfeito para o piloto britânico.

O paddock volta a ser desmontado com vista ao próximo destino, que é a Turquia. O circuito do Istambul Park é o palco da 16.ª ronda do Campeonato do Mundo de Fórmula 1, no fim de semana de 8 a 10 de outubro. A semana de intervalo serve para respirar um pouco, porque este Mundial está ao rubro!

 

Foto de Capa: Mercedes AMG

 

PILOTO DO DIA

 

Max Verstappen – Começou no último lugar porque trocou a unidade motriz e, a certo ponto, o sexto lugar era um bom resultado para o piloto. Numa questão de minutos, a corrida virou-se a favor do neerlandês, que conseguiu terminar no segundo lugar e não perdeu muitos pontos para Lewis Hamilton. A distância no mundial entre os dois fixa-se em apenas dois pontos.

Se expandirmos o horizonte, este Grande Prémio pode vir a ser um ponto de viragem no campeonato. Verstappen já tem um motor novo e Hamilton ainda vai ter de ser penalizado, sem, provavelmente, conseguir um resultado tão bom como o do rival. A futurologia não garante resultados, por isso, só resta esperar e ver.

 

DESILUSÃO DO DIA

 

Lando Norris – Quem te avisa, teu amigo é, Lando. De repente, o que parecia a primeira vitória do jovem piloto, virou-se para o maior pesadelo da curta carreira. A sede de vencer ficou patente, mas também é preciso ouvir os engenheiros que estão a ver além do que se está a passar no asfalto. É duro aprender com o erro, mas de certeza que vai fortalecer a personalidade do britânico.

 

 

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