cab desportos motorizados

Por muito que insistam no contrário, a Fórmula 1 é cada vez mais um desporto emocionante e imprevisível. Mesmo que tal não aconteça na liderança das corridas, onde a balança tomba invariavelmente para o lado de Lewis Hamilton, as lutas pelos pódios, pelos lugares cimeiros e até pelos pontos estão cerradas e cheias de interesse. Sochi não foi excepção. O GP da Rússia foi um dos melhores deste Mundial e manteve-se quente do princípio ao fim.

O fim-de-semana do Grande Prémio da Rússia ficou marcado pelo violentíssimo acidente de Carlos Sainz (Toro Rosso) no último treino livre. O piloto espanhol foi hospitalizado mas, corajosamente, convenceu os médicos a deixarem-no correr na prova deste domingo. A sorte (e os travões do Toro Rosso…) voltou a falhar-lhe na volta 47, quando se despistou duas vezes quase consecutivas e foi obrigado a abandonar.

Quanto à qualificação, Nico Rosberg aproveitou um erro de Hamilton e garantiu a pole-position. O inglês confirmou a segunda posição, tendo sido mais rápido que Valtteri Bottas e Sebastian Vettel, que saíram ambos da segunda linha. Kimi Raikkonen colocou o outro Ferrari na terceira linha do grid, ao lado de Hulkenberg.

Hulkenberg, esse, provocou o primeiro pico de interesse no GP. O alemão da Force India fez um pião logo na curva 2 e foi o responsável pelo embate com Marcus Ericsson. Abandono imediato para ambos. Rosberg conseguiu manter a liderança depois do safety-car e Bottas segurou o terceiro lugar, apesar do arranque canhão de Raikkonen. Mas, na volta 8, o Grande Prémio ficou resolvido, bem como o Campeonato do Mundo. Nico Rosberg avisa via rádio que tem o pedal do acelerador partido e acaba por abandonar, deixando a corrida e o título mundial nas mãos de Lewis Hamilton. O inglês limitou-se a gerir a vantagem até ao final.

Anúncio Publicitário
A festa dos homens da Mercedes
A festa dos homens da Mercedes

E como ultimamente um safety-car por GP já sabe a pouco, Romain Grosjean fez questão de manter a animação. Na volta 12, o francês despistou-se e só parou na barreira de protecção; apesar de o Lotus ter ficado completamente destruído, Grosjean saiu ileso. A saída do safety-car deu espaço a Vettel para recuperar posições, ultrapassando o colega de equipa com uma excelente manobra e subindo a terceiro. Iniciava aqui a cruzada pelo segundo lugar do pódio, sacrificando Valtteri Bottas.

Mais uma vez, a estratégia de paragem nas boxes da Williams voltou a falhar. Bottas foi mudar de pneus e a equipa não calculou que o piloto regressaria à corrida mesmo no miolo do pelotão – era necessário ter parado, talvez, duas voltas antes. De segundo, o finlandês caiu para 11º; a situação ficaria ainda pior quando Vettel emergiu do pit-lane à frente do Williams e subiu a segundo.

A dez voltas do final, Sergio Perez ia resistindo no terceiro lugar, brilhantemente e com enorme esforço – pairava a dúvida sobre se os pneus iam aguentar até ao final. Valtteri Bottas e Kimi Raikkonen pressionavam e atacavam, conseguindo a ultrapassagem final na penúltima volta. Mas o azar de Perez foi recompensado numa enorme sorte segundos depois: Raikkonen deixa a ambição levar a melhor e arrisca demasiado, batendo em Bottas e arruinando a corrida para ambos. Ainda assim, e na tentativa de evitar a vitória no Campeonato do Mundo de construtores da Mercedes, Raikkonen conseguiu terminar em quinto. Contudo, foi considerado culpado do acidente com Bottas e penalizado em 30s – a Mercedes é mesmo bicampeã mundial de construtores.

Nota positiva para a McLaren, que conseguiu colocar os dois carros nos pontos. Na semana em que se soube que Fernando Alonso vai ficar, pelo menos, mais um ano, o motor Honda mostrou que é capaz de voos mais altos e que a experiência só vai fazer bem à equipa. De acompanhar, também, o jovem mexicano Sergio Perez: o piloto da Force India mostrou-se corajoso e com uma enorme perseverança – qualidades que lhe garantiram o pódio.

Lewis Hamilton venceu e é campeão garantido, Vettel foi segundo e ultrapassou Rosberg na classificação geral. A Fórmula 1 volta no fim-de-semana de 23 a 25 de Outubro, com o Grande Prémio dos Estados Unidos e a festa de Lewis Hamilton.

Imagens do artigo: Mercedes